Jornal dos Desportos

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Valentino sai à frente no GP de Espanha

24 de Abril, 2016

Valentino Rossi volta à pole-position da MotoGP à frente de Lorenzo e Márquez

Fotografia: APF

Desde o primeiro treino livre, Valentino Rossi mostrou-se forte para inverter a história da presente época. Numa volta final, que parecia despretensiosa, cravou parciais incríveis. O italiano fez 1min38s736 e assumiu a liderança, que estava com Jorge Lorenzo.

Com a pole position em Jerez, Valentino Rossi aumenta a estatística pessoal. Das 62 no campeonato mundial, colecciona 52 na MotoGP e afasta-se cada vez mais da aproximação de Marc Márquez. Por outro lado, além de marcar regresso à pole, o resultado é também a terceira vez consecutiva que o italiano larga na primeira fila, o que não acontecia há sete anos, desde 2009.

Jorge Lorenzo entrou nos minutos finais da sessão com o melhor tempo, mas não conseguiu melhorar as suas parciais nas voltas finais e ficou a 0s122 do companheiro de equipa.

Marc Márquez também desfilou uma boa forma e tentou tomar a pole position da Yamaha, mas não conseguiu fazer frente às YZR-M1, especialmente, nas últimas duas curvas. Assim, o  número 93 larga hoje em terceiro, apesar de ter feito belas parciais na sua volta final.

Ontem, a Honda celebrou os 55 anos da sua primeira vitória no mundo dos Grandes Prémios. Em 1961, Tom Phillips venceu a prova de abertura da época das 125cc, disputada na pista de Montjuich Park, em Barcelona. Actualmente, a marca da asa dourada acumula 712 triunfos no Mundial de Motociclismo. O mais recente foi conquistado por Marc Márquez em Austin.

Andrea Dovizioso conseguiu minimizar as dificuldades da Ducati e vai abrir a segunda fila, mas já com 0s844 de atraso sobre Rossi. Maverick Viñales foi apenas 0s001 mais lento que o italiano e ficou com o quinto posto.

Dani Pedrosa continua a sofrer com a aceleração da RC213V e vai largar em sétimo, à frente de Pol Espargaró. Héctor Barberá aparece em nono, com Cal Crutchlow a fecha o top-10.

Ainda a lutar por uma vaga na Ducati em 2017, Andrea Iannone não tem muito que comemorar. O italiano teve problemas com o acerto da Desmosedici durante as sessões de treino livre e acabou com o 11º lugar na grelha, 1s318 mais lento que Valentino Rossi.


LIMITE É LE MANS
Viñales vacila entre Suzuki e Yamaha


A próxima época da MotoGP está a mexer com os agentes e equipas, depois da confirmação de Jorge Lorenzo na Ducati. Uma das peças do quebra-cabeça de 2017 é Maverick Viñales. O espanhol é apontado como o piloto "mais importante" para substituir o espanhol da Yamaha.

O titular da equipa Suzuki ainda não tomou uma decisão sobre o seu futuro na MotoGP. Apesar de mostrar interesse em se transferir para a actual equipa campeã, Maverick Viñales tem demonstrado a vontade de permanecer na sua casa actual.

Entre sim e não, o competidor número 25 dá indício de que já tem um caminho traçado na sua cabeça. Viñales tem evidenciado sinais das suas prioridades e vontades. O pretendente ao título definiu a etapa de Le Mans como o limite para bater o martelo.

"Tenho várias possibilidades e cada vez mais tenho a clareza de onde tenho de ir. No entanto, preciso dar 100 por cento e conseguir um bom resultado, o que é importante. Quero definir o meu futuro e dedicar-me apenas a pilotar", disse.

Para decidir o futuro, o espaço está traçado com o apoio do coração. "Para mim, o limite é Le Mans. Não que esteja completamente decidido, vou fazer o que o meu coração me diz. As prioridades são resultados e uma moto com que possa ser campeão do mundo. Os resultados da Yamaha estão aí, mas espero que a Suzuki também me possa dar alguns", completou.

No contrato do piloto consta uma cláusula que o amarra à equipa, caso termine no top-6: a Suzuki tem o direito de renovar automaticamente o acordo entre ambas as partes. Mas para Maverick, isso é impensável de se acontecer.

"Tanto eu como a equipa sabemos que se eu decidir sair e não estiver satisfeito, não me vão obrigar a ficar", disse.

Valentino Rossi também falou sobre o assunto. Apesar de expressar a curiosidade de como seria Marc Márquez na Yamaha, chegou a citar o nome de Viñales como possível companheiro. Ao falar sobre o italiano, o espanhol não poupou elogios.

"Posso aprender muito com Rossi; pode fazer-te crescer muito. Valentino está sempre a lutar por vitórias. E mais que a sua experiência na pista é a sua maneira de trabalhar. Mesmo com a sua idade ainda está na linha de frente. O seu método de trabalho deve ser incrível", opinou.


MOTO 3

Bulega crava primeira pole da carreira


Nicolò Bulega surpreendeu ontem os favoritos do Mundial da Moto3. O campeão mundial júnior de 2015 precisou apenas de quatro etapas para facturar o lugar de honra da grelha de partida para o Grande Prémio de Espanha, em Jerez de la Frontera. Com 1min46s223 na sua melhor volta, o jovem italiano conquistou a primeira pole position no Mundial da categoria.

A pole position da Bulega traz um marco histórico. Nicolò é o sétimo mais jovem piloto a largar da posição de honra da grelha. Antes dele, estão Melandri, Quartararo, Marc Márquez, Maverick Viñales, Jorge Lorenzo e Dani Pedrosa. Assim, o italiano inscreve com tinta indelével o seu nome na história do motociclismo mundial.

Nicolò Bulega tem 16 anos de idade e integra a equipa de Valentino Rossi. A promessa da MotoGP superou em 0s213 o líder do campeonato mundial, Brad Binder. Para completar a primeira linha da grelha, Jorge Navarro faz companhia aos dois primeiros.

Francesco Bagnaia confirmou a boa performance da Mahindra na pista de andaluz e ficou em quarto lugar da tabela, à frente de Niccolò Antonelli, que sofreu uma queda na parte intermédia da sessão qualificativa. Na sexta posição ficou Enea Bastianini.

Joan Mir abre a terceira fila da grelha na sétima posição. Mir tem a companhia de Juanfran Guevara e de Romano Fenati. Para completar o top-10, Jakub Kornfeil acelerou forte na recta final da sessão.


MOTOGP

Michelin procura
acerto de pneus


O acerto de composto para as equipas participantes do Mundial de Motociclismo está a tirar sono a Michelin. Depois de uma boa primeira corrida no Qatar, O Grande Prémio da Argentina apresentou problemas, que obrigaram a realização de flag to flag (troca de motos) a meio da prova. Em  Austin, EUA, a fabricante de pneus também levou compostos mais duros.

Em declarações à imprensa, Nicolas Goubert, director da única empresa fornecedora, afirmou que tomaram a decisão de fabricar pneus com as borrachas mais resistentes para o resto da época.

"A decisão é definitiva, porquanto não queremos ver a repetição dos incidentes. A verdade é que havíamos utilizado esse tipo de construção durante 18 meses sem problemas, mas, por suposição, pois as provas fazem-se com pilotos e diferentes condições de pista e temperatura", continuou.

A Michelin forneceu pneus para a F1 até a época 2006, quando foi substituída pela Brigestone. Com isso, Goubert fez uma interessante comparação ao afirmar que produzir compostos para motos é muito mais complicado do que para carros.

"É muito mais difícil fazer pneus para motos do que para a F1. Em primeiro lugar, a diferença de peso dos pilotos dos carros é mínima em comparação com o peso total do carro. Em segundo lugar, fala-se de peso numa posição fixa. O mais importante é que na F1 o estilo de pilotagem tem pouquíssima influência sobre o estresse em que são submetidos os pneus", explicou.

"Quando nos submetemos ao julgamento dos pilotos da F1, as opiniões são parecidas. Já nas motos, os pontos de vista são mais pessoais e são influenciados por diversos factores. O mais importante é que, se num traçado só existem curvas para a esquerda, manter a temperatura nos compostos da F1 é quase irrelevante, então para a moto é fundamental", encerrou.