Jornal dos Desportos

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Valores sagrados de voluntarismo no Rio de Janeiro

26 de Julho, 2016

Grupos de voluntários já entraram em serviço desde domingo último após a abertura da vila olímpica na região metropolitana do Rio

Fotografia: AFP

Os Jogos Olímpicos trazem a irmandade e muita amizade que transcendem o valor competitivo. A vontade de participar directa ou indirectamente do evento mexe com a alma de pessoas, como Rhoel Dejano, um médico filipino.

O profissional de saúde deixa a terra natal para se juntar a tantos outros voluntários que vão ajudar na movimentação das pessoas. Para passar 20 dias no Brasil, o médico desembolsa 10 mil dólares norte-americanos. Como outros 50 mil voluntários, recebe em troca a alimentação e transporte nos dias de trabalho.

Numa conversa com o site do comité organizador, o médico de 34 anos de idade, disse: "Não me importo com os custos e o tempo, porque estive a preparar-me por muito tempo para participar dos Jogos Olímpicos".

Rhoel Dejano trabalha como médico das equipas de basquetebol universitário na sua cidade. Há um ano, inscreveu-se no programa de voluntário dos Jogos e em Dezembro foi aceite. “Vai ser uma honra para a minha família e a minha comunidade”, disse o médico que vai exercer o seu ofício na Arena Carioca, onde acontece o torneio de basquetebol.

“Desde criança, tinha o sonho de estar nos Jogos Olímpicos, mas se não deu para ser como atleta, que seja como voluntário”, disse.
Cerca de 20 por cento dos 50 mil voluntários dos Jogos são estrangeiros. Passaram por uma análise de currículos, uma entrevista por telefone e outra em grupo para que seja avaliada, entre outras coisas, a sua animação.

"Pessoas que não estejam em sintonia com os nossos valores e com o espírito olímpico não são chamadas", diz Flávia Fontes, gerente de voluntários da Rio'16. Também lhes foi oferecido um curso on-line de português para que aprendam o básico, mas na prática vão falar mais as suas línguas nativas e o inglês. Há pessoas que saem de muito longe. O russo Vladimir Alyabiev, de 37 anos, sai da cidade de Krasnoyarsk, no oeste da Sibéria, um lugar em que faz frio de até -45ºC no Inverno.

“Mas agora a temperatura está boa, cerca de 30º, bem quente. Faço coisas que as pessoas às vezes, não entendem. Essa experiência vai fazer-me ser uma pessoa mais ‘leve’”, disse.

TRABALHO GRATUITO
MELHORA CURRÍCULO


Além da oportunidade de conhecer culturas de diferentes partes do mundo e viver uma experiência internacional, os voluntários veem a oportunidade de acrescentar um item ao currículo profissional. A holandesa Wilma Visscher, de 47 anos, ficou desempregada depois da falência da empresa em que trabalhava. Agora, espera que a experiência no Rio aumente as suas oportunidades no mercado.

“Não sei se vai ser aceite o meu currículo, mas as pessoas ficam curiosas e interessadas em saber mais sobre por que se engajou numa actividade como voluntário”, diz a holandesa   natural de uma pequena cidade.