Jornal dos Desportos

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Velas enchem guas da Baa

lvaro Alexandre - 08 de Outubro, 2016

A festa do continente africano junta atletas em Luanda no meio de grande expectativa

Fotografia: Dombele Bernardo

Depois das boas-vindas proferidas ontem, no pátio do Clube Naval de Luanda, a grande festa africana da vela, na classe Optimist, começa a partir das 12h00, nas águas da Baía de Ilha de Cabo. No primeiro dia de competição, 47 velejadores disputam as três regatas das cinco individuais previstas.

As bandeiras de sete países vão colorir o mar da capital angolana. A atenção está virada para as prestações das embarcações com as cores de Argélia, Angola, África do Sul e Moçambique, os principais candidatos ao troféu individual.

O sol abrasador de Luanda é um forte aliado para os moçambicanos, principais candidatos à vitória da primeira regata. Os "irmãos do Índico" estão na competição para melhorar o segundo lugar obtido na classe masculina, da edição anterior. Com a mesma determinação, os campeões continentais, os argelinos, pretendem revalidar o troféu. O grupo trabalhou em clima quente e com as altas temperaturas de Luanda, não vai influenciar no comportamento dos atletas.

Não menos importante, estão os anfitriões e sul-africanos. Apesar de trabalhar em território nacional há muitos meses, e conhecer as águas e o vento nessa época, os angolanos têm uma "missão impossível" atingir o pódio. Para lograr o título, vão empenhar-se com afinco e contar com as benesses de Deus para contrapor a experiência dos campeões e dos vice -campeões africanos. Por outro lado, os sul-africanos pretendem corrigir a história e fazer içar a bandeira de Nelson Mandela em território angolano.

Cada uma das três regatas consomem 50 minutos numa extensão de uma milha e meia. O Inamet prevê ventos moderados a meio dia e sol aberto. O clima é favorável para  a grande adesão de espectadores nas praias da Ilha de Cabo.

O programa de competição reserva para amanhã mais três regatas individuais, no mesmo espaço. Na segunda-feira, é disputada a regata por equipa. Para terça-feira está agendado o dia para o repouso. Os participantes são convidados a deslocar-se a Sul de Luanda, em visita turística, para desfrutarem das belezas do Rio Kwanza e a paisagem circundante. O Cabo Ledo é o destino final.

A competição continental retoma o trabalho na quarta-feira, com mais regatas individuais. Na quinta-feira, o mundo vai conhecer os novos campeões africanos, após a disputa das últimas regatas.
No seio das selecções presentes, a determinação de vencer é grande. O controlo de ansiedade exige das direcções técnicas, trabalhos psicológicos. Os angolanos reservaram ontem uma sessão de trabalho psicológico, orientado por Moisés Camota. O seleccionador nacional trabalhou na concentração da largada, um grande handicap dos jovens angolanos.

O Campeonato Africano de Vela da classe Optimist é disputado pelas selecções de Angola, Moçambique, África do Sul, Argélia, Ilhas Seicheles, Tanzânia e Zimbabwe.

A Selecção Nacional é constituída por  Osvaldo da Gama, Lourenço Simão, Decáprio Fernando, Benilson Nzuzi, Guilherme Neto, Eduardo João, Emílio do Rosário, Garciano Novais, João Artur, Osvaldo Carlos, João Luacuti, Ronâncio Paulo, Juliana Miguel, Aline Lourenço, Maria Júlio e Joana Brito.

Moçambique está em Angola com o técnico César Sanches e os atletas Jeremias Mazoio, Abel Manhique, Denise Parruque, Tito Cossa e Eric Macamo.
A Argélia, campeã africana, defende o título com Touabi Racha, Lazereg Mohamed, Dia Rym Isra, Mokntari Hichan, Bouhaddi Walid Yacine, Harduz Anis, Bendjaoui Oussama e Djandou Abdel Hak.

A Tanzânia tem o técnico Penny Alissen e os atletas Anna Grolleman, Hamissi Muidini, Mussa Seiphu, Karim Jumanne e Coleman Tieszen.

A África do Sul, é a quarta força do evento, é orientada por Claire Walker e desfila com Matt Ashwell, Chiara Frliet, Keagan Nel, Helen Jansen Van Vuuren, Tristan Tomlinson, Alex Wiederhold e Duncan Hawksworth.

Sem "apetites" ao título, estão as Ilhas Seicheles com Dominique Labrosse, Herve Lafortune, Ryan Alcindor e Nathan Matatiken, bem como os zimbabweanos com Janes Ross, Hanish Ross e Philippa Ross.


TREINOS
Desportistas falham fórum de marketing


Os gestores desportivos devem impulsionar o marketing, com a introdução de novos métodos que possam alavancar financiamentos, defendeu a Secretária de Estado para a política do Desporto, Ana Paula do Sacramento Neto, quando falava ontem à margem do II Fórum sobre Marketing Desportivo, realizado numa das salas  do Hotel Trópico, em Luanda.

No evento sob a iniciativa da empresa Creativaz, Paula Neto destacou que "o marketing é uma actividade que deve ser impulsionada e os seus gestores devem trazer métodos que a possam alavancar".

"Queremos encorajar a organização a realizar acções que visem a protecção de marcas, mas que tragam algum benefício financeiro às empresas, e esperemos que (estas empresas) financiem as actividades desportivas", disse.

Muitos desportistas e gestores de clubes, Federações e Associações não estiveram presentes para ouvir as declarações da governante, nem a abordagem de temas inscritos no programa do fórum.

Nzongo Bernardo dos Santos, da organização, deplorou a ausência dos agentes desportivos ao evento, que acabou por ser a nota negativa. Felicitou os poucos presentes, mas considera que o universo de agentes interessados no marketing desportivo é grande.

"Estou triste, porque temos visto dirigentes de clubes a queixarem-se da falta de verbas ou de sustentabilidade dos seus clubes; alegam falta de patrocínios e o sector empresarial está aqui apesar das suas dificuldades; estão porque querem retorno daquilo que fazem em termos de patrocínio.
Penso que os clubes e outras Associações deviam actuar para que eventos como este fossem mais valias para si", comentou.

O fórum teve dois painéis. No primeiro abordou-se a "gestão desportiva vs marketing desportivo" e, no segundo, "marketing desportivo -investimento vs retorno".

O primeiro fórum foi realizado em finais de Janeiro, na Galeria dos Desportos. Durante aquela primeira experiência, Célio Mendes, especialista em marketing desportivo, recomendou os clubes angolanos a "profissionalizar os departamentos de marketing a fim de tirarem maior proveito desta ferramenta voltada para a prática e divulgação de modalidades pela promoção de eventos". 
SILVA CACUTI


SEGURANÇA
Polícia Nacional
tem mil efectivos


Para assegurar o campeonato africano de vela da classe Optimist, o Comando da Polícia Nacional colocou desde ontem, mil efectivos no terreno. Angola dispõe de longa experiência na segurança de eventos desportivos e as delegações presentes gozam de boa comodidade.

Ontem, na cerimónia de abertura, decorrida no Clube Naval de Luanda, a Polícia Nacional  esmerou-se nos cuidados e protecção de todos os presentes. Os efectivos operativos pertencem a Ordem Pública, Regulador de Trânsito, Polícia Civil e de Brigada Bicicleta, além de Bombeiros.

Para preservar as embarcações em prova, os efectivos da Polícia Fiscal Militar operam no mar com nadadores salva -vidas.

No histórico de participação, é pela primeira vez que Angola organiza um Campeonato Africano de Velas, na classe de Optimist, desde que se estreou em 2008, nas Ilhas Maurícias.

A segunda participação ocorreu em 2009, na África do Sul e subiu ao pódio com a medalha de prata por equipa e bronze masculino. Seguiram-se o Quénia (2010), Tanzânia (2012), África do Sul (2013), Marrocos (2014) e Argélia (2015). Angola não esteve preesente na Tunísia, em 2011.

Um total 28 juízes estão envolvidos no Campeonato Africano de Luanda. Deste número, oito são provenientes da Argentina, França, Croácia, Islândia, Inglaterra, Turquia e Portugal.