Jornal dos Desportos

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Velocidade nas ruas de Monte-Carlo

26 de Maio, 2018

O circuito de Monte -Carlo um dos mais antigos cenrios do desporto automvel mundial

Fotografia: DR

Os bólides de Fórmula 1 voltaram à acção quinta-feira nas ruas de Monte -Carlo. O programa do Grande Prémio de Mónaco não começa excepcionalmente numa sexta-feira, como nos outros circuitos do Campeonato do Mundo de Pilotos e Construtores, pois a tradição tem um grande peso no Principado.
Localizado no Sul de França, Mónaco é o segundo Estado mais pequeno do Mundo, depois do Vaticano. Com um regime fiscal suave e uma economia assente na alta finança, no jogo de sala e no turismo, constitui um atractivo para empresas e bancos estabelecerem sedes. Milionários de vários quadrantes elegem a cidade costeira de Monte -Carlo como segundo domicílio.
O Grande Prémio é uma das fontes de receitas do Principado. Os hotéis, restaurantes e lojas de luxo ganham rios de dinheiro nessa ocasião, tal como o Casino, situado dentro do circuito.
Todos estes factores transformaram Monte -Carlo na prova de maior cartaz do desporto automóvel mundial, a par das míticas 500 Milhas de Indianápolis, nos Estados Unidos da América (EUA), e as 24 Horas de Le Mans, em França. Vencer em três cenários diferentes, em categorias diversas como a Fórmula 1, Fórmula Indy e Resistência (Protótipos e Grande Turismo), não está ao alcance de qualquer piloto.
O britânico Graham Hill, campeão do Mundo em 1962 e 1968, respectivamente em BRM e Lotus-Ford, é a excepção. O pai de Damon Hill, campeão do Mundo em 1996, ao volante de um Williams-Renault, triunfou cinco vezes nas ruas de Monte -Carlo, impôs-se nas 500 Milhas de Indianápolis, ao volante de um Lola -Ford, e venceu em Le Mans, aos comandos de um Matra-Simca, acompanhado pelo antigo piloto de Fórmula 1, Henri Pescarolo.
Entre os pilotos actuais, o espanhol Fernando Alonso, é quem está mais próximo de emular Graham Hill. Este ano, participa simultaneamente no mundial de Fórmula 1 e no Campeonato do Mundo de Resistência (WEC, nas iniciais em inglês), integrado na equipa oficial da Toyota. O piloto espanhol triunfou há três semanas nas 6 Horas de SPA-Francorchamps, prova inaugural da temporada do WEC. Agora apresenta-se como favorito à vitória nas 24 Horas de Le Mans, entre 18 e 19 de Junho.
Depois de ter participado, pela primeira vez no ano passado nas 500 Milhas de Indianápolis, com o patrocínio da Mclaren, o piloto espanhol espera regressar para concretizar o sonho de vencer a “tripla coroa”, o título honorífico atribuído ao vencedor das três grandes provas.
No palmarés da prova, acima do piloto espanhol estão Ayrton Senna, com seis triunfos, seguido de Graham Hill, com cinco vitórias. O terceiro laureado é Alain Prost, com quatro vitórias. Stirling Moss e Jackie Stewart deixaram os seus nomes registados três vezes nos anais do Grande Prémio de Mónaco.
O circuito de Monte -Carlo é um dos mais antigos cenários do desporto automóvel mundial. A primeira corrida teve lugar no longínquo ano de 1929, com uma grelha de partida recheada de pilotos das equipas oficiais da Mercedes e da Bugatti, acompanhados por muitos privados.
Perante a ausência das equipas oficiais da Maserati e Alfa -Romeo, a corrida transformou-se rapidamente num duelo entre o alemão Rudolf “Rudy” Caracciola, uma lenda do automobilismo, e o franco -britânico William Grover -Williams. Uma lenta paragem de “Rudi” Caracciola na boxe da Mercedes, para reabastecer e trocar pneus, perto do final da corrida, permitiu ao piloto do ágil Bugatti inscrever o seu nome nos anis do Grande de Mónaco.
Natural de França, residente em Monte -Carlo, filho de pai britânico, veterano da I Guerra Mundial, William Grover -Williams seguiu as pegadas do seu progenitor. Alistado no Exército britânico, como voluntário, combateu na II Guerra Mundial ao serviço das forças especiais do SOE (Special Operations Executive). Por ser fluente em Francês, foi enviado para a retaguarda das tropas nazis em França, onde integrou a Resistência Francesa, com a missão de efectuar actividades de reconhecimento, sabotagem e emboscadas.
O seu grupo incluía os franceses Robert Benoist e Jean -Pierre Willime, dois antigos pilotos de Grande Prémio. Capturado pelo Exército alemão, William Grover -Williams foi deportado para um campo de concentração. Morreu por fuzilamento em Março de 1945, a menos de dois meses do fim do conflito armado. Robert Benoist teve o mesmo destino numa penitenciária francesa.


GLAMOUR NO GP DO MÓNACO
Famosos num ambiente mundano

O clima clemente da Riviera Francesa, banhada pelo Mar Mediterrânico, atrai um grande número de actuais e antigos pilotos de Fórmula 1, que escolhem Monte -Carlo como um dos seus principais locais de residência, também devido às vantagens fiscais e à relativa proximidade com as sedes das suas equipas. O circuito utiliza ruas localizadas na zona mais próxima do Porto. Durante o fim-de-semana de Grande Prémio, a marina recebe alguns dos mais sumptuosos iates do Mundo, que acolhem espectadores privilegiados, num ambiente festivo.  A proximidade de datas entre a realização da prova e o Festival de Cinema de Cannes, a poucos quilómetros de distância do Principado, facilita a presença de celebridades da Sétima Arte. A concentração de tantos famosos num ambiente mundano, marcado pelo luxo e a riqueza, transformam o Grande Prémio de Mónaco na prova do “mundial” com maior glamour, ou seja, charme e encanto.