Jornal dos Desportos

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Vettel lidera treino em Melbourne

16 de Março, 2013

Tricampeão mundial volta a evidenciar-se como melhor piloto da actualidade no circuito Albert Park

Fotografia: AFP

Sebastian Vettel voltou a mostrar ontem grande domínio no segundo treino livre para o GP da Austrália, assim como na primeira sessão em Melbourne, e fechou o dia com o melhor tempo. O actual tricampeão da Fórmula 1 fez o tempo de 1min25s908 e volta a começar o ano entre os grandes favoritos para o título mundial. O australiano Mark Webber, companheiro de Vettel na Red Bull, terminou na segunda posição com 1min26s172, o que demonstra a candidatura da equipa para o Mundial de Construtores. A nota negativa ficou por conta de Lewis Hamilton, que bateu com o seu Mercedes quando faltavam cinco minutos para o fim e teve de sair a pé, apenas com o sétimo tempo, 1min26s772.

Felipe Massa, da Ferrari, que havia ficado em segundo na primeira sessão de ontem, caiu para a oitava posição no segundo treino ao marcar 1min26s855. O brasileiro ficou atrás do seu parceiro de equipa, o espanhol Fernando Alonso, que terminou em sexto, com 1min26s748. Nico Rosberg fez o terceiro melhor tempo com 1min26s322, mas teve problemas na caixa de velocidade. Assim como Lewis Hamilton, também precisou deixar a sessão antes do fim. Na quarta e quinta posições ficaram os dois pilotos da Lotus, Kimi Raikkonen e Romain Grosjean, que confirmam a boa expectativa após os resultados da equipa nos testes de pré-época. A McLaren teve um desempenho abaixo do esperado. Tanto Jenson Button quanto Sergio Pérez baixaram os seus tempos da manhã e acabaram a sexta-feira em 11º e 13º.

HUMILDADE
DA RED BULL

O alemão Sebastian Vettel e o australiano Mark Webber foram os pilotos mais rápidos do primeiro dia de treinos livres para o Grande Prémio da Austrália de Fórmula 1, mas não se consideram favoritos para a prova de fim-de-semana. A dupla da Red Bull afirmou que ainda é preciso acompanhar as próximas actividades em Melbourne para fazer uma análise mais precisa. Vettel liderou os dois treinos livres da sexta-feira no circuito Albert Park e viu Webber ficar na segunda posição da última sessão do dia. Na primeira sessão, o piloto da casa foi o quinto colocado.

“Não estamos extremamente animados, não sabemos com quanto combustível cada um estava a rodar hoje (ontem)”, disse Mark Webber.
Sebastian Vettel comemorou por ter andado sem problemas no primeiro dia da época da categoria, mas alertou que as mudanças climáticas em Melbourne podem ter efeito no rendimento dos carros. “O tempo pode mudar um pouco amanhã (hoje) e, como não podemos prever o quanto isso vai afectar o balanço do carro e os pneus, pois precisamos estar atentos para fazer as mudanças”, disse. O GP da Austrália acontece amanhã, às 7 h00 de Angola.


DEPOIS DOS TREINOS

Mercedes comemora desempenho


Os dois pilotos da Mercedes tiveram ontem problemas no fim dos treinos livres para o Grande Prémio da Austrália de Fórmula 1, mas comemoraram o desempenho do carro. Após bom rendimento nos testes de pré-época, a equipa conseguiu confirmar a boa fase e colocar os seus competidores entres os primeiros posicionados em Melbourne. Nico Rosberg, que ficou parado na pista por causa de um problema na caixa de velocidades, encerrou o dia na terceira posição, atrás apenas de Sebastian Vettel e Mark Webber, da Red Bull. O alemão disse que o dia foi interessante, mas há muitas coisas novas para aprender com o carro. O progresso constatado no programa de testes da Mercedes e a superação dos níveis competitivos do ano passado deixa-os “felizes”.

Quanto ao problema no carro, Rosberg afirmou que “as coisas acontecem” e não os afecta nos testes qualificativos marcados para hoje no circuito Albert Park. O britânico Lewis Hamilton, que faz a sua época de estreia na Mercedes, após seis anos a correr pela McLaren, exaltou o trabalho feito pela equipa no desenvolvimento do carro após a frustração vivida em 2012. Hamilton afirmou que “o dia foi bom e talvez não o mais suave”, mas está feliz com o nível competitivo e ver o colega Nico em terceiro lugar demonstra que estão bem. “Isso é um reflexo do grande trabalho feito na fábrica e estou ansioso para o resto da prova de domingo”, disse esperançoso.


DIFICULDADES

Início complicado
para a McLaren


Os primeiros treinos livres para o Grande Prémio da Austrália, prova inaugural do calendário da Fórmula 1 em 2013, demonstraram que a McLaren vai ter um início de época complicado. Jenson Button e Sergio Pérez estiveram longe do ritmo dos ponteiros e a equipa já admite que vai ter dificuldades. Na sessão inicial em Melbourne, Jenson Button foi nono classificado, dois postos à frente de Pérez. No segundo treino do dia, o britânico foi apenas o 11º da tabela de tempos, de novo duas posições à frente do seu novo companheiro de equipa. Na avaliação do desempenho da equipa, o director desportivo, Sam Michael, disse que “em definitivo” não estão onde deviam estar neste momento.

“Fizemos algumas mudanças no carro durante o inverno e ainda acreditamos que vão ser boas para o decorrer da época. Mas temos de melhorar algumas áreas que já sabemos não estarem tão bem”, disse. Ao tomar a decisão de fazer as mudanças, segundo o funcionário da McLaren, a equipa pensou mais na evolução do carro durante as 19 corridas da época do que no rendimento do veículo para a prova de Melbourne. “A intenção era ter um carro vencedor já em Melbourne, mas mesmo que não tenhamos, ao menos, durante a época, oferece um potencial de desenvolvimento muito maior”, disse.


FORCE INDIA
Adrian Sutil
feliz no regresso


Após uma época fora da grelha da Fórmula 1, o alemão Adrian Sutil fez ontem o seu regresso oficial à categoria com os treinos livres para o Grande Prémio da Austrália, prova que abre o calendário de 2013. No seu primeiro dia de novo como piloto da Force India, disse estar satisfeito com o desempenho do carro. Sutil mostrou que o ano em que esteve afastado da F-1 teve pouco efeito negativo na sua técnica e encerrou o dia na nona posição com o tempo de 1min27s435. Sutil disse que se sente “muito satisfeito” e a configuração do carro não estava muito longe daquilo que precisavam, bem como a sua performance era parecida com a do último teste em Barcelona. “Senti-me bem no carro durante todo o dia e gostei de trabalhar com os meus engenheiros, que já conhecia muito bem”, afirmou o alemão. Sutil pilotou pela Force India entre 2008 e 2011, mas foi preterido por Nico Hulkenberg na formação da dupla de pilotos para a época passada. Como o seu compatriota assinou contrato com a Sauber para o Mundial de 2013, o experiente alemão voltou a ser contratado.


Carros mais rápidos e pesados
Novos regulamentos da Fórmula 1
vão trazer uma revolução em 2014


A temporada de 2013 é a última de uma era, antes de nova revolução nos regulamentos ameaçar baralhar de novo a Fórmula 1. Os últimos cinco anos mostraram que foi a Red Bull que melhor se adaptou, depois de um acidente regulamentar ter dado o título à Brawn, no ano zero da primeira revolução. Ao longo destas cinco épocas em que o desenho dos carros de Fórmula 1 se manteve quase inalterado (salvo alterações de pormenor que, em essência, visaram limitar o poderio demonstrado em pista pela Red Bull), foi esta equipa a voar mais alto do que todas as outras no que à interpretação dos regulamentos diz respeito, conquistando três dos últimos quatro títulos de marcas e pilotos.

Mas, mesmo assim, os carros que este fim-de-semana iniciam o campeonato, na Austrália, estão mais pesados do que os seus antecessores (ainda que apenas dois quilos), mais seguros, mas, também, mais rápidos. No entanto, grande parte do sucesso conseguido no cronómetro não se deve apenas ao aprimorar de linhas, sejam elas direitas ou travessas. Os pneus da Pirelli, que esta época são mais brandos e, por isso, de desgaste mais rápido, também contribuem com meio segundo no 1,5s de ganho que os pilotos têm sentido, em média. Alonso, por exemplo, foi 1,8s mais rápido em Montmeló do que no ano passado. O que parece certo, sobretudo nas primeiras corridas, é que vai haver mais ultrapassagens mas, também, mais paragens nas boxes. Sendo os carros mais pesados e mais eficientes em termos aerodinâmicos (a nível de motor, poucas evoluções houve, pois as equipas já pensam no próximo ano) e os pneus mais macios, o desgaste é ainda maior e imprevisível.