Jornal dos Desportos

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Vettel parte como favorito

04 de Outubro, 2013

Sebastian Vettel pode cimentar a liderança do Mundial de Pilotos de Fórmula 1 quando competir na Coreia do Sul

Fotografia: AFP

Com 60 pontos de vantagem sobre Fernando Alonso, actual vice-líder do Mundial de Fórmula 1, o alemão Sebastian Vettel chegará ao Grande Prémio da Coreia do Sul, marcado para o próximo dia 6 de Outubro, mais uma vez como favorito para dar um novo passo rumo ao tetracampeonato da categoria.

Vencedor da prova sul-coreana no ano passado, o piloto da Red Bull-Renault enfatizou que considera o traçado da pista de Yeongam “um pouco incomum”. “As longas rectas vêm todas no início e as curvas no fim. Eu adoro a parte curvilínea porque é muito mais divertida, enquanto as rectas e as curvas fechadas podem ser um pouco chatas”, afirmou.

Sebastian Vettel também enfatizou que este primeiro trecho do circuito, considerado menos atractivo para ele, pode ser visto como um ponto de “fraqueza” para a Red Bull-Renault porque neste ponto da pista “muitas vezes o carro não tem como atingir a sua velocidade máxima”.

Já o australiano Mark Webber, colega do piloto alemão na Red Bull-Renault, fez mais elogios ao circuito sul-coreano, embora não tenha maiores objectivos na Fórmula 1 e esteja prestes a deixar a categoria, o que ocorrerá no final desta temporada. “Eu gosto do traçado do circuito da Coreia. A pista tem alguns trechos desafiadores e algumas boas curvas. O último sector, em particular, é divertido porque tem um fluxo legal e os muros estão muito próximos, então você tem de ser muito preciso”, explicou.

Por outro lado, Lewis Hamilton e Nico Rosberg, que pela Mercedes acumulam três vitórias (uma do inglês e duas do alemão) nesta temporada da Fórmula 1, mostraram-se entusiasmados ao falar sobre o circuito de Yeongam, palco da 14ª etapa do Mundial, o Grande Prémio da Coreia do Sul. Os dois pilotos fizeram elogios à pista sul-coreana e estão confiantes que poderão fazer uma boa corrida neste domingo.

“Estou ansioso para voltar à Coreia nesta semana e correr novamente. Tive um par de bons resultados no circuito sul-coreano nos últimos três anos e gosto do seu traçado. É uma boa pista de corrida, com lugares em que você pode atacar para ultrapassar, o que o torna um bom desafio para os pilotos”, afirmou Lewis Hamilton, actual terceiro classificado do campeonato, com 151 pontos, apenas dois à frente de Kimi Raikkonen, da Lotus-Renault.

O inglês também destacou a importância de a Mercedes melhorar o seu desempenho na qualificação para a grelha de partida, para ter “a melhor oportunidade possível na corrida” e conseguir um “fim-de-semana forte na Coreia”.

Nico Rosberg, por sua vez, disse: “Gosto muito do traçado do circuito da Coreia. Tem uma boa combinação de longas rectas onde há condições ideais para as ultrapassagens. Há também um sector de fluxo muito rápido com muitas curvas, que representa um grande desafio de pilotagem. Espero poder conquistar um resultado forte na Coreia para melhorar a nossa posição no campeonato e todos nós estaremos a trabalhar muito duro para alcançar isso”, afirmou o alemão, actual sexto classificado do Mundial de Pilotos pela Mercedes, que está apenas a sete pontos atrás da vice-líder Ferrari no Mundial de Construtores.

Próxima época
Felipe Massa critica calendário


O brasileiro Filipe Massa disputa a sua 11ª temporada na Fórmula 1 e é um dos pilotos que tem a experiência necessária para falar sobre a principal categoria do automobilismo mundial.

Mesmo sem saber se continuará na competição em 2014, o brasileiro criticou, nesta quinta-feira, o calendário provisório do próximo ano, que foi divulgado pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) na última semana.

“É muita coisa para pensar, porque realmente é desconfortável, não apenas para nós como pilotos, mas para as equipas. Com um raciocínio pouco melhor, acho que dá para fazer um calendário bem melhor para o ano que vem”, declarou o piloto.

De acordo com o cronograma apresentado, a temporada de 2014 terá 22 corridas, um recorde para a Fórmula 1. Em relação ao calendário deste ano, a competição também começará com o Grande Prémio da Austrália, no dia 16 de Março, e terminará no Brasil, no dia 30 de Novembro.

Para Felipe Massa, o aumento no número de provas não é o principal motivo de reclamações de outros pilotos e equipas. Segundo ele, o que atrapalhará será a logística, já que todos precisarão de fazer grandes viagens para chegarem a tempo de disputar as corridas do apertado calendário.

“O problema é que você vai para o Japão, volta para a Europa e depois volta aqui. Podem fazer-se muitas corridas, isso não é um problema, mas é necessário fazer de um jeito melhor”, declarou o piloto brasileiro.

A respeito de seu futuro na Fórmula 1, Felipe Massa não esconde que mantém contacto com algumas equipas, mas deixa claro que só continuará na categoria se for para uma equipa competitiva.

“Acho que o momento certo para falar sobre isso vai ser quando se sabe para onde vai. Há algumas oportunidades. Estou muito optimista de que arranjaremos uma boa solução. Quero um carro que me dê possibilidades de lutar. Se não tiver isso, não estou interessado”, assegurou.


ABANDONA EM 2014

Webber defende
pilotos talentosos


Desde 2002 na Fórmula 1, o australiano Mark Webber vai deixar a principal categoria do automobilismo mundial no ano que vem e irá rumar para a Porsche, no Mundial de Resistência (WEC).

De acordo com Mark Webber, a chegada dos pilotos pagantes à Fórmula 1, nos últimos anos, tem afastado os pilotos talentosos e, além disso, aumenta a diferença entre os pilotos de ponta e a nova geração.

“A Fórmula 1 precisa de continuar a atrair os pilotos talentosos e esses jovens, cujos países sediam uma corrida ou tenham algum Governo a ajudar ou grandes empresas comerciais por trás dispostas a gastar cinco, oito, dez milhões de dólares, seja lá quanto for, não está certo”, declarou Mark Webber, em entrevista à televisão Sky Sports, da Grã-Bretanha.

Além de falar sobre o assunto, o piloto da Austrália também fez questão de elogiar Valtteri Bottas, da Williams-Renault que, segundo ele, é um dos pilotos talentosos da nova geração.

“Eu acho Bottas muito bom. Ele tem feito um bom trabalho num carro difícil, mas, no geral, nós precisamos de ser cautelosos para não termos um vácuo entre os pilotos de ponta e os jovens que estão a surgir. Nós precisamos disso para o desporto”, disse.

Mark Webber também aproveitou para tecer críticas ao actual calendário da categoria. Segundo o veterano, a Fórmula 1 precisa de priorizar as provas em circuitos tradicionais em vez de levar as corridas para locais onde há pouco público. “Acho que manter a qualidade dos eventos é importante. Na Coreia do Sul, não há ninguém. Nós precisamos de eventos de qualidade, com pilotos de qualidade e equipas de qualidade para continuarmos”, enfatizou.


Finlandês Kimi Raikkonen
é rei das ultrapassagens


Na presente edição da Formula 1, há um piloto que é o rei das ultrapassagens. Kimi Raikkonen é um “ás” ao volante e já o demonstrou em diversas ocasiões.

O piloto, que na próxima temporada será colega de Fernando Alonso na Ferrari, tem feito grandes corridas, de trás para a frente, levando o seu Lotus-Renault a pódios onde menos se esperava.

No “ranking” das ultrapassagens, o piloto finlandês lidera com 46, mais um que Felipe Massa da Ferrari e Mark Webber da Red Bull-Renault.

Os números dos três pilotos são também explicados pelo facto de nem sempre conseguirem os lugares cimeiros nas últimas sessões de classificação. Com melhores carros, Mark Webber e Felipe Massa, que estão a ter uma época para esquecer, quando comparados com os seus colegas de equipa, conseguem facilmente passar pelos pilotos mais lentos das equipas menos poderosas.

Entre os três primeiros classificados do Mundial de Pilotos, Lewis Hamilton, 3º colocado, é o que mais ultrapassa na edição actual da Fórmula 1, num total de 41 ultrapassagens, seguido de Fernando Alonso, segundo no Mundial de pilotos. Sebastian Vettel apenas fez 16 ultrapassagens, mas isso explica-se pelo facto de andar sempre ou quase sempre na frente das corridas.
Entre os pilotos de equipas “pequenas” o destaque vai para o francês Jean-Eric Vergne, da Toro Rosso-Ferrari, com 29 manobras de ultrapassagem.


Pilotos e ultrapassagens
1. Kimi Raikkonen - 46 ultrapassagens
2. Felipe Massa e Mark Webber - 45
4. Lewis Hamilton - 41
5. Fernando Alonso - 34
6. Jean-Eric Vergne - 29
7. Romain Grosjean,
8. Adrian Sutil,
9. Nico Hulkenberg - 27
10. Paul di Resta- 26
11. Valtteri Bottas - 25
12. Daniel Ricardo - 24
13. Nico Rosberg - 21
14. Sergio Pérez- 19
15. Charles Pic- 19
16. Esteban Gutiérrez
17. Pastor Maldonado -17
18. Sebastian Vettel, Jenson Button -16
20. Guido van der Garde -11
21. Max Chilton- 7
22. Jules Bianchi - 5


DOMINGO
Chuva e tufão em Yeongam


O Grande Prémio da Coreia do Sul poderá ser afectado pelo tufão Doraji, que deverá passar pelo Estreito da Coreia, na zona sul do país, durante o fim-de-semana.

Tudo indica que teremos chuva forte no Circuito de Yeongam, o que deverá afectar a corrida, tal como aconteceu em 2010, quando o início da prova foi atrasado com o “safety-car” a manter-se em pista nas primeiras voltas da corrida.

Se, com chuva, já se prevê uma corrida emotiva, melhor irá ficar com a criação de uma segunda zona de DRS, o que irá aumentar ainda mais as ultrapassagens.

A primeira zona de detecção do DRS, a que sempre existiu, estará colocada entre as curvas 2 e 3 do Circuito de Yeongam, ao passo que a segunda zona será na recta das boxes, logo após a curva 15.

A corrida está marcada para este domingo, às 7 da manhã. No sábado, às 06h00, realiza-se a qualificação. No ano passado a prova foi ganha por Sebastian Vettel, ao volante de um Red Bull-Renault.


Sebastian Vettel ameaça
recordes de Ayrton Senna


Sebastian Vettel era um menino de seis anos de idade quando o tricampeão de Fórmula 1 Ayrton Senna teve um acidente e morreu no Grande Prémio de San Marino de 1994.

Quase duas décadas depois, o precoce alemão ameaça as maiores marcas do piloto brasileiro. E não é errado dizer que é apenas uma questão de tempo para superá-las. Virtual tetracampeão, resta agora ao piloto alemão em 2013 aumentar a sua colecção de recordes, começando nesta semana, na Coreia do Sul.

Ainda restam seis provas do Mundial de 2013. Depois de três triunfos, Sebastian Vettel é favorito para continuar a ocupar o lugar mais alto do pódio até ao fim da temporada.


PILOTO FRANCÊS
Jules Bianchi continua na Marussia


O piloto francês Jules Bianchi vai continuar na equipa de Fórmula 1 Marussia-Cosworth, anunciou ontem a equipa anglo-russa à margem do Grande Prémio da Coreia do Sul, que se disputa domingo no circuito de Yeongam.

Na sua época de estreia na Fórmula 1, o jovem francês - antigo piloto de testes da Ferrari e da Force India - conseguiu o melhor resultado da equipa, um 13º lugar no Grande Prémio da Malásia.

“Sinto-me muito bem nesta equipa e estou muito confiante para 2014, porque já terei mais experiência na Fórmula 1, já terei feito os testes de Inverno e teremos motores Ferrari, o que será óptimo para o nosso carro e a nossa equipa”, declarou Jules Bianchi na habitual conferência de imprensa de antevisão do Grande Prémio.

A Marussia, que em 2014 contará com motores Ferrari, está em luta com a Caterham-Renault pelo 10º lugar no Mundial de Construtores, o que representaria receitas suplementares no final do ano.


Alonso indiferente
à ilegalidade dos RB


Um mistério tomou conta do Mundial de F1, mas Fernando Alonso não quer contribuir para o alimentar, mesmo que este pudesse beneficiar a Ferrari e prejudicar a Red Bull-Renault. O problema diz mesmo respeito à Red Bull-Renault, mais concretamente ao RB9 de Sebastian Vettel, que produz um som distinto, que “soa” a ilegalidade, sobretudo, se se atentar ao que sucedeu em Singapura.

Tudo começou devido a comentários de Giancarlo Minardi, após ter assistido à corrida nas bancadas. O antigo director geral da extinta equipa Minardi escreveu uma análise com o seguinte título: “Singapura: O que está debaixo do chapéu mágico de Newey e Vettel?”

“O facto dos Red Bull fazerem um barulho diferente de outros carros não quer dizer nada. Isso já acontece desde o primeiro teste em Barcelona, em Fevereiro”, relativizou o espanhol da Ferrari, explicando mesmo o que poderá ter sucedido em Singapura:

“Se o barulho era mais perceptível é porque se trata de um circuito urbano e a proximidade dos prédios amplifica o ruído”, escreveu. O problema, advogam os profetas da conspiração, é que a proximidade dos prédios funciona tanto para os Red Bull como para os outros.

A revista italiana “Autosprint” arrisca a existência de um sistema de controlo de tracção no RB9, justificando que o ruído, anormal, acontece a meio da curva, como pode constatar no vídeo que apresentamos. Resta recordar que um sistema desse tipo é irregular.

“O carro é perfeitamente legal, talvez com algo de diferente incorporado e cabe-nos tentar melhorar e ficar mais perto deles. Eles passaram por verificações técnicas no sábado e domingo, assim, estou tranquilo em relação a isso”, encerrou Alonso, na chegada à Coreia do Sul, onde no próximo fim-de-semana tem lugar o próximo GP do calendário.


Morte de Senna assombra Newey


Actualmente na Red Bull, o projectista Adrian Newey tem muitos motivos para comemorar a liderança de pilotos e de construtores, mas não esqueceu acontecimentos importantes e tristes do passado. Em entrevista à emissora BBC, Adrian Newey revelou que a morte de Ayrton Senna, em 1994, é um episódio que deixa dúvidas na sua cabeça. Quase 20 anos depois, afirmou que não sabe o que aconteceu no acidente com o brasileiro.

“O que aconteceu naquele dia, o que causou o acidente, ainda me assombra até hoje. A causa foi a quebra da barra de direcção ou foi um acidente?”, questiona o projectista. Campeão com a McLaren em 1988, 1990 e 1991, Ayrton Senna foi para a Williams em 1994 em busca de melhores condições, depois de perder o título da época nos dois anos anteriores. Para Newey, não ter correspondido às expectativas do piloto é uma das suas maiores frustrações.

“Havia uma aura sobre ele, algo difícil de descrever. Com certeza, tinha presença. Uma coisa que sempre vai assombrar-me é a razão da sua presença na Williams: tínhamos feito carros bons nos últimos três anos e queria estar na equipa que pensava ter construído o melhor carro. Infelizmente, o carro de 1994 não era bom”, disse. Senna morreu no dia 1 de Maio de 1994, no GP de San Marino, a sua terceira prova do ano. Nas outras duas primeiras corridas, o fraco desempenho da equipa também já era constatado e o brasileiro nem as completou. Ao longo do ano, a Williams recuperou e conquistou o Mundial de Construtores, reacção que também é lembrada pelo projectista.

“Ayrton tinha talento puro e determinação, tentava levar aquele carro adiante e fazer coisas que não era capaz. É muito injusto que ele já não estivesse connosco quando corrigimos o carro”, concluiu.