Jornal dos Desportos

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Modalidades

Viegas quer novos modelos de disputa

Gaud?ncio Hamalay, no Lubango - 26 de Dezembro, 2016

Dionísio Viegas procura atrair patrocinadores para o hóquei em patins

Fotografia: AFP

A alteração do modelo de competição do campeonato nacional sénior é uma das apostas do candidato da lista A, Dionísio Viegas, à presidência da Federação Angolana de Patinagem, caso vença as eleições marcadas para o próximo dia 29 do corrente mês, em Luanda para o ciclo olímpico 2016-2020.

Dionísio Viegas sustentou que a lista que encabeça desenhou um modelo de disputa que visa separar os escalões de formação aos seniores para dar maior competitividade às equipas de diversas províncias e evitar que haja injustiça desportiva.

“Pensamos que nesta primeira fase é produtivo manter como está na categoria de formação: campeonatos disputados de forma concentrada durante 10, 15 ou 20 dias incluindo os juniores. Mas no que toca aos seniores, vamos mudar o modelo da realização dos campeonatos para evitar aquilo que considero injustiça desportiva”, justificou.

A mudança do actual molde de disputa dos escalões seniores para um campeonato longo vai proporcionar maior verdade desportiva e evitar que alguns jogadores actuem em dois campeonatos numa só época, segundo Dionísio.”Por exemplo, vamos supor que haja jogadores que jogam em Espanha ou Portugal e vêm em Angola para fazer 15 ou 20 dias e jogar numa outra equipa sem apresentar nenhum certificado internacional que permita que jogue lá fora.

Não é justo, por exemplo, uma equipa que trabalha o ano inteiro em Angola enfrente outra equipa que receba dois ou três elementos que desequilibram o campeonato e ganha o título”, fundamentou.

Dionísio Viegas justificou que um campeonato longo vai evitar a mentira desportiva. Acrescentou que mantém os jovens numa actividade contínua e os clubes não se sentem defraudados, porque têm de pagar salários aos escalões seniores durante seis meses sem fazerem nada. “Em termos competitivos, achamos que não é o mais correcto”, frisou.

O candidato da lista A diz não aceitar que, até ao momento, os modelos dos campeonatos nacionais sejam os mesmos que existiam há anos em que os clubes chegam a ficar seis meses sem competir e depois fazem a abertura, o provincial, nacional e a Taça de Angola noutros seis meses.
Considerou um campeonato nacional concentrado de 20 dias “um massacre" que se faz aos atletas por despenderem muita energia, além de que as equipas permaneçam um longo tempo no local da competição.

Explicou que, muita vezes, as equipas não conseguem levar todos os elementos por integrar alguns trabalhadores (não são dispensados), outros estudam e não podem abandonar as universidades. Daí, defendeu a realização de um campeonato a exemplo do que já se faz no basquetebol e noutras modalidades.

Destacou que no futebol e no basquetebol o modelo já é implementado há muitos anos. “Sei que isso se faz. É um campeonato passado e de meses. Por exemplo, a Huíla participa do campeonato com 10 clubes. Sendo a única local, deve deslocar-se a Luanda um número de vezes em relação à quantidade de equipas da capital e vai sair de Lubango nove vezes para ir também a Benguela e Namibe. Por sua vez, vai jogar nove vezes localmente diante do seu público", aclarou.

Este molde de disputa, argumentou o candidato da lista A, vai permitir que os clubes de outras províncias venham jogar no Lubango. Isso faz com que a província ganhe, porque vão ter a oportunidade de ver evoluir grandes equipas de muito bom hóquei. Assegurou que os próprios patrocinadores da Huíla que apoiam as equipas locais vão ficar contentes por verem as suas marcas ir em todas as províncias e também serão mais vistas internamente.

CANDIDATO DA LISTA A
União da “família” constitui trunfo 

Dionísio Luís de Almeida Viegas, candidato à presidência da Federação Angolana de Patinagem para o novo ciclo olímpico, sublinhou no Lubango, que a principal linha de força para convencer o eleitorado e vencer o pleito assenta-se na união da família hoquista e da patinagem no geral. Justificou que, no futuro, tenciona que se fale também da patinagem já que actualmente somente se fala de hóquei em patins.

Disse que um dos grandes problemas identificados pela sua lista consistem na falta de união entre a família da modalidade. “Estamos divididos”, disse. Admitiu existir muita gente que abandonou a modalidade devido ao curso que o hóquei em patins teve nos últimos anos. Por esta razão, definiu algumas etapas muito importantes que passam em trabalhar forte na organização, reorganização da Federação e estar mais perto dos associados.

“Se conseguirmos trabalhar de perto com as associações provinciais para que possam também trabalhar com os clubes, então fazemos uma cadeia entre a Federação, Associações e clubes. E, se assim for, podemos alcançar bons resultados. Daí que, temos de motivar a família de hóquei em patins”, realçou.

Indicou que a Federação tem como objectivo várias acções que passam pela massificação. Porém esta actividade toda tem sido feita de uma forma não adequada. Avançou que a forma como tem sido as competições, a atenção dada aos actores, entre outros conjuntos de
acções menos transparentes, têm de ser implementados numa maneira mais concreta.

“Estão identificadas as formas para se atingirem estes objectivos. Não importa aqui realçar porque são várias, mas se trabalharmos na base que identificamos, cuja principal é a união e motivação da família, vamos obter, de certeza, os resultados que nos propusemos”, destacou. O candidato da lista A e a sua equipa identificaram quatro pilares principais: a organização, seriedade, transparência e responsabilidade. Dionísio Viegas defende que quem vai gerir uma organização tem de estar intrinsecamente ligado.

“Mas infelizmente, nessa fase, temos mesmo de falar disso: mudar a forma como tem sido feita a modalidade. Se verem, houve a organização do campeonato mundial de hóquei em patins em 2013. Todos pensávamos que serviria para catapultar a modalidade para outros patamares. Infelizmente, funcionou no inverso”, criticou.

Dionísio Viegas disse, no Lubango, aquando da apresentação do compromisso de candidatura aos clubes votantes, não perceber do porquê é que os actores de hóquei em patins foram todos postos de lado mesmo depois do mundial, assim como o ganho que os clubes e associações obtiveram com a realização do evento em Angola.

“Não consegui perceber o porquê é que os actores de hóquei em patins foram todos postos de lado e, mesmo deste acto, o que é que os clubes e as associações ganharam em si com esse campeonato do mundo. Portanto, é quase nada”, apontou o dedo.


ELIMINATÓRIAS
Candidato da lista A
aposta na revitalização


Incentivar a criação de escolas de patinagem nos municípios, distritos e bairros das províncias do país, onde a modalidade tem grande expressão, constam igualmente dos pontos de acção do candidato da lista A que aposta na revitalização do hóquei em patins no interior de Angola.

Criar, identificar e promover programas de formação contínua para treinadores, monitores, árbitros e dirigentes, assim como a massificação de outras disciplinas da patinagem com destaque para as corridas de patins, patinagem artística, gincana e freestyle são outros pontos constantes do programa gizado pelo projecto de candidatura de Dionísio Viegas.

Se ganhar as eleições na Federação de patinagem, contou que o seu programa de acção para os próximos quatro anos está bem especificado que consiste em dar, num primeiro tempo, mais ênfase às províncias que já têm hóquei em patins e praticam de forma consistente. Sublinhou reforçar e trabalhar para que aquelas praças que são consideradas emergentes, tal como a Huíla, sejam melhoradas. Prognosticou que o hóquei em patins praticado na Huíla seja enquadrado ao nível do hóquei praticado em Benguela e Namíbe.

Revelou espanto existir outras praças-fortes, como por exemplo Huambo, aparecer com uma massa votante constituída apenas por uma associação e dois clubes. Na sua deslocação ao planalto central, vai tentar perceber como está a organização nesse momento, apesar de lá estiver numa outra condição.

Após cumprir a agenda de trabalho na Huíla e Huambo, segue para a província do Bié que já teve algum brilho no hóquei em patins com a formação da União Petro do Bié. Lembrou que enquanto atleta disputou vários jogos com a União Petro do Bié, uma equipa muito aguerrida. “Vamos tentar voltar a que o Bié seja também tido e achado na patinagem e logicamente Malanje”, disse.

Afirmou que a província de Malanje, a par de Luanda e Namíbe, receberam um pavilhão em 2013. Por isso, é uma das províncias privilegiadas e reconheceu que não faz sentido, depois de receber um pavilhão com as características que tem, estar na situação actual. Salientou ser preocupante em Malanje aparecer como massa votante apenas a própria associação.

“Apenas uma associação. Isso nos preocupa enquanto uma lista que vai concorrer às eleições. Preocupa a nossa candidatura, porque é uma associação que a princípio deve votar. Mas vai votar o quê? A província vai votar em quem? Não há hóquei e não se desenvolve a modalidade.  É uma associação que vota sem clubes”, referiu.

A Lei regulamenta que as associações que não tenham três clubes não podem votar. A lista A pode tratar com a comissão eleitoral o cumprimento dessa directriz. Dionísio Viegas sublinhou não estar a dizer que sejam excluídas do processo hoquístico. “Não. Temos de reforçar e ajudar que essas províncias voltar a ter o hóquei em patins aos poucos e subir gradualmente. Não se pode subir de dia para noite. Isto tem de ser trabalhado”, frisou.

Declarou estar preocupado que Malanje vote. “Não é justo que uma província, onde não se pratica o hóquei em patins exerça o direito de voto”, afirmou Dionísio Viegas esclareceu que uma coisa é processo eleitoral e outra baseia-se na prática da modalidade. Garantiu que a lista A vai incentivar e estar com a associação para ajudar e tentar perceber porque a associação não se desenvolveu e parou a prática.
“Alguma razão deve ter havido para que a província de Malanje não tivesse progredido. Esse é um papel a fazer a posterior para quem ganhar”, assegurou. 
GAUDÊNCIO HAMELAY, NO LUBANGO