Jornal dos Desportos

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Vitória no mundial dedicada aos precursores da Independência

Álvaro Alexandre-Lobito - 04 de Abril, 2015

Angola soma agora três troféus na categoria o primeiro aconteceu em 2008 na África do Sul e o segundo no ano passado prova conquistada na República Federativa do Brasil

Fotografia: Jornal dos Desportos

O ministro da Juventude e Desportos, Gonçalves Muandumba, disse quinta-feira, em Luanda, que a vitória no 24º Campeonato do Mundo de Pesca Desportiva ao Corrico de Alto Mar tem um significado especial pelo contexto que ocorre, tendo-a dedicado aos precursores da Independência Nacional.

Em declarações à Angop, na Galeria dos Desportos, em Luanda, onde presidia à apresentação pública da conferência nacional sobre futebol, sublinhou também o contexto em que o feito ocorre, particularmente num ano de contenção e a cerca de um mês da perda de muitas vidas consequência das fortes chuvas ocorridas na cidade sede da competição. 
  
“Esta vitória é dedicada ao povo angolano. Aos precursores da luta pela independência nacional, aos que a conquistaram, aos jovens que defenderam a paz e construíram a democracia. Portanto, é uma vitória para todos”, declarou numa alusão aos 40 anos de país independente que Angola assinala no próximo dia 11 de Novembro.

“Devo dizer que, para esta competição, organizada num contexto de contenção financeira, tenho que prestar um grande tributo aos patrocinadores, aos voluntários, às forças da polícia nacional. À equipa de saúde, as autoridades de Benguela; ao Presidente da República, que é um homem do desporto, que deu toda a orientação para, apesar da contenção, o evento se realizar”.

Gonçalves Muandumba recordou que os atletas da pesca desportiva estão a cumprir um desafio lançado, tal como fez o andebol, que obteve recentemente a qualificação aos próximos jogos olímpicos.

“Apesar de ser um ano de contenção financeira, é um ano de desafios também, para mostrarmos a nossa capacidade, valentia e patriotismo e o nosso amor pela bandeira. E com isso, estamos todos animados e inspirados para vencer. Eles conseguiram mais uma prova de que somos capazes e vamos continuar a somar pontos ao nível do desporto, num dia em que estamos a falar de futebol, uma das grandes modalidades do país e do mundo inteiro”, declarou o ministro.

Em relação ao desporto e os 40 anos de país livre, o ministro explicou que o apelo aos agentes desportivos é que todos os eventos sejam dedicados à efeméride. Para tal, segundo o responsável, a maneira do desporto fazer este exercício tem de ser “obviamente” com vitórias.
 
Daí que considere que a conquista do Mundial do Lobito “tem um sabor muito especial porque foi conseguida com muito esforço”.

Recordou que foi uma última jornada tão disputada a ponto que só praticamente nos últimos 30 minutos da competição é que Angola foi declarada efectivamente vencedora.

“Portanto, é uma vitória de bom sabor. Um sabor à independência, à conquista, liberdade, democracia, à paz, e que nos inspira a continuarmos cada vez mais a investir no desporto, que nos traz alegrias, bem-estar e satisfação, traz emoções positivas.

“Sobretudo por ser no Lobito que teve esse desastre natural, essa tristeza que tivemos há sensivelmente 30 dias em que morreram quase cem pessoas em toda província, mais de 70 no Lobito, vítimas das chuvas. É também uma homenagem a essas pessoas. É ainda um reconhecimento à população que com a sua presença deu todo calor a selecção nacional para vencermos”, declarou.

Angola soma agora três troféus na categoria. O primeiro aconteceu em 2008, na África do Sul e o segundo no ano passado no Brasil.


RECONHECIMENTO

Organização do Mundial  elogiada por lobitangas


A organização entre os dias 28 de Março e 02 de Abril da 24ª edição do Mundial de Pesca Desportiva de Alto Mar de 2015, pela primeira vez no país, foi quinta-feira enaltecida por cidadãos angolanos residentes na cidade do Lobito, que acolheu a prova onde a anfitriã Angola revalidou o título de campeã.

Em declarações à Angop, os lobitangas consideraram que a realização da competição evidência o desenvolvimento da província de Benguela e veio em boa hora para o Lobito, que se refaz da tragédia pelas 71 mortes em decorrência das fortes chuvas de 11 de Março.

Neste contexto, os munícipes adiantaram que durante os três dias de pesca foi verificada relativa “calmia” climatérica, apesar dos alertas emitidos pelos serviços meteorológicos que apontavam a possibilidade de chuvas acima do normal, com incidência nos mares do Lobito onde as equipas disputaram.

Para o empresário Henrique Sprota, "é chegado o momento para o povo do Lobito deixar o luto para trás e resgatar a alegria e, nesse aspecto, o campeonato do mundo de pesca desportivo veio incentivar a municipalidade a voltar aos poucos à vida normal".

“Desde a chegada das selecções à cidade do lobito, nota-se no semblante de cada munícipe alegria, satisfação e a boa vontade na recepção calorosa aos visitantes”, salientou, antes de elogiar a capacidade técnica da selecção de Angola, elemento determinante para a vitória na final.

Já o estudante universitário Ângelo Martinho disse sentir-se animado com o movimento da cidade do Lobito desde os preparativos da prova, esperando que os pescadores vindos de outras partes do mundo tenham gostado do mar de Angola e em particular dessa cidade ferro-portuária em termos de turismo.

Segundo o estudante, a expectativa é de que esta prova desperte nos jovens o desejo de praticarem esta modalidade desportiva, que já conseguiu alcançar patamares que fazem com que os angolanos disputem com os melhores do mundo.

CLASSIFICAÇÃO FINAL

Pos      País               Medalha       Pontos


1.      Angola B            Ouro              8

2.    África do Sul         Prata             12

3.    Itália B                Bronze            12

4.    México B                                   13

5.    Angola A                                   21

6.    Brasil B                                     23

7.    Brasil A                                     23

8.   Espanha B                                  23

9.   Itália A                                       26

10. Senegal B                                   31

11. Alemanha                                   31

12. México A                                     31

13. Espanha A                                   31

14. Senegal                                       33

15. Croácia                                        36


CONQUISTA
Angola confirma favoritismo


A Baía do Lobito, na província de Benguela, apadrinhou na quinta-feira a Selecção Nacional com um valioso brinde, o título de campeão mundial de pesca desportiva. Angola organizou um certame que contou com a presença de nove países e foram capturados 281 exemplares em três dias de competição.

Angola espelhou os seus dotes no mundial com duas equipas. Estrategicamente o técnico Fernando Duarte barrou todas as vias de acesso com experientes pescadores, alguns deles com veia de campeão, destacando-se o Rafael Brigham, Kevin Jongschaap e Nuno Abohbot.

Os angolanos tiveram um arranque desastroso. Tanto a “A” e “B” não tiveram uma jornada em capturas. A equipa B, vencedora do título, ficou em quarto e a A em décimo primeiro lugar.  A construção efectiva da conquista do troféu começou na segunda ronda, onde ficamos em primeiro lugar e segundo na classificação geral com 5 pontos.

 No terceiro dia foi dedicado ao controlo das movimentações pesqueira dos principais adversários. Na última ficamos em terceiro, uma posição que foi suficiente para garantirmos o terceiro título mundial. O troféu foi conquistado em 2008, na África do Sul, o segundo foi em 2014, no Brasil e o recente foi no Lobito (Angola).

Angola domina a competição com três taças conquistadas e o segundo colocado é o Senegal com dois título. A próxima edição, em 2016, será albergada pelo México, terceiro classificado do campeonato do Lobito.


REVELAÇÃO

Disciplina táctica chave do sucesso


O capitão da Selecção Nacional, Rogério Matos, considerou ontem, na cidade do Lobito que a revalidação do título do Campeonato do Mundo de Pesca Desportiva de 2015 foi possível graça a coesão, disciplina táctica e a crença vencedora conservada no grupo.

Rogério Matos disse que foram imperdoável com os exemplares de bico. “Todo bico que cruzou as nossas linhas de combate não teve hipótese. Foi capturado e contribuiu para nossa segunda vitória consecutiva e terceira no geral. Procuramos cometer menos erros e foi um dos elementos do nosso sucesso”, afirmou.

O capitão da Selecção Nacional não escondeu a satisfação de ser um dos obreiros da vitória angolana. “Sou um homem feliz.

Dediquei-me com todas forças possível e a recompensa recebida tem um valor incalculável. Não devo esquecer os bravos pescadores da Selecção Nacional, dentro do espírito de união, conseguirão transformar o conjunto de trabalho desenvolvido em título de campeão mundial”, disse.

O braço direito do seleccionador nacional, Fernando Duarte, já faz planos do próximo compromisso. “A próxima semana deslocou-me para a Costa Rica. Vou participar no Campeonato do Mundo por equipas com o Team Náutico. Sempre com o pensamento de dar carga. Em 2016 no México lá estarei para mostrar ao mundo que ganhamos competições em todos os lugares”,  concluiu.

MUNDIAL EXEMPLAR

O vice presidente da Federação Internacional de Pesca Desportiva (FIPS-M), Wahid Harati, aprovou sem reservas o nível de organização da 24ª edição do Campeonato Mundo de Pesca Desportiva, disputado de 28 de Marco a 4 do corrente mês, na cidade do Lobito, província de Benguela.

O dirigente da FIPS-M disse que deixa Angola com excelentes lembranças. “Os angolanos demonstram que são bons hospedes. A competição decorreu da melhor forma. Houve total isenção, as selecções que estiveram presente na competição não queixaram-se em nada. Significa que Angola está no bom caminho e estão por isso, de parabéns”, disse.

Wahid Harati afirmou que o sucesso da prova teve muito a ver com o grande desempenho dos tripulantes que apoiaram com as suas embarcações as selecções. “Angola apresentou neste Campeonato os melhores Skippers (tripulantes) e Mates (auxiliares dos tripulantes) do mundo. Foi um campeonato limpo. Os Skippers mantiveram as selecções sempre em cima do peixe, com mais sorte ou menos sorte”, reconheceu.

O brasileiro Glauco Marinho disse que não esperava uma recepção tão caloroso. “Os angolanos causara-me uma grande surpresa. Constatei uma realidade muito diferente. É um povo acolhedor”, avançou.
 Álvaro Alexandre, no Lobito