Jornal dos Desportos

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Vuty defende necessidade de espaos

Helder Jeremias - 12 de Dezembro, 2019

O motociclista angolano da categoria AGP 600, Hélder Coelho \"Vuty\", disse ontem, em Luanda, que a filiação de Angola junto da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e da sua parceira, Federação Internacional de Motociclismo (FIM), não terá o efeito desejado enquanto persistir a inexistência de infra-estruturas, para a massificação dos desportos motorizados no território nacional.
Em declarações ao Jornal dos Desportos, o angolano, com passagem por várias categorias do motociclismo, foi peremptório em dizer que a Federação Angolana de Desportos Motorizados fez um trabalho incrível, ao colocar o país entre as nações que gozam de reconhecimento das estruturas mundiais que regem os desportos mecanizados, mas sublinhou que, caso este facto não for seguido de outras acções práticas, significa que \"estamos a colocar a carroça em frente dos bois\", pois, em sua opinião \"de nada vale estar filiado em organizações mundiais, se as condições no país continuarem no estado em que se encontram na actualidade\".
Vuty toma como exemplo o facto do Autódromo Permanente de Belas, na qualidade de principal circuito existente no território nacional, ter sido alienado para uma entidade que nada tem a ver com os desportos motorizados, pelo simples facto do terreno em que está localizado ter sido comprado pala pessoa que, nos dias de hoje, cobra valores para a realização de qualquer prova, mesmo que as condições da pista vão se degradando a cada dia que passa, sobe o seu olhar impávido e sereno.
Com um percurso que tem como registos passagem pelo motocross, categoria em que apesar de nunca obter o título provincial de Luanda, arrebatou diversos troféus, tendo arrebatado títulos no Campeonato Angolano de Supermoto e no Campeonato Angolano de Rali, Vuty considera-se um jovem em fim de carreira desportiva, mas garante a sua disponibilidade em continuar a trabalhar em prol do desenvolvimento do desporto nacional, de forma que as novas gerações possam desfrutar de melhores condições, para conquistarem um espaço na arena internacional.
A vedeta do motociclismo apela as associações provinciais, a trabalharem no sentido de terem espaços para a construção de novos circuitos, para que os jovens talentosos possam praticar de forma desinibida, uma vez que muitos deles têm que utilizar a via pública para colocar em prova as suas habilidades, algo que pode, de certa forma, colocar em risco a sua vida e perturbar o trânsito com o barulho e a forma desregrada com que pessoas inexperientes actuam dentro das localidades.
\"Foi um grande passo dado pela Federação Angolana de Desportos Motorizados e aproveito, desde logo, para saudar o grande esforço gizado pela direcção, em particular o Ramiro Barreira e seus directos colaboradores. Esta conquista pode representar um grande alento para a nova geração de desportistas, mas é necessário que não fiquemos por aí, ou seja, temos que ver, com urgência, a questão dos circuitos, porque se assim não for estamos a colocar a carroça em frente dos bois\", alertou Hélder Coelho \"Vuty\".
O Jornal dos Desportos apurou junto de várias personalidades ligadas aos desportos motorizados, que convergiram na necessidade de um aposta mais redobrada no que tangem a construção de pistas, desde kartódromos a circuitos de distintas modalidades em todo o território nacional, como principal catalisador para o surgimento de pilotos, que possam garantir uma representação auspiciosa nas competições sobe égide da FIA e da FIM.
Luanda conta com um novo circuito, denominado Arena Multiparques, localizado no quilómetro 30, município de Viana, que tem servido para a massificação das modalidades de karting e supermoto, a infra-estrutura foi construída pelo empresário Leonel da Rocha Pinto, uma personalidade que se tem destacado na promoção do desporto nacional, com destaque para as distintas categorias do desporto adaptado, karting e Rali.