Jornal dos Desportos

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WADA descarta perdão

26 de Março, 2015

Armstrong foi suspenso por toda vida do ciclismo por prática reiterada de doping

Fotografia: AFP

O antigo ciclista norte-americano, Lance Armstrong, esteve envolvido num dos casos mais sofisticados de doping, não fez o suficiente para merecer a redução da  suspensão do ciclismo e o seu mais recente esforço de reabilitação chegou tarde demais, disse o director-geral da Agência Mundial Antidoping WADA, David Howman, em entrevista à agência de notícias Associated Press.

Howman afirmou, que o ex-ciclista norte-americano, não aproveitou as oportunidades que teve de revelar os detalhes do seu passado de doping. “Se cumprisse com os critérios e solicitasse o fim da suspensão, isso seria examinado com cuidado, mas até agora ele não o fez”, disse Howman à margem de um simpósio da Wada em Lausanne. “Não está sendo considerado”.

Armstrong reuniu-se com o director da Agência Antidoping dos Estados Unidos, Travis Tygart, na esperança de que  suspensão fosse reduzida, mas ele não entrou em contacto com a Wada. O encontro com Tygart foi o primeiro desde 2012, ano em que se retirou de Armstrong os seus sete títulos da Volta a França. Além disso, naquele ano, ele foi banido por toda a vida após a revelação de um esquema de doping sistemático nas suas equipas.
Depois, Armstrong fez uma confissão pública de que se dopou, mas a Wada ainda espera que ele apresente um relato detalhado.

“Eu não estou seguro das razões para ele não ter feito nada”, disse Howman. “De facto, teve inúmeras oportunidades, incluindo as conversas com a gente, mas não forneceu informações substanciais que seriam benéficas para a fraternidade do ciclismo”.  Armstrong já  reuniu duas vezes, com funcionários europeus, que investigam o doping no ciclismo como parte de audiências da Comissão Independente para a Reforma de Ciclismo. O relatório diz que ele foi o único ciclista banido, por toda a vida, em 2012, pela agência norte-americana, enquanto ex-companheiros de equipa que testemunharam contra ele foram suspensos por apenas seis meses.

O relatório observou ainda que Armstrong mereceu uma “pena severa” e que  podiam-se justificar algumas penalidades baixas contra ciclistas, que cooperaram com a investigação original, algo que Armstrong não fez. O norte-americano queixa-se de tratamento injusto na sua campanha para cancelar a suspensão vitalícia.