Jornal dos Desportos

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Wolff assume riscos em Monza

08 de Setembro, 2015

Toto Wolff assegurou que estão atentos à evolução da rival Ferrari na próxima época

Fotografia: AFP

Com os títulos mundiais de Pilotos e Construtores praticamente garantidos, a Mercedes já trabalha duro para a próxima época. Equipada para manter a supremacia na F1 e de olhos abertos para a reacção que a Ferrari planeia empreender em 2016, a equipa prateada levou para Monza uma nova especificação do seu motor já a pensar na próxima época. Com Lewis Hamilton, a unidade de força mostrou desempenho perfeito e ajudou-o a levar a uma vitória incontestável no fim de semana do GP da Itália, em Monza. Mas com Nico Rosberg, no sábado, um problema levou a Mercedes a equipar o seu carro com a especificação antiga do motor, menos potente, o que selou a vitória de Hamilton.

Assim, Toto Wolff, director-desportivo da Mercedes, entende que o novo motor ainda não está definitivamente pronto. O dirigente entende que a equipa assumiu riscos a levar para Monza, uma pista exigente com os propulsores, motores novos. Wolff lamentou por Nico abandonar a prova, quando faltava duas voltas devido a uma quebra no motor antigo.“Trouxemos quatro motores para esta etapa, porque queríamos entender se estávamos no rumo certo em termos de desenvolvimento. Foi um pouco arriscado e vimos o que aconteceu com Nico. Este foi o resultado desse motor. A confiabilidade foi provada em alta quilometragem, mas ainda não está pronto”, afirmou Wolff em conferência de imprensa após o GP da Itália.

O revés de Rosberg e a vitória de Hamilton em Monza representou um aumento da diferença do britânico em relação ao vice-líder do Mundial para 53 pontos. Assim, Lewis caminha a passos largos para conquistar o tricampeonato da F1.Uma das razões para a Mercedes acelerar o processo de desenvolvimento do seu motor está no trabalho desempenhado pela Ferrari, que também foca em 2016 ao mesmo tempo em que ainda centraliza os seus esforços nesta época.

“A Ferrari deu um passo com o motor e estão cada vez mais perto. Como já dissemos antes, o nosso motor está num novo rumo de desenvolvimento”, explicou.Toto Wolff descreveu que "não se trata apenas de desempenho puro, mas há outras coisas por detrás". O austríaco estima que podem ganhar mais desempenho a médio e longo prazo desde que avancem com que têm. Nesse sentido, "não é um grande passo em frente em relação à última especificação".

O director-desportivo da Mercedes ressalta que Nico Rosberg perdeu pontos num "campeonato competitivo" que vai repetir-se no próximo ano. A expectativa da equipa alemã é que "quanto antes puder entender o rumo a seguir, em termos de desempenho, melhor".Quanto à razão da falha do motor de Nico Rosberg, Toto Wolff disse que a equipa a desconhece, mas suspeita que "houve um vazamento no sistema de refrigeração e não uma falha no motor".

ESTILO DE VIDA
Ecclestone critica Hamilton


Bernie Ecclestone exaltou em verso e prosa o nome de Lewis Hamilton, em Junho, e considerou-o como o piloto que mais promove a F1. O elogio à postura mediática do britânico foi contrária, quando se referiu aos principais adversários na pista. O patrão comercial da F1 criticou Sebastian Vettel e Nico Rpsberg pela discrição fora da pista. Pouco meses depois, o chefe supremo da F1 mudou de opinião. Em entrevista ao diário alemão ‘Bild am Sonntag’, Ecclestone classificou o estilo de vida de Hamilton como “excessivo”: “Talvez, tenha ido um pouco longe demais nos últimos meses. Não sei se isso é bom para ele”, declarou o dirigente.

A afirmação de Ecclestone vai em direcção oposta ao que Lewis Hamilton escreveu na sua coluna no site da emissora BBC. Por outro lado, Bernie elogiou Vettel. Meses atrás, havia dito: "Nico Rosberg e Vettel não são tão bons para o meu negócio”. O empresário deu a entender que os pilotos desempenharam certo papel para a não-realização do Grande Prémio da Alemanha neste ano, cancelado pela falta de acordo entre o circuito de Hockenheim e Ecclestone.Hoje, o discurso é bem diferente. "As pessoas estão a começar a respeitar o facto de que Sebastian Vettel é assim. Não quero que todo o mundo seja como LewisHamilton. Talvez tenha sido injusto criticar Sebastian. Na verdade, é um pouco como eu. Não quero ser o centro das atenções", disse em mea-culpa.

DEFESA
Líder do mundial
riposta os críticos


Dentro da pista, Lewis Hamilton tem um ano absolutamente incontestável. Em 12 corridas disputadas na época'2015, o britânico mostra que vive a melhor fase da carreira ao somar nada sete vitórias e 11 pole-positions. Depois de triunfar no GP da Itália, está cada vez mais perto do tricampeonagto. Hamilton tem uma vantagem de 53 pontos sobre Nico Rosberg. O líder do campeonato recebe críticas pelo seu estilo de vida nada convencional para os padrões da actual e conservadora F1. Hamilton viaja com frequência para os Estados Unidos da América, onde passa a maior parte do seu tempo livre entre os GPs e diverte-se, muitas vezes, em eventos recheados de estrelas do showbiz. O registo dessas presenças são publicadas nas redes sociais. O britânico também foi notícia ao participar do concorrido carnaval de Barbados enquanto curtia as férias da F1, em Agosto.

Lewis Hamilton não aceita ser criticado pelo seu estilo de vida. Numa coluna escrita ao site da emissora britânica BBC, o bicampeão do mundo criticou a postura dos seus detractores e deixou claro que não vai mudar o seu modo de viver e de pensar.“A F1 é um lugar onde as pessoas muitas vezes têm uma opinião sobre tudo e normalmente acham que a sua opinião é a correcta, ainda que isso afecte outra pessoa. Às vezes, vejo alguns comentários que fazem sobre mim e pergunto-me se se dão conta de tudo o que já conquistei”, escreveu Hamilton.

O piloto escreveu mais: "Vejo que sou criticado por viajar aos Estados Unidos com frequência e por estar em alguns eventos. O meu modo de vida é diferente de muita gente. Tenho uma vida fantástica e gosto de viajar. Sou assim. Até esse ano, me preocupava com o que as pessoas poderiam pensar e tentava viver a seguir as expectativas desse povo, não as minhas.

 Mas neste inverno, completei 30 anos e cheguei a um estágio na minha vida em que me sinto bem comigo mesmo”.O piloto entende que não há qualquer problema em ter um estilo de vida mais agitado. O que faz não compromete em nada o seu trabalho. Os resultados provam isso."Encontrei um meio termo. Sinto-me bem com o meu trabalho, comigo mesmo e com a pilotagem. Sempre tento encontrar o equilíbrio entre o meu treinamento, saúde e a minha condição física e mental", justificou.Lewis Hamilton assegurou que nunca duvidou de que é piloto mais rápido. "É uma convicção que é mais forte do que nunca. Sou campeão do mundo. Há garotos que querem ser como eu. Por isso levo a sério, mais do que nunca, a minha atitude e as minhas palavras", disse.