Jornal dos Desportos

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Wolff evita relaxe na época

28 de Dezembro, 2014

Toto Wolff compreendeu a vantagem da equipa após o Prémio de Suzuki marcado com o acidente de Jules Bianchi

Fotografia: AFP

O chefe da equipa da Mercedes, Toto Wolff, afirmou que nunca se sentiu completamente confortável com a vantagem técnica no campeonato 2014, que culminou com os títulos de construtores e de pilotos com Lewis Hamilton. Para o dirigente, apenas após o Grande Prémio do Japão, disputado em Suzuka, deram conta de ter um pacote técnico superior aos dos seus adversários.

“Sou uma pessoa muito pessimista por natureza. Foi só a partir do voo de regresso de Suzuka para a Europa, com a nuvem negra do acidente de Jules Bianchi, que percebi pela primeira vez que tínhamos um pacote dominante e poderíamos vencer. Não tive esses pensamentos durante a época. Nunca achei que seria fácil, na verdade, foi o contrário”, disse.

Para o dirigente, o segundo lugar de Daniel Ricciardo (em Melbourne) acendeu a luz de alerta em Brackley. “Tudo o que vimos desde o começo da época não foi uma indicação suficiente de que o nosso pacote seria suficientemente bom. Quando fomos para Melbourne, Ricciardo terminou em segundo antes de ser desclassificado, apesar de não ter testado”, comentou.

“Portanto, foi um lembrete de que não deveríamos ser complacentes. É por isso, que enfrentamos uma corrida de cada vez e procuramos melhorar a performance. Numa análise da época, foi a primeira vez que a equipa aumentou a vantagem ao longo do ano, ao invés de perder terreno. Até mesmo em 2009 houve uma queda. No ano passado, estávamos a ir bem até o intervalo de verão. Depois, não pudemos fazer nada contra as nove vitórias de Sebastian Vettel. Neste ano, aconteceu o oposto”, falou.

Por fim, Wolff acha que o facto de não se sentir confortável ao longo do ano serviu para reforçar a sua certeza de exigir o máximo da equipa.

“Nos meus trabalhos anteriores, nunca me senti confortável com nada até que fosse feito. E não porque eu disse que nunca deveria sentir-me assim, simplesmente, sou calibrado dessa maneira. Não acredito que está feito até estar concluído. Certamente, não facilita a minha vida. Proporciona um dia miserável após o outro, mas esperar sempre o pior é um ponto forte. A pessoa controla as suas próprias expectativas e continua a esforçar-se ao máximo, porque nunca acredita que as coisas estão boas o suficiente”, encerrou.


FERRARI E JOVENS
Maurizio Arrivabene defende aproximação


O novo chefe de equipa da Ferrari, Maurizio Arrivabene, clama por mudanças na Fórmula 1, que atraiam mais jovens adeptos para a categoria. O pensamento do dirigente contrapõe-se ao de Bernie Ecclestone, que prefere fãs mais idosos.

Em polémica entrevista no mês de Novembro, o chefão da categoria deu a entender que trabalhava pelos fãs mais velhos, pois os mais jovens não despertam o interesse dos patrocinadores da F1, casos dos relógios Rolex e do banco suíço UBS.

Arrivabene assegura que “às quintas-feiras de cada Grande Prémio poderiam ser melhor exploradas e a forma de atrair os jovens e criar as hipóteses de os adeptos interagirem mais com as estrelas do nosso desporto é o uso de ferramentas da nova geração”.

Maurizio afirma que precisam de continuar a trabalhar “para dar às pessoas o espectáculo e emoções”.

“Devemos trabalhar para levar a F1 mais próximo dos adeptos, caso contrário arriscámo-nos a correr em circuitos vazios”, concluiu.

HORNER VATICINA
VETTEL EM 2015

O chefe de equipa da Red Bull, Christian Horner, está crente que Sebastian Vettel vai ser um piloto melhor em 2015, nesta que vai ser a primeira época do alemão longe da equipa da marca de bebidas energéticas.

O alemão assinou por três épocas com a Ferrari, conforme o inglês, os problemas de 2014 fortaleceram o tetra-campeão mundial, de acordo com a conversa  no site Autosport.

“Creio que foi um ano muito difícil para ele, um ano formador de carácter, em muitos aspectos. Teve muita falta de sorte e frequentemente as coisas não deram certo. Além disso, não estava feliz com o carro após as mudanças no regulamento de 2013 para 2014”, disse.

Christian Horner afirmou que “Seb é tremendamente talentoso e foi a primeira vez que teve um companheiro de equipa que o desafiou. É uma dinâmica diferente com a qual teve de lidar, porque sempre dominou os companheiros no passado”.

“Foi um ano difícil, mas não desanimou ou criticou a equipa uma única vez. Acredito que aprendeu muitas lições valiosas neste ano”, concluiu.


ÉPOCA 2015
Equipa Lotus
 em dúvida


A Lotus está em situação financeira delicada e corre o risco de ficar fora do Mundial de Fórmula 1 em 2015. Na lista divulgada nesta semana pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA), a equipa ainda não está confirmada para a próxima edição do campeonato.

Os nomes da Caterham, da Manor (ex-Marussia) e da Lotus aparecem ao lado de um asterisco na lista de pilotos e equipas para 2015. Desta forma, a participação das três equipas no próximo campeonato está “sujeita a confirmação”. As duas últimas equipas chegaram a perder as últimas etapas de 2014.

Nesta época, a Lotus, defendida pelo venezuelano Pastor Maldonado ao lado do francês Romain Grosjean, marcou somente dez pontos no Mundial de Construtores. Depois de brilhar em 2013, a equipa terminou à frente apenas de Marussia, Sauber e Caterham.

Na lista divulgada pela FIA, o britânico Lewis Hamilton actual campeão mundial, permanece com o número 44 na sua Mercedes. O alemão Sebastian Vettel, contratado pela Ferrari, troca o (1) pelo (5). Os estreantes Felipe Nasr (12), Max Verstappen (33) e Carlos Sainz (55) também já fizeram as suas escolhas.


Director da McLaren teme domínio da Mercedes

O director de corridas da McLaren, Éric Boullier, teme pelo futuro da Fórmula 1 caso as coisas continuem como estão. Conforme o dirigente é preciso permitir que as equipas desenvolvam os seus motores para alcançar o nível de performance da Mercedes. Isso trazia de volta a competitividade ao desporto.

“No que diz respeito ao regulamento, acho que os motores deveriam ser congelados uma vez que todos os fabricantes tenham conseguido desenvolvê-lo. Se você não permite a competição, isso vai contra o espírito do desporto”, analisou. Boullier acredita que com os motores congelados, a Mercedes vai continuar a dominar a F-1 por muitos anos. Para ele, era preciso suavizar o regulamento de motores do Mundial, a fim de implementar actualizações ao longo da época. A Mercedes, por sua vez, defende que os custos iam aumentar demais.

“Fazer algo que vai aumentar estupidamente os custos não é algo que queremos, mas é uma competição e nós podemos mudar os carros, o quanto quisermos. Eles beneficiam-se do facto de que fizeram um trabalho muito bom e o regulamento está travado com os motores congelados. Vai continuar assim por alguns anos, até que alguém consiga alcançá-los”, lamentou.