Jornal dos Desportos

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Modalidades

Angola cilindra Egipto com 30 "Sticadas"

Silva Cacuti e Pedro Futa - 09 de Março, 2019

Ausncia do pblico marcou o primeiro dia do Campeonato Africano da modalidade

Fotografia: M.Machangongo | Edies Novembro

Na sua primeira aparição em provas continentais a selecção egípcia foi ontem goleada, 30-0, pela Selecção Nacional, na abertura do primeiro Campeonato Africano que se disputa até amanhã, no Pavilhão Multiusos do Kilamba. Ao intervalo Angola já vencia por 14-0.
Inexperiente, com claras deficiências na patinação, técnica individual e de grupo, a equipa do Egipto logrou resistir ao ímpeto ofensivo angolano por cinco minutos. Os primeiros.
João Pinto \"Mustang\" abriu o activo e dois minutos depois bisou. Nery e Big marcaram de rajada no minuto oito e, depois, foi o festival de golos.
Os magrebinos, com estoicismo mantinham-se em campo, quase sempre maniatados no seu reduto defensivo. Nas bancadas, um casal fazia a diferença. Provavelmente não acreditavam na reviravolta do marcador, mas torcia pelos egípcios.
Nada dava certo aos faraónicos. A meio da segunda parte Fernando Fallé, seleccionador nacional tirou os principais activos da sua equipa e deu rodagem competitiva aos atletas que actuam no país, carentes de jogo, já que vêm do defeso.
O ritmo do marcador abrandou um pouco, mas os adversários  não estavam à altura das encomendas e o resultado esticou-se até aos 30-0. Francisco Veludo, guarda-redes angolano, era um espectador de luxo. Assistiu ao jogo dentro da quadra.
Não era um jogo bom de ser visionado, aliás, tornou-se um espectáculo fastidioso, e com os mesmos actores.
Hechan Mohamed treinador do Egipto parecia atento a cada detalhe do jogo. Não se importava com os números do marcador, pedia o \"time out\" e fazia correcções ao jogo da sua equipa, estava a aprender, enquanto a assistência aplaudia os golos angolanos.
Num jogo com tais características, nem mesmo Fernando Fallé pode gabar-se de grande exibição do seu conjunto, já que fica imperceptível saber se Angola jogou muito, diante de um Egipto aprendiz. Para os registos históricos ficou a segunda goleada de Angola sobre o Egipto, depois de no mundial de Nanjing, China, onde o resultado cifrou-se em 24-1.

CERIMÓNIA POBRE
MARCA ABERTURA

Para um campeonato que se realiza pela primeira vez, esperava-se um pouco mais da organização do \"africano\" de hóquei em patins que amanhã encerra em Luanda. A organização prometeu uma cerimónia singela, mas nada fazia prever que não houvesse nenhum traço cultural a associa à festa do hóquei em patins continental.
Quem esteve no Pavilhão Multiuso viu uma cerimónia sem palavras de \"boas vindas\", sem as habituais danças, música e, também, sem qualquer representação governativa. Salvaguardamos a possibilidade de alguma entidade ter lá estado, mas a título pessoal e escondida no anonimato. Ninguém falou nem em nome da cidade que acolhe a prova e muito menos pelo país.
Da parte das representações diplomáticas dos países participantes ou das organizações internacionais que regem a modalidade no continente ou no mundo, fez-se igual silêncio.
A fraca adesão do público foi também uma nota do primeiro dia de competição, aliás não se podia esperar por muita gente, quando a escassos metros, à mesma hora, no Estádio 11 de Novembro, havia um jogo em que estava envolvido o 1º de Agosto, líder do Girabola Zap.

Hóquei em patins
Selecção de Moçambique afina baterias

Sem qualquer jogo treino, desde que juntou a equipa em Luanda, o treinador português Pedro Nunes que comanda a equipa moçambicana aproveita hoje o confronto com os egípcios, não só para conhecer o momento de forma dos pupilos que actuam em Maputo, como aprimorar os aspectos tácticos, com vista o jogo decisivo com Angola, marcado para amanhã, no encerramento do campeonato africano.
As selecções de Moçambique e do Egipto defrontam-se às 17h00, partida solitária da segunda jornada do campeonato africano.
Um jogo à medida que os moçambicanos precisam para entrosar o grupo, dado que 50 por cento da equipa actua no seu país e cumpre um defeso, ao passo que outros integrantes vêm da Europa, onde estão a meio da época. Em Maputo, a equipa trabalhou sob a orientação de Pedro Tivane, adjunto de Pedro Nunes que encontrou o grupo completo na quarta-feira, em Luanda.
Como para grandes males, grandes remédios, o pior para os moçambicanos era defrontar Angola, sem efectuar um jogo que fosse, por isso, é inevitável o gosto a treino que a partida de hoje pode proporcionar.
Pedro Nunes está tranquilo, o favoritismo que recai para a sua equipa. Não deve precisar de muito esforço para vencer, a julgar pela diferença de potencial entre os conjuntos.
Moçambique e Egipto não têm jogo "recente", os indicadores que cada um traz, descrevem o panorama em que cada equipa se insere a nível do hóquei em patins mundial. A equipa do extremo sul do continente foi  a oitava classificada (última da elite) em Nangjing, China,  veio a Luanda com a ambição de conquista.
Os magrebinos foram os últimos classificados da taça FIRS (segunda divisão). Estão em Luanda a tentar a inserção no hóquei continental. Aliás, não deixaram qualquer dúvida à respeito, as palavras de Moamed Hisham, seleccionador do conjunto magrebino à sua chegada a Angola.
"Viemos mostrar o nosso potencial, respeitamos os níveis de Angola e de Moçambique", disse.
No jogo que melhor demonstra o seu potencial, que se disputou ontem, para a primeira jornada do campeonato, os egípcios foram goleados, por 30-0, diante da selecção angolana. Em 2017, no mundial de Nanjing, os faraós foram esmagados pelos angolanos, por 24-1. Ahmed Abdelnaby não está em Luanda, foi o autor do golo de honra dos egípcios, naquele campeonato.                 
                                                                    
FICHA TÉCNICA
ARBITRAGEM

Ricardo Leão (Portugal)
Paulo Rainha (Portugal)

ANGOLA

1- Francisco Veludo
2- André Centeno
3- Tino Boy
4- Tino Boy (2)
5- Anderson Nery (5)
6- Sérgio Lukukurico (2)
7- Martin Payero (5)
8- Humberto Mendes (4)
9- João Pinto (7)
10- Dorivaldo Francisco
Treinador: Fernando Fallé

EGIPTO
1 - Samir
18 - Gamal
8 - Aizz
16 - Kaled Samir
5 - Hassan
11 - Batran
9 - Salah
7 - Karin
6 - Jalika
10 - Ashraf
Treinador: Hechan Mohamed

DECLARAÇÕES
FERNANDO FALLÉ (ANGOLA)

"Este foi um jogo para os meus jogadores ganharem mais confiança e não tem nada a ver com o próximo jogo, cumprimos com o nosso papel que é de vencer. Já contra Moçambique amanhã, será um jogo difícil por ser do mesmo nível que Angola mas vamos tudo fazer para vencer".
HECHAN MOHAMED (EGIPTO)
"Angola tem jogadores de cariz internacional e nós temos atletas de competição interno, temos ganhar mais experiência e procurar fazer vários jogos internacionais, quanto ao jogo de amanha (hoje), contra Moçambique vamos encontrar as mesmas dificuldades mas o nosso objectivo não vencer mas sim ganhar rodagem internacional".