Jornal dos Desportos

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Modalidades

Angola comea com vitria

Silva Cacuti|Malange - 23 de Agosto, 2013

Equipa de Orlando Graa dominou a partida mas pecou na finalizao

Fotografia: Jornal dos Desportos

A selecção nacional de hóquei em patins começou da melhor forma a defesa do título do torneio internacional Troféu José Eduardo dos Santos ao bater a similar do Brasil, por 2-1,  no jogo de complemento da primeira jornada da prova que tem como palco o Pavilhão Arena Palanca Negra Gigante, na cidade de Malange. Ao intervalo o placard registava 2-1 a favor da selecção nacional.

Foram os brasileiros que iniciaram as hostilidades, rondando com perigo a baliza defendida por Tiago Sousa, desde os instantes iniciais, apesar da maior posse de bola angolana. Foi sol de pouca dura e sem eficácia nenhuma, para bem do conjunto angolano.

Na resposta, a equipa nacional assumiu as despesas da partida, sitiou o Brasil no seu meio campo e só esporadicamente conseguia chegar ao último reduto angolano, onde Tiago respondia com eficiência.

Numa jogada de ataque, aos 12 minutos de jogo, Kirro visou a baliza adversária com grande execução e alterou o placard. No minuto seguinte, Orlando Graça chamou para a estreia Martin Payero que começou a sua missão ao serviço da selecção nacional de forma discreta e, logo, já estava a arrancar aplausos da assistência.

Com os seus dribles e experiência, Payero comandou o jogo intermédio da selecção nacional, principalmente, nas transposições defesa-ataque. A assistência estava em delírio. Aos 20 minutos, na sequência de uma falta sobre Centeno, na área, Johe não falhou a penalidade e apontou o segundo golo da partida. O Brasil estava transformado em animador do jogo.

Didi, jogador que actua em Angola, um dos mais inconformados do conjunto brasileiro, estava no ataque e na defesa. Numa destas situações, visou com êxito a baliza angolana e cifrou o marcador ao intervalo.

No reatamento, as equipas voltaram com a mesma disposição, insistindo na toada de defesa-ataque equilibrada. Alguma apreensão tomou conta da sala. Havia dúvida, se Angola ia marcar para a tranquilidade ou se o Brasil fazia a igualdade. O contra-ataque na selecção nacional não surgia, havia pressa de soltar a bola.

Orlando Graça chamou a equipa num “time out” e pediu menos ansiedade. Martin Payero falhou um livre no aproveitamento do “poder Play”, que alteraria a situação do jogo. Angola fazia um mau jogo e o Brasil procurava a todo transe o empate, mas não aconteceram mais golos. No jogo de abertura, o Liceo de la Coruña goleou o Andes Talleres por 5-0.


COMPETITIVIDADE
Orlando Graça
entre argentinos


A 12ª edição do Torneio Internacional Troféu José Eduardo dos Santos, iniciada ontem, encerra a disputa entre três treinadores argentinos e um angolano. Embora não se possa falar classicamente de uma disputa entre a escola argentina e angolana, não deixa de ser um motivo de curiosidade. Orlando Graça, fez-se treinador na escola espanhola, tem a difícil tarefa de enfrentar a tendência tecnicista do hóquei argentino.

Até que ponto é difícil aos treinadores argentinos, que estão na selecção do Brasil (Miguel Belbruno) e no Liceo de lá Coruña (Carlos Gil) influenciar no jogo das suas equipas. Belbruno, que orientou a equipa argentina do Concepcion no mundialito de clubes em Luanda, está a ter, na Taça Zé Du, o seu primeiro contacto com a equipa do Brasil.

Carlos Gil é um velho inquilino da Galícia, tinha interrompido o seu vínculo, mas o seu regresso ao Liceo, depois da saída de José Querido tem rendido troféus ao clube. Convidado a orientar a selecção da Argentina no Mundial de Angola, preferiu continuar no Liceo de lá Coruña, onde não tem razões de queixas. Trabalha com um misto de influentes jogadores argentinos, espanhóis e portugueses, o que torna difícil inculcar a influência do seu país de origem.

Já Denis Pelizzari, treinador do Andes Talleres, não tem outro jeito. Apesar de ter atletas com passagens no hóquei italiano, o tango argentino lidera a forma de jogar da equipa.
SILVA CACUTI- MALANGE


DIANTE DOS ANDES TALLERES
Angola busca novo triunfo


A Selecção Nacional de Hóquei em Patins tem hoje o seu primeiro teste a doer na sua caminhada à revalidação do título do Torneio Internacional “troféu José Eduardo dos Santos, que decorre na cidade de Malange, quando defrontar a equipa Argentina do Andes Talleres, em partida referente à segunda jornada da prova.

A Selecção Nacional pode lograr a sua segunda vitória na prova e dar um passo gigante para a consumação dos seus objectivos. O jogo marcado para as 18 horas, no pavilhão Arena Palanca Negra Gigante vai ser, na verdade, um ajuste de contas, já que, no princípio do ano, as duas equipas defrontaram-se na primeira fase do torneio de Vendimia, em Mendoza, Argentina.

O jogo saldou-se num empate a três golos e a Selecção Nacional acabou por conquistar o título daquele torneio. Hoje, em solo angolano, diante de uma plateia integralmente virada para si, a dar força, os pupilos de Orlando Graça podem aproveitar a envolvente para tirar proveito e somar os três pontos.

Denis Pelizzari, treinador da equipa da Argentina, disse que o seu grupo trabalha há meses para fazer boa figura no Torneio e que o seu objectivo é vencer. Esta determinação associada ao facto de a equipa estar inscrita com todas as suas principais unidades, excepção ao guarda-redes principal que está ao serviço da selecção da Argentina, pode apimentar o jogo e tornar as coisas difíceis para os comandados de  Graça. Orlando Graça diz várias vezes que para cada adversário Angola tem uma estratégia. Os dados estão lançados.

BRASIL E LICEO
MEDEM FORÇA

A abrir a segunda jornada, a selecção do Brasil e a equipa espanhola do Liceo de lá Coruña defrontam-se a partir das 16 horas.  A equipa de Espanha é líder do ranking mundial de clubes e tem um palmarés que lhe dá favoritismo em todas as provas que disputa, mas tem o handicap de estar na pré-época.

Os espanhóis têm ainda contra si o facto de terem implante integrado por atletas juniores e até juvenis, pelo facto de terem dispensado atletas para as selecções de Espanha, Argentina e Portugal, que se preparam para disputar o campeonato do mundo que Angola acolhe de 20 a 28 de Setembro.

Da parte do Brasil, só se pode esperar por uma réplica que venha animar o jogo e fazer valer o espectáculo. Miguel Belbruno disse que a sua equipa está a 50 por cento e vai virar-se inteiramente à preparação para o mundial.

Mas vencer não é uma ambição que escape às análises do treinador. Aliás, a sua equipa, maioritariamente, esteve na edição passada do torneio e deu bons indicadores.
SILVA CACUTI - MALANGE


CRÓNICA DE VIAGEM
A minha primeira vez


Não foi emocionante como devia, ou como esperava. Foi com meus camaradas de trabalho. À luz do dia, chegámos por volta das 16 horas à Malange pois aguardava-nos, algo ansiosa, como se podia ver no seu engalanamento.

Mas a minha primeira vez não correspondeu às minhas expectativas. Tinha que ser com outra gente, com a senhora Rita Bento, de Quizenga, filha de Manuel João Bento. Sim, parar e receber algumas explicações. Foi ela a causadora do imbróglio de identidade em que se tornou a minha vida, principalmente, quando tenho de explicar o porquê de eu ser do Huambo, quando o “acidente” do meu parto deu-se num bairro malangino.

A minha primeira vez em Malange acontece quase 40 cacimbos depois de eu ter chegado ao mundo num bairro chamado Quizanga do Ritondo. Eu esperava algo mais pomposo, mais “académico”, que me permitisse conhecer locais que estão relacionados comigo, já que não achei nada com que me identificar. Frustração.

Gostava  de conhecer a casa, o lugar. Não sei se ainda existe. Mas, por outro lado, senti alguma coisa estranha. Não é como quem reencontra ou revê coisas que tinha deixado há bastante tempo. Sei lá o que é? Algo que, tenho de confessar, falta-me vocabulário para explicar. Talvez seja só a realização de um desejo que dura desde a infância. Conhecer Malange, ou Malanje como a maioria das instituições aqui têm grafado.

Tinha que dividir isso com vocês, já conheço Malange e estou no encalço da minha história. Agora o que me prende aqui é a Taça Zé Du. Quero participar desta festa/homenagem que está a mexer com Malange, malanginos e luandenses que, em jeito de turistas, lotaram os poucos recintos de hospedagem de que a cidade dispõe. Não vou esquecer de que esta é a minha primeira vez!
SILVA CACUTI |- MALANGE


ABERTURA DA TAÇA ZÉ DU

Governador destaca dedicação do PR


O governador de Malange, Norberto Fernandes dos Santos “Kwata Kanawa”, destacou ontem, durante a cerimónia de abertura da 12ª edição do Taça Zé Du em hóquei em patins, no pavilhão Arena Palanca Negra Gigante, a dedicação do Chefe de Estado angolano José Eduardo dos Santos na elevação do desporto nacional.

Kwata Kanawa disse que graças ao empenho do Presidente da República o desporto nacional tem vindo a alcançar resultados satisfatórios, permitindo à juventude a participação e o seu engrandecimento.

O governador provincial ressaltou que a realização do torneio Zé Du em Malange vai servir de antecâmara para o 41º campeonato mundial da modalidade que o país vai acolher no próximo mês nas províncias de Luanda e do Namibe. Por esse facto, as duas competições vão trazer consigo enormes vantagens na medida em que vão incentivar a prática desportiva no seio dos jovens, com maior realce para as modalidades de sala.

“Vai permitir ampliar e resgatar os tempos de glória do desporto e do hóquei em Malange, do qual despontaram figuras sonantes como João Rosa Santos, Carlos Chiemba, Gildo Simão, Walter Pinto Mendonça, Zito Carvalho e os malogrados Adolfo Pinto dos Santos, Fitito e Zé Bolingó, dentre outros que nos anos 70 e 80, participaram em diferentes campeonatos nacionais e internacionais e elevaram o nome da província e do país além-fronteiras”, realçou o governante.

Aos desportistas presentes no torneio internacional, o Governador de Malange desejou que desfrutem da melhor maneira os encantos da província, particularmente, as belezas naturais que a região dispõe, nomeadamente, as Quedas de Calandula, do Musselege, os Rápidos do Kwanza, as Pedras Negras do Pungo Andongo, dentre outros.

Kwata Kanawa expressou o seu profundo reconhecimento ao Executivo angolano pela construção do magnífico pavilhão Arena Palanca Negra Gigante e pelo indispensável e permanente suporte financeiro técnico e moral, comprometendo-se a tudo fazer para o relançamento e desenvolvimento da competição desportiva interna com o prelúdio de voltar a colocar Malange nos lugares cimeiros do desporto nacional.

À sociedade malangina e, em particular, a classe empresarial local, Kwata Kanawa dedicou um apresso especial por não ter hesitado nos apoios, respondendo ao apelo do governo local, no esforço da preparação e da realização de tão importante evento desportivo.

O presidente da Federação Angolana de Patinagem, Carlos Alberto Jaime, disse na sua intervenção que o Pavilhão Arena Palanca Negra Gigante vai relançar as modalidades de sala na província de Malange e augura que a província se faça presente nas próximas competições desportivas que a federação venha a organizar.

O ambiente ficou engalanado com os quadros humanos e a demonstração de actividades culturais que antecederam a cerimónia.FRANCISCO CURIHINGANA|MALANGE


PROMOÇÃO
Carlos Pacavira
entrega livros


O jornalista da Rádio Nacional de Angola, Carlos Pacavira, entregou, em Ndalatando, três mil exemplares de uma revista destinada a promoção da prática do hóquei em patins no país às autoridades da província do Kwanza Norte. Os livros em banda desenhada foram entregues ao Governador provincial, Henrique André Júnior. A obra foi escrita em estilo didáctico, com o propósito de facilitar a rápida compreensão das técnicas do hóquei a crianças e adultos, de acordo com o seu autor e coordenador, Carlos Pacavira.
 SILVINO FORTUNATO/NDALATANDO