Jornal dos Desportos

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Modalidades

Angola conquista "africano" e confirma mundial de Barcelona

Silva Cacuti - 11 de Março, 2019

Campees Africanos disputam o Mundial de Elite em Espanha

Fotografia: Edies Novembro

Somos Elite mundial. É nessa condição que a selecção nacional vai disputar, de 7 a 14 de Julho, o Campeonato Mundial de hóquei em patins, em Barcelona, Espanha. Ontem, a equipa nacional garantiu o passe para a mais prestigiada categoria mundial ao bater o Moçambique por 5-3, em partida da final do primeiro Campeonato Africano da modalidade, realizado de 8 a 10 do corrente em Luanda.Diante de uma assistência considerável, a selecção nacional arrancou a vaga disponível para o continente africano.Os moçambicanos também cobiçaram o lugar.
Os egípcios, outros concorrentes, cedo perceberam que não era uma luta para si.Moçambique começou mais acutilante ao ataque e obrigou Francisco Veludo a duas defesas. Não havia ainda uma superioridade definida no jogo, quando Anderson Silva “Nery” recebeu um passe na extrema direita da zona de baliza moçambicana e visou com êxito o quadrilátero defendido por Carlos Silva.
Fazia calor na sala de jogos. No exterior do recinto, dados do Inamet apontavam 27 graus celsius e o céu nublado. No pavilhão do Kilamba parecia haver outros números de meteorologia.
Os atletas moçambicanos espevitaram-se ao consentir o golo e partiram em busca do empate. Desguarneceram-se e Big fez o segundo para Angola. As contas dos irmãos do Índico estavam complicadas.Infelizmente, para o conjunto angolano e os adeptos, o segundo golo trouxe algum conforto à equipa. Ante o relaxe, Moçambique agigantou-se no jogo e chegou ao 2-1 por Filipe Vaz à passagem do minuto 21. Soou o apito para o intervalo e o marcador não se alterou.No reatamento, a sonolência com que terminou a primeira parte ainda fazia efeitos na equipa angolana. Martin Payero começou esta fase a falhar um livre indirecto aos três minutos.
 Dois minutos depois, Mário Rodrigues isola-se e quase sem ângulo bateu Francisco Veludo pela segunda vez.Estava feito o empate. Alguma apreensão tomou conta da assistência, embora as vuvuzelas e os batuques trazidos do Estádio 11 de Novembro continuassem a emitir o barulho ensurdecedor.
Diante de tanto calor humano, cerca de quatro mil pessoas, a alternativa para a selecção nacional era reagir. E reagiu.
 O capitão André Centeno, num remate forte, feito da zona do penaltie, começou a nova atitude da equipa angolana. Fez o 3-2 aos sete minutos do segundo tempo.Para demonstrar que compreendeu a solicitação do capitão, Martin Payero também marcou aos 10 da etapa complementar. João Pinto fechou o marcador para Angola em cinco golos. Perto do fim, ao minuto 47, os moçambicanos apontaram o terceiro golo por Bruno Pinto.

DISTINÇÃO
Francisco Veludo foi distinguido guarda-redes menos batido. João Pinto, que apontou 10 golos na prova, foi eleito MVP da competição. As selecções de Angola, Moçambique e Egipto foram brindadas com medalhas do primeiro campeonato africano. O capitão André Centeno ergueu o troféu de campeã africano, depois de receber das mãos da ministra angolana da Juventude e Desportos, Ana Paula Sacramento Neto, e do presidente da Confederação Africana de Patinagem, o beninense Nathanel Koti.

ELITE
Selecção completa quadro 

Ao sagrar-se campeã continental de hóquei em patins, na primeira edição, a selecção nacional ganhou direito de ocupar a única vaga reservada para a África no Campeonato Mundial de Elite.
Desde a edição de 2017 que a disputa do Campeonato Mundial é feita simultaneamente em três categorias. A mais importante é a Elite. Além de Angola, tem inscritas as selecções campeãs europeia e panamericana, mormente, a Espanha e a Argentina.
A Europa é o continente com a maior representatividade e inscreveu também o vice-campeão (Portugal), o terceiro classificado (Itália) e a quarta classificada (França).
À zona americana cabem três lugares, ocupados, além da Argentina, pelo vice-campeão (Chile) e pelo bronze continental (Colômbia).
Moçambique e Egipto vão a Barcelona, mas para disputar, nas mesmas datas do Mundial de Elite, a Taça Intercontinental, correspondente à segunda divisão. Nesse grupo, já estão inscritos o Brasil, Suíça, Andorra, Alemanha, Austrália e Inglaterra, de acordo com as classificações obtidas nos campeonatos continentais.
Um número maior de equipas vai jogar a Taça Chalenger, que corresponde à terceira divisão. São os casos de Macau, Japão, China, Nova Zelândia, Taiwan, Índia, EUA, Uruguai, México, Áustria, Paises Baixos e Bélgica. 
 
Moldes de disputa
As equipas apuradas para o Mundial são divididas em dois grupos de quatro, que apuram os três primeiros de cada um para os quartos-de-final. A Taça Intercontinental também é disputada em dois grupos similares. Após a disputa interna, apura o vencedor para os quartos-de-final.
O último classificado de cada grupo do Mundial de Elite baixa de categoria e joga as classificativas do 9º ao 16º lugar. O primeiro da Taça Intercontinental tem a possibilidade de jogar os quartos-de-final da Elite e seguir em frente.
Na edição passada do Mundial, Angola começou a competição na Taça Intercontinental. Dominou o grupo e acabou o Mundial de Elite na quinta posição. Os lugares granjeados no Mundial não garantem a participação na prova seguinte. Apenas os campeonatos continentais são qualificativos.
O Campeonato do Mundo era dividido em dois escalões (A e B) entre os anos 1984 e 2015. A divisão A era disputada pelas 16 melhores selecções mundiais, enquanto a divisão B era disputada pelas selecções restantes. 
As competições eram disputadas em anos alternados de modo a que as três melhores equipas do mundial B disputassem o Mundial A do ano seguinte. Em sentido inverso, estavam as três piores classificados de cada Mundial A.