Jornal dos Desportos

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Angola faz balanço do Mundial

Silva Cacuti - 30 de Setembro, 2013

Derrota de Angola frente ao Chile na segunda partida da fase preliminar ditou a sorte dos anfitriões no Campeonato do Mundo

Fotografia: José Soares

O país tem hoje o primeiro dia útil de balanço sobre o que foi o 41º Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins que organizou de 20 a 28 do corrente. A prova foi ganha pela Espanha que, contas feitas, soma 16 títulos mundiais.

Sobre a organização da prova pode-se estar aqui a celebrar a concretização de 100 por cento daquilo a que se propôs o Cohoquei, mas existem algumas contrariedades noutros ramos.

Desportivamente, o nono lugar alcançado não condiz com as ambições iniciais que passavam pela melhoria do sexto lugar.
Carlos Alberto Jaime “Calabeto” nunca falou em números exactos, mas em conferência de imprensa, mais de uma vez, destacou que a preparação da selecção sorveu cerca de 40 por cento das afectações financeiras ao comité organizador.

Este aspecto foi admitido por Gonçalves Muandumba, ministro da Juventude e Desportos.
O marketing do Mundial é algo que reservamos ao tempo para que diga, ele mesmo, sobre a sua eficiência. Distribuir camisolas e outros produtos de marketing nos dias de jogos, fazendo com que uma pessoa que esteja no campo leve, às vezes, cinco peças, não é de certeza o melhor modelo de fazer a prova conhecida pelo país.

Mais, a efémera passagem da mascote pelas cidades do país é algo que só o Cohoquei sabe explicar. Sabemos nós que o Namibe, Benguela e Huíla serviram-se de uma única Caissarinha, que assim não podia ficar simultaneamente numa e noutra província. Elas revezavam-se para mostrar a mascote.

Nos dias da prova a Caissarinha manteve-se rara e, em Luanda, a sua ausência foi suprida por outra mascote alheia ao Mundial. As delegações presentes neste Mundial de nada se podem queixar, no tocante a alojamentos, transportes, alimentação e outros. De casos clínicos, de tão bem preparada que a organização esteve, o Mundial não teve nada de realce. No serviço dos assistentes de recintos desportivos e voluntários, participação da arbitragem angolana, no nível competitivo e na afluência do público aos estádios estiveram os pontos fortes do campeonato.

TRABALHO
"Vivemos uma grande experiência"


Os espectadores viveram momentos ímpares no trato com os membros da ARDS, mas da parte destes a satisfação foi maior. Não que tivessem faltado situações difíceis, mas por um conjunto de benefícios decorrentes do voluntariado e a consciência de que em oito dias prestaram um serviço ao país.
"Eu estou muito feliz comigo mesmo por ter sido voluntário durante este evento", começou Celestino Lopes.

Como que a explicar-se, Celestino, que trabalhou na sala de imprensa, disse que nunca se vai esquecer destes dias.

"Aprendi muita coisa, é uma grande experiência, conheci muita gente nova, senti-me útil durante estes dias. Tenho esperança de que estes dias me venham abrir as portas para um emprego, no futuro", augurou o jovem que já tinha sido voluntário em 2010, aquando do CAN.

Quando voltar ao seu instituto de línguas, o James Center, uma escola no bairro do Calemba II, onde lecciona francês, inglês, espanhol e português, Tiago Moyo é um professor com mais conhecimentos. O desporto tem linguagem própria e isto foi um aprendizado muito importante para aquele tradutor.

"Para mim, trabalhar neste mundial como voluntário já deu ganhos muito importantes. O desporto tem linguagem específica e estar em contacto permanente com os desportistas durante estes dias ensinou-me aspectos da linguagem técnica. Conheci muitas amizades novas. Os meus horizontes são novos e sinto que dei o meu contributo para o sucesso desta organização do nosso país", disse.Os voluntários, assistentes de recintos desportivos e polícias mobilizados para o mundial tiveram formação específica.                SC


COBERTURA
São Tomé e Príncipe
esteve representado

Apesar de não estar inscrito como participante no Campeonato do Mundo São Tomé e Príncipe credenciou três jornalistas da sua agência oficial, que passaram para aquele país a realidade da prova que Angola acolheu de 20 a 28 do corrente, segundo dados do comité organizador.

A delegação santomense em Angola, que veio a convite do Cohoquei, foi encabeçada pelo secretário de Estado santomense para a Juventude e Desportos, Abnildo Oliveira.

As principais incidências do campeonato, as infra-estruturas desportivas e não só, a simpatia e hospitalidade do povo angolano e os caminhos de desenvolvimento que o país trilha foram levados ao mundo por 748 profissionais de comunicação social credenciados pelo comité organizador. Ao todo, oito dos 16 países que disputaram a prova credenciaram jornalistas.

Os profissionais ligados à televisão, rádio, jornais, revistas e blogs vieram dos Estados Unidos (1), Moçambique (4), Itália (5), Espanha (6), Argentina (23) e Portugal (38).

Angola, país anfitrião, cobriu o 41º Campeonato do Mundo com um total de 666 pessoas ligadas à comunicação.
O comité organizador providenciou uma sala de imprensa e outra de conferências de imprensa. Do número avançado, 66 eram operadores de câmara; 54 fotógrafos, 201 serviços gerais e 427 jornalistas.

O Campeonato do Mundo registou 48 jogos em que se apontaram 393 golos. A Espanha venceu a Argentina, 4-3, na final e sagrou-se vencedora, pela quinta vez consecutiva.                                                                    SC


RECONHECIMENTO
Cidadãos elogiam trabalho
de voluntários e assistentes


Uma das grandes lembranças que os adeptos do hóquei em patins vão ter do Campeonato do Mundo que o país organizou em Luanda e no Namibe é a prestação dos Voluntários e Assistentes de Recintos Desportivos (ARDS).

Todas as pessoas ouvidas pela nossa reportagem manifestaram satisfação. A humildade, cordialidade e vontade de ajudar manifestada pelos jovens que actuaram como voluntários nunca foi vista antes.

"Estou a ver os jogos aqui em Luanda desde o primeiro dia e uma das coisas que tenho estado a comentar com o meu esposo é o trabalho destes jovens. Muito positivo.

Sabem abordar respeitosamente as pessoas, são atenciosos, isto sim, é a juventude angolana. Acredito que todas as delegações e adeptos estrangeiros também levam esta boa imagem transmitida por eles", disse Domingas Carvalhal, uma adepta que estava vestida com as cores de Angola para assistir ao jogo da final.
Noutro extremo, encontrámos Timóteo Ngonga que tinha saído de Luanda para ver os jogos da Selecção Nacional na cidade do Namibe.
"Eu sou fã desta modalidade e o espectáculo ficou mais lindo com a actuação destes assistentes e voluntários.

Estão de parabéns os seus formadores. Eu não vi diferença no trabalho deles aqui e no Namibe. Todos em sintonia, não vi empurrões, porque souberam encaminhar as pessoas. Eles sim, ganharam o Mundial", disse.
                                                                                   SC