Jornal dos Desportos

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Modalidades

Dias difíceis para a patinagem huilana

Gaud?ncio Hamelay, no Lubango - 02 de Janeiro, 2017

Dionísio Viegas procura atrair patrocinadores para o hóquei em patins

Fotografia: Jornal dos Desportos

O ano de 2016, foi considerado “bastante difícil” pelo presidente da Associação Provincial de Patinagem da Huíla, Hernâni Santos, tendo em conta as dificuldades que duplicaram à nível de tudo, comparativamente aos períodos anteriores.

A falta de material desportivo, equipamentos, transportes, recintos, entre outros, foram algumas das dificuldades apontadas pelo líder da patinagem na Huíla, como as que marcaram o ano, resultante da crise económica mundial que afectou, igualmente, o sector do desporto.

O dirigente, ao fazer o balanço da época recém finda reconheceu que, apesar destes constrangimentos, as actividades desenvolvidas ao longo dos 365 dias “foram positivas”, pois a modalidade a nível da província, mais uma vez conseguiu resistir a todas essas peripécias.

“Se tivermos em conta as dificuldades que duplicaram em relação aos outros anos a nível de tudo, foi um ano bastante difícil. Aliás, a crise que o país vive também afectou o desporto. Tivemos dificuldades de material, transportes, recintos desportivos, entre outras. Mas sem levarmos muito em conta isso, podemos considerar positivas as actividades desenvolvidas porque a modalidade a nível da Huíla mais uma vez resistiu a todas essas dificuldades”, avaliou.

Em declaração ao Jornal dos Desportos, argumentou que durante o ano, foi possível participar nos últimos nacionais nas categorias de juvenis e juniores.

Destacou que mesmo com dificuldades, o órgão que superintende a modalidade na província, conseguiu realizar a maior prova na categoria de iniciação com a participação de atletas das províncias de Benguela, Huíla e Namibe denominada “torneio Festipatins Coca-Cola”, assim como outros torneios internos de pequena dimensão.

Explicou que essas provas, permitiram manter a modalidade em curso. “Outrossim, nós associação estamos a preparar as nossas duas equipas visando os nacionais de juvenis e juniores, em Janeiro de 2017. Deste modo, podemos dizer que o balanço é positivo”, disse.

Hernâni Santos alertou que a continuar assim com essas dificuldades, as coisas em 2017, poderão não ter o encaminhamento devido, pelo que apelou antecipadamente a nova direcção da Federação Angolana de Patinagem liderada por Hirondino Garcia e os demais interessados a olharem com bastante responsabilidade a situação do hóquei em patins a nível da Huíla e no país em geral.

O homem forte da patinagem nas terras altas da Chela, disse ser vontade do seu pelouro ter o escalão sénior a funcionar na plenitude, todavia por se tratar de uma categoria de adultos com responsabilidades, requer uma série de apoios aos seus atletas.

Deste modo, afirmou estar a trabalhar no sentido de criar condições para que num breve curto espaço de tempo, a província seja um dia representada por uma equipa sénior. “Pedimos desde já a todos interessados que queiram apoiar essa equipa sénior para que este projecto seja possível para discutir com outras formações em provas nacionais”, perspectivou. 

Hernâni Santos sustentou que neste momento, os clubes que possuem esta modalidade, não têm condições para tal.

MASSIFICAÇÃO
Fracassou o projecto
no município de Quipungo


O projecto de massificação de hóquei em patins que estava a ser desenvolvido no município de Quipungo, (que dista à 120 quilómetros, à Leste da cidade do Lubango), foi um dos fracassos registados, confessou o presidente do Conselho Técnico da Associação de Patinagem da Huíla, Nelo Torres.

Nelo Torres afirmou que apesar de a associação ter entregado há seis anos naquela municipalidade 25 pares de patins de nada valeram os esforços porque a condição financeira, condicionou a firmeza da continuidade do ambicioso projecto.

 “Creio que os nossos amigos do sector dos desportos naquele município não estão muito por dentro desta modalidade. Inclusive, há seis anos que entregamos 25 pares de patins lá e nada foi feito porque foi condicionado a certas situações. Uma delas, é mesmo a condição financeira, daí o projecto ter caído em água abaixo”, justificou.

Nelo Torres apontou que com recursos financeiros havia necessidade de se formar um ou dois monitores e árbitros, assim como mandar para aquele município mais material desportivo sobretudo balizas para permitir dinamizar o aprendizado do ABC da patinagem.

Acrescentou que nada disso aconteceu e aliado a isso, o campo polivalente existente no município de Quipungo, também não favoreceu por se encontrar degradado. “E isso, preocupa-mos bastante. Mas agora neste novo quadriénio que fomos empossados, vamos tentar rever este quadro por formas a pôr as coisas no seu devido lugar. O município de Quipungo tem material desportivo básico que é os patins. Por este facto, já dá para colocar a criançada a patinar e criar um "staff" de massificação naquela circunscrição”, garantiu.  

Confirmou que a nível da província debate-se igualmente com sérios problemas da falta de todo tipo de material para desenvolver e expandir a modalidade nos restantes 13 municípios.

Apontou que para manter condignamente o processo de massificação em masculino e feminino, durante o ano, foram obrigados a sacrificar os seus próprios bolsos para comprar material de massificação.

“A nível da província, estamos mal em termos de material. Disser que nós temos evidenciado muito esforço. Eu (Nelo Torres) particularmente e o presidente de direcção da associação Hernâni Santos, tiramos do nosso próprio bolso para comprar material de massificação porque a federação, faz tempo que não nos envia material desportivo. E é sabido que o material é gastável, as botas rasgam, os rolamentos vão a vida, as rodas gastam, etc.”, lamentou.

Acrescentou que as vezes foram obrigados a reciclar o material indo ao mercado informal quer local e Luanda, assim como na compra de outro novo para garantir a continuidade da prática do hóquei em patins na província.

“Fizemos compras com o nosso próprio dinheiro porque temos o hóquei em patins no sangue e não podemos parar. Parar é morrer e o hóquei em patins na província não pode morrer. Daí, estarmos a massificar condignamente os petizes em masculino e feminino”, citou.

NA PROVÍNCIA
Especialidade de corridas
de patins ganha dinâmica


A prática das disciplinas de corridas de patins, patinagem artística, gincana e freestyle, vai ganhar outra dinâmica na província da Huíla durante o ano de 2017, garantiu, no Lubango, o vice-presidente para área de corrida patins na Associação Provincial de Patinagem da Huíla, Gilmar Leonardo.

Gilmar Leonardo confirmou que actualmente a disciplina de corrida de patins a nível do município sede (Lubango) já é praticada por cerca de 200 ou 250 patinadores que patinam em várias artérias da cidade.

“Estamos a começar com a corrida de patins e, em alguns momentos, tencionamos crescer para passar para outros seguimentos da patinagem sobretudo artística freestyle, gincana tudo em função da dinâmica do processo de massificação”, perspectivou.

Referiu que a especialidade da corrida de patins na Huíla, continua numa fase embrionária pelo facto de registar ainda pouca adesão.
Aclarou que as pessoas que praticam esta disciplina fazem-no de forma desorganizada, “mas estamos a trabalhar para ver se conseguimos unir todos eles e criarmos clubes porque queremos começar a ter competições locais e nacionais”.

Para maior fomento, Gilmar Leonardo, apontou ser necessário haver campos, rampas e materiais em condições principalmente patins com caneleiras.
“Estes, são os materiais necessários para se praticar o desporto porque acaba por ser um desporto radical. Então, precisa de mais cuidado relativamente as outras disciplinas”, asseverou.

 Com a vitória do candidato da lista B, Hirondino Garcia, à presidência da Federação Angolana de Patinagem, para o quadriénio de 2016-2020, manifestou, temos esperanças que a massificação e implementação de outras disciplinas de patinagem, será uma realidade. “Agora, o importante é cumprir com as promessas por ele feitas durante a campanha eleitoral”, apelou.
Gaudêncio Hamelay, no Lubango