Jornal dos Desportos

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Eis a o senhor campeonato

Matias Adriano - 21 de Setembro, 2013

Em Angola, o desporto foi sempre uma festa em que todos entram e participam com a mesma vivacidade

Fotografia: Jornal dos Desportos

Chegou a festa e a alegria do povo, que descobriu, faz tempo, no desporto, o escape para as suas agruras, não ficando nunca alheio a este fenómeno aglutinador de massas, como fez questão de provar mesmo nos tempos mais críticos das diferentes etapas do percurso histórico do nosso país, em que a prudência, vezes sem conta, aconselhava ao comodismo caseiro.

Em Angola, o desporto foi sempre uma festa em que todos entram e participam com a mesma vivacidade. Foi assim nos II Jogos da África Central, numa época em que apenas os habitantes dos grandes centros urbanos respiravam com algum alívio. Foi assim nas três edições do campeonato africano de basquetebol por nós organizado. Enfim, foi assim nas outras competições a nível de outros desportos, que, se enumeradas, não caberão aqui.

Ontem, vimos um Pavilhão Multiusos de Luanda pequeno para acolher a mole de gente que lá foi, pese embora a sua vasta capacidade de lotação. O ambiente infundia a percepção de que ninguém queria estar de fora da festa, tendo o primeiro dia de qualquer competição sempre um carácter especial. E o recinto quase rebentou pelas costuras.

Em resumo, tratou-se de uma situação que mobiliza a nossa compreensão, pois em causa estavam, a nosso ver, dois factores: a necessidade de estar presente na cerimónia inaugural de um campeonato do mundo, o que na vida não acontece sempre, e a curiosidade de alguns em estar presente, em carne e osso, num recinto cuja modernidade acabou por emprestar um outro toque de atracção à zona da Camama, e porque não dizer, a Luanda.

Sublinhe-se que além dos factores evocados, também esteve o próprio jogo inaugural da prova, entre Angola e África do Sul. A entrada dos “artistas” no rinque acabou por ser o ponto mais alto do primeiro dia da competição. O público levou a nossa selecção a acreditar que não está sozinha nesta empreitada. O povo sabe personificar a figura de sexto jogador.

Tocaram as cornetas, ecoou no recinto o som de batuques e a vibração, a páginas tantas, tornou o espaço ensurdecedor. Na quadra, os jogadores entusiasmados fizeram a sua parte, mostrando à assistência a sua maturidade competitiva, o seu espírito combativo, a qualidade refinada do seu hóquei em patins.

Sabiam os nossos jogadores na pista, que era preciso começar com vitória, quanto mais não fosse por ser esta a forma de criar empatia com um público que, logo no primeiro dia, deu indicadores de não arredar o pé do recinto sempre que a sua equipa estiver em campo, sempre que a entoação do Hino Nacional exigir mais vozes para a sua cadência rítmica, sempre que mais braços forem necessários para erguer nas bancadas a bandeira que nos representa a todos.

Foi bom o começo. Que a qualidade do nosso jogo não venha a fugir muito àquilo que nos foi dado ver ontem. Já se sabe que Angola nunca aventou a possibilidade de lutar pelo título, reconhecendo no quadro da sua modéstia que no torneio estão presentes os principais papões da modalidade. Mas, fique claro, que não perdeu em face disso a ambição de lutar por uma posição honrosa.

Está dada a “sticada” de saída, o resto agora serão apenas jogos atrás de jogos, esperando-se que o campeonato preencha as conversas do dia-a-dia, que a qualidade do campeonato torne Angola nos dias que se seguem no ponto convergente das atenções desportivas do mundo, que Namibe e Luanda saibam aproveitar este momento particular que, por razões bem compreensíveis, não tiveram as outras 16 províncias.

Claro está que o campeonato está a ser vivido com intensidade em todo o país. Mas é certo que nas duas cidades que o organizam é vivido de forma especial. Sabemos que para os angolanos tudo o que toque a Angola, para o bem ou para o mal, tem em todos o mesmo efeito. Este é o mundial de todos.

Aqui chegados, uma palavra para aqueles que, ao longo de vários meses trabalharam no projecto de organização, empregando o seu saber sem regatear esforços, fizesse chuva ou sol, para que hoje pudéssemos sorrir a toda largura pela realidade do campeonato. Vivamos a festa do hóquei em patins, com entusiasmo e com orgulho do país que temos.


Brilho da Tchianga pinta a noite

Os angolanos concretizam um sonho glorioso. Tão glorioso quanto à dimensão da sua cultura. Da tchianga a Mbinda, o mundo testemunhou o desfile de um povo multicultural. Sob o olhar do Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, a dança do Reino das Lunda prevalece na cavalgada de um Estado soberano. O gingar da mulher tchokwe atraiu os corações que não resistiram ao silêncio.

Aplausos e gritos de felicidade pintaram a sala mais nova do desporto nacional. Adultos e crianças. Jovens e mais velhos. Uma miscelânea que se gaba pela rica beleza do seu país.

Para iluminar o futuro, a dança dos Mbindas, proveniente mais a Norte, Cabinda, varreu o tapete novo do pavilhão multiusos de Luanda. É a cultura milenar. Nos rostos, o sorriso pinta o segredo do coração.

Para coroar a festa, a zona centro do país exibiu a caça, uma cultura que paira nas vidas dos povos que habitam Angola. A unidade à volta da caça é um elemento que proporciona a tranquilidade e comunhão entre os povos. Angola é cultura.

Da região Sul, Namibe trouxe o que de melhor tem. A cultura mucubal. Cadenciados sob aplausos do público, o mundo viu o que de moderno tem Angola. Um passado que se reveste no presente.

Revestido de panos agrestes, os jovens exibiram uma dança que se adapta aos outros tempos. Uma Angola diversificada. A promessa à realidade. A patinagem artística ganhou adeptos confessos. É o caso de João Negrito, um angolano do Uíge. O jovem manifestou sentimento de paixão à patinagem artística. Não resistiu à beleza que proporciona. Do íntimo do seu coração soltou um desejo: ”quero ver a patinagem artística na minha cidade”.

O desejo de João Negrita associa-se ao de centenas de pessoas que se fizeram presente no pavilhão. A cada gesto dos patinadores, um aplauso de alegria. Uma paixão que atrai o coração. Inocente ou não, o belo da patinagem artística ruiu o pessimismo do passado. Lindo.Lindo.Lindo. Palavras mais sonantes soltas com a pureza da alma.

O progresso de Angola ficou patente numa exibição única. As ricas faunas e floras que se estendem nessa parcela africana encantou. As falésias que clamam visitas de turistas, como Fenda da Tundavala, Pedras Negras de Pungo Andongo; os rios Kwanza e Kubango; a reconstrução e construção de cidades, estradas modernas, pontes; o desporto e as suas conquistas são algumas de muitas actividades que crescem com esforço dos próprios angolanos. 

À entrada do Chefe do Estado angolano, na sala VIP foi recebida com muita emoção e aplausos. O promotor do desenvolvimento do desporto nacional abriu a cerimónia do 41º campeonato do mundo. Bem haja o desporto nacional.
Francisco Carvalho


Carlos Alberto Jaime
“Sonho de Angola é uma conquista”


“Os angolanos concretizam hoje (ontem) um sonho glorioso”. As palavras do presidente da Federação Angolana de Patinagem espelham o sentimento que nutre um povo que cresce com esforços próprios.

Carlos Alberto Jaime ressaltou que a inauguração do campeonato do mundo demonstra a veia trabalhadora de um povo que cresce todos os dias.

Para rebater a sua posição, o presidente da Federação de Patinagem revelou que o seu homologo da Federação Internacional de Rink Hockey teria manifestado cepticismo, quanto à capacidade dos angolanos construírem três pavilhões em pouco menos de nove nomes.

O cidadão europeu havia dito que nos países desenvolvidos, as obras levariam 24 meses. Por esse motivo, “Viva Angola e o que era sonho é uma conquista da sua heróica juventude”. O presidente da Federação Internacional de Roller Sport, Sabatino Aracu revelou que está “feliz” por estar em Angola.  O responsável, “este grande evento vai entrar na história do desporto em África e do mundo”.

Sabatino Aracu assegurou que “o desporto é um veículo de crescimento de um país” e por esse motivo agradeceu o Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos. “Obrigado Presidente”, disse.

Os agradecimentos de Sabatino Aracu estenderam-se ao Ministro da Juventude e Desportos, ao presidente da Federação Angolana de Patinagem, Carlos Alberto Jaime, aos voluntários e à população de Luanda.

Apreço
Moçambique
é ovacionada



Das dezasseis selecções presentes, depois de Angola, Moçambique e Portugal foram as mais ovacionadas pelos angolanos, no momento de apresentação. O Brasil ficou na terceira posição e Espanha em quarto. O carinho dos angolanos pode estar ligado à língua.

Não menos importante foi a selecção dos Estados Unidos da América. A selecção que apenas cumpre “calendário” mereceu aplausos fortes dos angolanos. O sentimento de aproximidade cresce desde 1993.

A África do Sul também mereceu o carinho dos angolanos. A aproximação e as boas relações de amizade pesaram no sentimento dos conterrâneos de Orlando Graça, técnico da selecção de Angola. A Argentina, Chile, Colômbia, Alemanha, Suíça, França, Áustria, Itália, foram as menos aplaudidas.


Cohoquei
Delegações cumprem programa social


As delegações presentes no 41º campeonato do mundo de hóquei em patins que Angola acolhe desde ontem têm um plano de actividades sociais traçado pelo Comité organizador da competição.

O referido programa começou a ser cumprido ontem, com a realização de um jantar que juntou os chefes de delegações, diplomatas e patrocinadores do mundial numa das salas do Estádio Nacional 11 de Novembro.

Para hoje o programa reserva a participação numa actividade designada "parada de patinadores" que terá como palco a Baía de Luanda, a partir das 10H00.

No dia 25 as delegações oficiais vão efectuar uma visita de cortesia ao Governo Provincial de Luanda onde serão recebidos, às 16H00, pelo governador provincial Bento Bento.

Recordar que no dia 19 a delegação do Brasil foi homenageada pela Direcção do aldeamento turístico Dream Space. A homenagem visou assinalar o fim da preparação da equipa Sul-americana que decorreu naquele recinto.
Silva Cacuti