Jornal dos Desportos

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Modalidades

Espanha procura do penta

Melo Clemente - 20 de Setembro, 2013

Campeo mundial aguarda por uma estreia auspiciosa com a modesta seleco da Sua que no Campeonato do Mundo de hquei em patins disputado em Montreux fez um brilharete

Fotografia: Francisco Bernardo

Com 15 títulos mundiais conquistados à semelhança de Portugal, a selecção de Espanha, actual campeã em título, está em Angola à procura do penta campeonato mundial consecutivo na 41ª edição do Campeonato do Mundo de hóquei em patins que hoje faz disputar a partida inaugural envolvendo as selecções de Angola, país anfitrião, e África do Sul.

Integrante do Grupo A, juntamente com as similares da Suíça, adversário com quem se estreia a 22 do mês em curso, no gigantesco Multiusos de Luanda, Brasil e Áustria, a selecção espanhola é seguramente o principal favorito à conquista do primeiro lugar do referido grupo e consequentemente um dos candidatos a consagração do mundial, prova que pela primeira vez se disputa no continente berço da humanidade.

Aliás, os quinze títulos conquistados até aqui, dão aos espanhóis o estatuto de candidato número um à conquista da 41ª edição do Campeonato do Mundo de hóquei em patins a par de Portugal que ostenta igualmente o mesmo número de títulos mundiais.

A selecção de Espanha conquistou as últimas quatro edições do Campeonato do Mundo, realizadas em São José (Estados Unidos da América), Montreux (Suíça), em 2007, Vigo (Espanha), em 2009 e San Juan (Argentina), em 2011.

Os espanhóis estão a beira de protagonizar mais um feito na história do hóquei mundial, depois de terem “imitado” a selecção da tuga (Portugal), que foi a primeira a conquistar o tetra mundial. Caso vença a 41ª edição do Campeonato do Mundo de hóquei em patins, competição que será disputada por dezasseis nações, sendo sete do continente europeu, designadamente, Espanha, actual campeã mundial, Suíça, França, Alemanha, Itália, Portugal e Áustria, seis da América, nomeadamente, Argentina, vice-campeã mundial, Estados Unidos da América, Brasil, Colômbia, Uruguai e Chile, Angola, Moçambique e África do Sul, continente berço da humanidade (África), a Espanha tornar-se-á na primeira selecção a conquistar o penta de forma consecutiva.

Os suíços, que na edição de 2007 arrebataram a medalha de prata, serão ao adversário na jornada inaugural da selecção espanhola, numa partida onde os actuais campeões mundiais são claramente favorito à conquista da vitória.

Na segunda jornada, a selecção de Espanha medirá forças com a similar da Áustria, isto no dia 23, partida em que os espanhóis vão passear toda a sua classe, fechando a fase regular frente a selecção do Brasil, no dia 24 do mês em curso.

O campeonato do Mundo de hóquei em patins em seniores masculinos começou a ser disputado em 1936, em Estugarda, Alemanha, prova vencida pela Inglaterra, selecção que falha a 41ª edição do mundial.

A Espanha arrebatou o seu primeiro título mundial, em 1951, competição disputada em Barcelona, Espanha. Portugal foi a primeira nação a conseguir o tetra, seguido dos espanhóis

BRASIL E SUÍÇA BRIGAM
PELO SEGUNGO LUGAR

Com o primeiro lugar do Grupo A a ser assegurado em princípio pelo combinado de Espanha, as selecções do Brasil e da Suíça vão brigar pelo segundo passe de acesso aos quartos-de-final da edição 41 do Campeonato do Mundo de hóquei em patins, a decorrer nas cidades de Luanda e Namibe.

Apesar dos suíços terem conquistado já uma medalha de prata, isto em 2007, contra três quarto lugares do Brasil, os brasileiros apresentam-se como favoritos à conquista do segundo passe de acesso aos quartos-de-final, devido ao período de rejuvenescimento que a selecção da Suíça esta a sofrer nos últimos tempos.

Já a Áustria, selecção sem tradição a nível da modalidade sobre rodas, vai apenas animar a festa da 41ª edição do Campeonato do Mundo de hóquei em patins.


Desistência
Uruguai substitui a Inglaterra


A selecção da Inglaterra, vencedora das duas primeiras edições do Campeonato do Mundo de hóquei em patins, isto em 1936 e 1939, vai falhar a disputa da 41ª edição do mundial, sendo substituído pelo combinado do Uruguai que vai disputar a prova ao lado das selecções da França, Alemanha e Argentina.

Os ingleses alegaram problemas logísticos, como sendo o principal motivo da sua ausência na prova, facto que obrigou o Comité Organizador da 41ª edição do Campeonato do Mundo a admitir a entrada da selecção do Uruguai na prova.

No Grupo B, a selecção da Argentina, actual vice-campeã mundial apresenta-se como principal candidato à conquista do primeiro lugar da fase preliminar. Quatro vezes campeã mundial, nas edições de 1978, San Juan, Argentina, 1984, Novaro, Itália, 1999, Réus, Espanha, e 1995, Refice, Brasil, os argentinos que nas últimas duas edições da prova ficaram com a medalha de prata vão procurar alcançar o quinto título mundial.

Se a selecção da Argentina é o potencial vencedor do Grupo B, a julgar pelo nível de hóquei que tem praticado nos últimos tempos, o mesmo se poderá dizer do segundo lugar que vai pertencer a selecção de França, dado que a Alemanha e Uruguai vão se limitar a não sofrerem goleadas durante a fase preliminar da 41ª edição do Campeonato do Mundo.
M.C


Analise  
“Espanhóis e argentinos são os favoritos”


Maninho Cabral, antigo praticante de hóquei em patins, hoje nas vestes de comentarista da Rádio Cinco, canal desportivo da Rádio Nacional de Angola, apontou as selecções do da Espanha, Brasil, Argentina e França como os principais favoritos dos grupos A e B respectivamente a passagem para os quartos-de-final da 41ª edição do Campeonato do Mundo de hóquei em patins.

“No grupo A, a selecção de Espanha, actual campeã mundial, é a principal favorita a conquista do primeiro lugar da sua série, sendo que o Brasil ficará com o segundo lugar. A Suíça poderá travar uma luta titânica com o Brasil para o segundo lugar mas, a experiência dos brasileiros vai seguramente pesar na hora da decisão do segundo passe. Já a recém chagada a Áustria ao mundo dos grandes – entenda-se- ao mundial A, quase ou nada vai apresentar durante a disputa da fase preliminar da edição 41 do mundial”, disse Maninho Cabral.

Em relação ao Grupo, que integra as selecções da Argentina, actual vice-campeã mundial, França, Alemanha e Uruguai, o analista desportivo para o hóquei em patins da Rádio Cinco, apontou as selecções da Argentina e França como favoritos à passagem dos quartos-de-final.

“No grupo B as selecções da Argentina e França vão assegurar a passagem para os quartos-de-final com maior naturalidade. A Alemanha não é uma selecção homogénea pode aparecer bem como pode não estar nas suas melhores condições, ou seja, é uma selecção intermitente.

Já o Uruguai, selecção que foi repescada em face da desistência da Inglaterra, não terá qualquer possibilidade de disputar o acesso aos quartos-de-final, daí que, argentinos e franceses vão transitar para a fase seguinte com maior normalidade”, finalizou Maninho Cabral, antigo praticante da modalidade.   
M.C


Portugal é a selecção favorita


Líder do ranking mundial com 15 títulos, a par de Espanha, Portugal é a selecção favorita à conquista do grupo C, do Campeonato do Mundo de hóquei em patins, que se disputa a partir de hoje até ao dia 28, nas cidades de Luanda e do Namibe. Integrado com Angola, Chile e África do Sul, Portugal é a única selecção da série C que chegou ao pódio de um campeonato do mundo do grupo A.

O Chile e a África do Sul já foram vencedores do Campeonato do Mundo do grupo B, enquanto Angola não passou de medalha de prata, em 1994, para ter acesso ao grupo dos melhores do planeta.

A equipa liderada tecnicamente por Luís Sénica está em Angola desde o passado dia 15, com objectivo de recuperar o título, ganho pela última vez em 2003, em Oliveira de Azeméis (Portugal). A travessia do deserto perdura há dez anos e a equipa quer gravar o seu nome como a primeira selecção a conquistar o campeonato do mundo em África, um objectivo manifestado pela direcção da Federação Portuguesa de Patinagem.

Recheada de estrelas da nova geração, os “ursos”, como são conhecidos, prometem marcar a história do hóquei em patins português. A ansiedade pela conquista do título domina a delegação e nenhuma alma está céptica. Em linguagem uníssona, os ursos aspiram ao 16º título mundial, demarcando-se de Espanha, na liderança do ranking mundial.

Angola e Chile vão discutir o segundo lugar de acesso aos quartos-de-final. Com um histórico favorável para a selecção de Angola, em partidas entre si, os chilenos têm pouca possibilidade de contrariar os anfitriões, que definiram o quarto lugar como meta.

Os angolanos liderados por Orlando Graça preparam o Campeonato de Mundo de 2013 há dois anos. Ao longo deste tempo, tiveram participações em diferentes torneios internacionais. A conquista da Taça de Vindimas (Argentina) e do Troféu José Eduardo dos Santos (em Malange), assim como o terceiro lugar no Torneio das Nações, em Montreux, Suíça, constituem indiciadores para uma boa participação.

No percurso histórico do Chile, a melhor classificação de sempre foi o quarto lugar, no Campeonato do Mundo realizado em San Juan, em 1989. A equipa chilena ficou atrás da Itália e a Espanha ficou com a medalha de ouro, enquanto Portugal se contentou com a de prata.

O Chile conquistou a medalha de ouro no Campeonato do Mundo do grupo B, em 1998, disputado em Macau. A mesma sorte não teve nos mundiais de 1988, na Colômbia, e 1994, em casa. Neste último, Angola disputou a final com a França, enquanto a equipa anfitriã disputou a classificativa de terceiro lugar com a Colômbia. Nas duas competições, os chilenos contentaram-se com as medalhas de bronze.

A África do Sul pode ser o “outsider” do grupo, tendo em conta a composição do conjunto. A naturalização (em massa) de argentinos pode ser uma surpresa desagradável para os adversários. A conquista da medalha de ouro no Campeonato Mundial B, realizado em 2012, em Canelones, África do Sul, é um indicador a considerar.


TOY ADÃO
Angola e Portugal
são os candidatos


O ex-internacional angolano Toy Adão está crente na passagem de Angola aos quartos-de-finais do Campeonato Mundial de Hóquei-em-Patins, que começa hoje no pavilhão multiuso de Luanda. O jogador de hóquei-em-patins, que actuou durante 18 anos consecutivos na selecção nacional, afirma que Angola tem tudo a seu favor para acompanhar Portugal à fase seguinte.

Toy Adão assegura que a boa preparação da equipa nacional faz antever a concretização do sonho angolano: melhorar o sexto lugar obtido no campeonato do Mundo de Vigo, Espanha, em 2007.

Quanto a Portugal, Toy Adão assegura que os ursos pertencem a outra galáxia e é a candidata certa para vencer o Grupo C. Sobre o Chile, o ex-internacional angolano diz desconhecer os níveis competitivos actuais, mas admite que tem sido uma selecção que faz “sola-sapatos” aos angolanos em todas as competições em que se encontram. Portanto, “os tempos mudam e consigo as realidades de cada equipa”.

A África do Sul, na perspectiva de Toy Adão, é o “outsider” da competição, tendo em conta a força que traz para o campeonato mundial do Grupo A. Na qualidade de campeão do Grupo B, os sul-africanos podem surpreender Angola e Chile.

Itália e Moçambique
visam os “quartos”

Na abordagem do grupo composto por Itália, Moçambique, Colômbia e Estados Unidos da América, Toy Adão sugere que três equipas vão lutar para a passagem à segunda fase.

Apesar da boa qualidade dos italianos, Toy Adão afirma que os moçambicanos e colombianos protagonizam um duelo que vai animar o grupo. A renovação da selecção italiana e colombiana vai procurar ofuscar os moçambicanos, cabeça de série do Grupo D. O quarto lugar obtido na última edição do mundial em San Juan, Argentina, pela selecção do Índico, vai ser justificado.
Os EUA, segundo Toy Adão, têm uma selecção que anima as competições mundiais.
F.CARVALHO


GRUPO D 

Selecções da Itália e Moçambique partilham favoritismo


O grupo D do Mundial de hóquei em patins de 2013 vai desfilar no pavilhão Welwitschia mirabilis, na cidade do Namibe. A brisa do deserto pode constituir no handicap para as duas principais candidatas: Itália e Moçambique. Os europeus aparecem como candidatos à liderança do grupo, face ao seu historial, mas os africanos do Índico são o quarto classificado do Mundial de San Juan.

A experiência italiana e o desejo dos moçambicanos em continuar a fazer história vão liderar a motivação. Os espectadores podem contar com bons jogos em perspectiva.

No ranking de medalhas de ouro, os italianos aparecem em terceiro lugar, ex-aquo com os argentinos, em quarto, ambas com quatro títulos. Os africanos têm apenas uma medalha de ouro no Campeonato de Mundo do grupo B, em 2006, em Montevideu.

A renovação no plantel dos europeus pode pesar na hora do ajuste de contas com os africanos. Apesar de jogarem num campeonato mais forte, os italianos vão deparar-se com um conjunto que está compacto há mais de dois anos. Os atletas da selecção do Índico, que ocupou o quarto lugar no último Campeonato do Mundo, mantêm-se e o treinador do conjunto de Moçambique já avisou a negação: “melhorar a classificação anterior”.

Entre a injecção do sangue novo e o desejo de voltar às glórias, os italianos vão passar pelo crivo dos africanos. A equipa treinada por José Querido quer subir ao pódio pela primeira vez, desde que voltou ao grupo da elite mundial, em 2006. A percentagem de favoritismo de liderança do grupo está repartida a meias.

Não menos importantes são as selecções dos EUA e da Colômbia. Os norte-americanos vivem aos solavancos. Depois de subirem à elite mundial, em 2008, tiveram a mesma experiência em 2010. Nos dois mundiais do grupo B, lograram o título.  A Colômbia juntou-se aos norte-americanos em 2008 e, desde então, nunca mais desceu de divisão. No seu quinto ano consecutivo na elite mundial, os colombianos prometem fazer boa figura. Em 2012, no Troféu José Eduardo dos Santos, os colombianos deixaram indicadores de progressão. O trabalho do seleccionador espanhol Fernando Sierra está a surtir efeito.

A realização do Mundial de Sub-20, na cidade de Cartagena das Índias, no final de Outubro, constitui também fonte motivadora para os colombianos. A par de Moçambique e Itália, Colômbia é a terceira selecção com possibilidades de chegar aos quartos-de-final. F.  CARVALHO