Jornal dos Desportos

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Modalidades

Espanha conserva o título mundial há dez anos

João Francisco - 30 de Setembro, 2013

Selecção da Espanha vergou a Argentina na final do 41º Campeonato do Mundo que decorreu no pavilhão multiuso de Luanda e mantém hegemonia na modalidade

Fotografia: AFP

A selecção de Espanha não deixou os seus créditos por mãos alheias no 41º Campeonato do Mundo de hóquei em patins que Angola organizou, ao conservar o título que ostenta há cerca de dez anos.Os espanhóis começaram a sua trajectória no grupo (A), com sede no pavilhão multiusos de Luanda, de onde nunca mais saíram, como todos os vencedores da fase de grupos deste Mundial.A Espanha terminou a sua fase de grupos com nove pontos, fruto da vitória sobre a Suíça (9-1), a Áustria (11-0) e o Brasil (5-3).

Nos quartos-de-final derrotou a França (5-3), nas meias-finais bateu o Chile (7-0) e na final venceu a Argentina (4-3), arrebatando assim o 16º título.Jogadores como  Jordi Androher, Jorge Bargallo, Sergi Fernandez, António Perez, Mac Gual, Xavier Barroso, Josep Selva e Pedro Gil, bem comandados pelo técnico Carlso Feriche, foram considerados pelo nível técnico/táctico, a equipa ideal do Mundial.

A Espanha tem dominado o hóquei em patins mundial, nos últimos dez anos, com a conquista do troféu nas últimas cinco edições. Com um total de 16 títulos, mais um que o seu arqui-rival, Portugal (15), a Espanha começou a abrir a sua galeria de troféus no longínquo Campeonato do Mundo de 1951, em Barcelona (Espanha).Fez o “bis”na mesma cidade, em 1954 e continuou a senda de vitórias em Milão - Itália - (1959), de novo em Barcelona – Espanha (1964), em S. Paulo - Brasil (1966), em San Juan - Argentina (1970), em La Corunha – Espanha (1972), em Oviedo - Espanha (1976), em Talcahuano – Chile (1980) e em San Juan - Argentina (1989).A Espanha fez uma pausa de cerca de 12 anos e voltou a vencer em San Juan – Argentina (2001). Bisou em 2005 (San José) e não largou mais a medalha de ouro, nas suas passagens por Montreux (2007), Suíça (2009), Vigo (2011) e Luanda (2013).

NAS MEIAS - FINAIS
Argentina derrotou Portugal


A selecção da Argentina é sempre recordada – pelos portugueses – quando o tema de conversa for o Mundial de 2013. Portugal foi afastado “in-extremis” pela Argentina, nas meias –finais do campeonato, tendo sido relegado pela segunda vez consecutiva para o terceiro lugar.A Argentina celebrou o golo de ouro no prolongamento, depois do empate a uma bola no tempo regulamentar, relegando Portugal para a disputa do terceiro lugar.De resto, a Argentina, acabou por ser a segunda melhor equipa do 41º Mundial por mérito próprio. Basta recordar que esteve no Grupo B, sedeado no Namibe, onde venceu a França por 3-1, a Alemanha por 5-2 e o Uruguai por 7-0.Os argentinos, comandados por Carlos Coria, assentaram a sua filosofia de jogo no seguinte “dez”: Valentin Grimalti, Dário Fernandez, Matias Pascual, Paulo Solar, Carlos Nicolia, Esteban Balos, Mario Figueiroa, Matias Paltero, Carlso Chimino e Daneiel Merino.  JF

HOSPITALIDADE
Técnico alemão compara Mundial
aos Jogos Olímpicos de Barcelona


A forma rigorosa como o Cohoquei organizou ao detalhe o 41º Mundial de Hóquei em Patins, mormente a questão do transporte para as selecções, tradutores e guias turísticos, surpreendeu positivamente o seleccionador alemão, Michel Neubauer. O seleccionador revelou ontem à Angop que a organização do Mundial inédito em África reflectiu-se esencialmente em questões mínimas, como é o caso da distribuição dos transportes por selecções (uma para cada selecção), a formação, distribuição e educação dos guias turísticos, além da qualidade dos pavilhões, hotéis e aeroportos.

“O pavilhão, muito organizado, com muita gente boa, disponível em ajudar. Só faço comparação com os Jogos Olímpicos de Barcelona/92. Joguei lá e teve muita gente com espírito de entreajuda. Em cada cinco metros encontrava-se alguém a querer ajudar e é igualzinho em Angola”, lembrou.O alemão, arquitecto de profissão, revelou um segredo: “Pensávamos que íamos ter um caos, que nada ia funcionar, mas no final foi tudo muito bom. Já estive em vários campeonatos do mundo e não vi até agora um campeonato tão bem organizado como este.

Todas as equipas tinham autocarro, tradutores e guias turísticos, o que é positivo”, reforçou.Michel Neubauer, que regressou a Angola quatro anos depois da sua primeira visita, leva para a Alemanha um carinho “muito especial” do povo angolano, do Namibe em particular, por serem simpáticos, educados e sempre disponíveis em ajudar e interagir.

FINAL
Público delira nas bancadas


Embora os protagonistas da noite fossem estrangeiros, o Pavilhão Multiusos de Luanda registou sábado, na final do Campeonato do Mundo, uma enchente equiparada apenas à do primeiro dia (cerca de dez mil espectadores), marcado com a espectacular e encantadora coreografia da cerimónia inaugural e pela estreia vitoriosa da Selecção Nacional frente à África do Sul (8-2). Diferente dos dias em que o “cinco nacional” entrava em cena e pela força do nacionalismo ou patriotismo que levava a maioria dos citadinos a vestir as cores da bandeira nacional (vermelha, preta e amarela), sábado o azul e branco (da Argentina) e o amarelo e vermelho claro (da Espanha) deslumbravam na plateia.

Todavia, a “torcida” espanhola era mais numerosa e vistosa porque se viu reforçada por alguns angolanos e pessoas de outras nacionalidades. Além disso, exibia-se de trajes com as cores características da bandeira deste reino. A sul-americana contou mais com simpatizantes de outros países do que de argentinos.

Bom jogo e muita “adrenalina” nas bancadas. Equilíbrio entre os contendores, mas a Espanha mais esclarecida e ousada, o que lhe permitiu chegar ao intervalo à frente do marcador, com dois golos de vantagem. Na segunda parte, foi novamente a Espanha quem se adiantou no placar, por intermédio de Gual (aos cinco minutos), mas a claque da Argentina continuava "insurrecta", fazendo transparecer que nas bancadas existia um outro desafio, paralelo ao que se assistia no campo.

Saltos, gritos, aplausos, cânticos e som ruidoso de vuvuzelas dominavam o ambiente na plateia. A festa era tão contagiante que até integrantes de outras delegações participantes na prova também aplaudiam os lances capitais da aliciante final. Os apoiantes argentinos tornaram-se mais eufóricos quando aos 12 minutos Nicolas reduziu o resultado. Daí em diante a agitação no Pavilhão jamais cessou. A frenética vibração entre os aficionados inspirou Platero, que aos quatro minutos encurtou o marcador e a dois minutos do fim restabeleceu a igualdade no Pavilhão Multiusos de Luanda.

Verdadeiro delírio nas bancadas. Só que a Espanha, imbuída do espírito de defender o título de campeã, não atirou a toalha ao tapete e aos 18 minutos, Gil (eleito melhor jogador do campeonato) repôs a ordem na noite, apontando o tento da vitória e, consequentemente, da consagração da Espanha como pentacampeã. O jogo terminou, mas a festa prosseguia nas bancadas, e teve como momento mais alto o erguer da taça pelo capitão espanhol. Desmontado o cenário, a emoção continuou no exterior do pavilhão, desta feita, com fogo de artifício, num show de aproximadamente 30 minutos, simbolizando o encerramento do Rola Angola’2013.