Jornal dos Desportos

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Modalidades

Federao distinguie ex-praticantes

16 de Setembro, 2013

Bastos de Abreu foi o mais ovacionado da noite na cerimnia que contou com a presena de mais de duas centenas de pessoas

Fotografia: Jornal dos Desportos

A Federação Angolana de Patinagem (FAP) homenageou na noite de sábado em Luanda várias individualidades do hóquei em patins, com destaque para o antigo seleccionador nacional, Bastos de Abreu, que se apresentou com a saúde debilitada.

A cerimónia, inserida no programa do Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, decorreu na sala de conferências do complexo Dream Space e contou com a presença de muitas figuras ligadas ao desporto nacional. Bastos de Abreu foi aclamado por mais de 250 pessoas.

Antes da homenagem, realizou-se um jogo entre as antigas vedetas e a nova geração do hóquei em patins, onde o resultado não esteve em causa, mas o convívio.
O principal homenageado teve uma oferta de 100 mil kwanzas, de dois empresários da província de Malange.

Adriano de Almeida, um dos administradores do Banco Privado Atlântico, patrocinador do evento, ofereceu à FAP um cheque simbólico no valor de sete milhões de kwanzas.

O presidente da FAP, Carlos Alberto Jaime, disse que o valor é entregue a todos os homenageados, mas a prioridade recai para os mais necessitados.
Entre os homenageados estão Nelson Costa, Nelson Amado “Sony”, Aníbal Mendonça, Toy Gaspar, Deslandes Rafael, Jorge Bachiesa, Carlos Fragata, Toy Adão. A título póstumo, Norberto de Castro “Totas”, Domingos Marinho e Miguel Pataca foram galardoados com um diploma de honra e reconhecimento e uma medalha.
Esta foi a primeira homenagem aos antigos praticantes de hóquei em patins, a poucos dias do início do Campeonato do Mundo.

O Pavilhão Multidesportivo de Luanda,  palco da cerimónia de abertura e de encerramento do Campeonato do Mundo é inaugurado amanhã. Angola e África do Sul abrem a competição na próxima sexta-feira.

VATICÍNIO
Ex-dirigente coloca Angola
nas meias-finais do Mundial


O responsável da massificação do hóquei em patins na década de 1970, António Necas Ferreira, vaticinou a presença de Angola nas meias-finais do Campeonato do Mundo que começa na próxima sexta-feira em Luanda. O especialista sustenta que a Selecção Nacional tem “qualidade e possibilidades” para constar entre as quatro melhores da competição.

Os feitos que originaram o aparecimento dos continuadores do hóquei em patins angolano, nos anos de 1970 e subsequentes foram reconhecidos durante uma gala realizada no complexo Dream Space, em Luanda, que contou com a participação de antigos atletas, técnicos e dirigentes.

O antigo hoquista do Benfica de Luanda afirmou que se não houver surpresa no Campeonato do Mundo, a Selecção Nacional, com as suas potencialidades, qualidade competitiva e técnica, vai disputar os jogos com qualquer adversário e chegar à meia-final.

“Não é uma utopia pensar neste lugar; é uma questão de se configurar factores”, sustentou, apontando as “excelentes” condições técnicas que o cinco nacional apresenta para efectuar uma prova que orgulhe todos os angolanos e manter a afirmação da modalidade sobre rodas no mundo.

Necas Ferreira apontou Portugal e Espanha como fortes candidatos ao ceptro, admitindo a possibilidade de Itália e Argentina possuírem pergaminhos para discutir o título em pé de igualdade.

VALTER NEVES
Capitão português promete o título

Valter Neves, capitão, e Ricardo Barreiros, vice-capitão dos “ursos” garantem que a selecção portuguesa está confiante na conquista do título mundial de hóquei em patins.

Valter Neves, que rende Reinaldo Ventura, surge com 117 internacionalizações, e Ricardo Barreiros com 103. Sentem que “Portugal está cada vez mais perto de um novo ciclo de vitórias” e apoiam-se nas “boas prestações em termos de clubes que o hóquei português tem vindo a mostrar”.

O que está diferente, de acordo com os jogadores, “são as últimas vivências em várias competições”, como por exemplo no último campeonato na Europa em que sentiram a fuga da vitória “por pouco”.

Em relação ao desempenho da selecção portuguesa, após quatro semanas de estágio, Ricardo Barreiros, jogador do Benfica, garantiu que “tem havido um empenho muito positivo de todos” e estão preparados para levar Portugal a sagrar-se campeão do mundo, um feito que não se repete desde o Mundial de 2003, em Oliveira de Azeméis.

Ricardo Barreiros esclareceu ainda que “o panorama do hóquei português é distinto do que se tem visto nos últimos anos” e estão num ponto óptimo para disputar um campeonato do mundo, “porque o hóquei português atingiu este ano patamares que não tinha atingido nos últimos anos”.

Os dois jogadores defendem que estão preparados e não existem dificuldades que os assustem. No entanto, Valter Neves aponta o facto de ter Angola a jogar no grupo de Portugal como algo a que a equipa precisa de ter atenção.

“O facto de termos Angola no nosso grupo pode ser uma dificuldade, por jogar em casa e por ter feito um grande investimento na organização deste evento”, disse
Portugal estreia-se no Mundial no dia 22 frente à selecção do Chile. Na segunda jornada, joga com a África do Sul e encerra a fase de grupos com a anfitriã, Angola.

URSOS
Selecção de Portugal chega com confiança

O vice-presidente da Federação de Patinagem e chefe da comitiva, Paulo Rodrigues, garante que a selecção portuguesa traz a Angola uma grande dose de confiança na conquista do título mundial.

A realização do Campeonato do Mundo no continente africano é uma situação que agrada ao dirigente português, que realçou a importância para a divulgação a nível internacional. Paulo Rodrigues disse que o Campeonato do Mundo estava para se realizar em Moçambique, em 2011, mas não aconteceu e Portugal foi o único país que deu o apoio para que se realizasse em Angola.

O dirigente acrescentou que a Federação portuguesa entendia que era “importante”, para a difusão do hóquei em patins, que o Campeonato do Mundo se realizasse no continente africano e desde a primeira hora deu o apoio a Angola para que fosse em 2011.

“Não foi possível, porque o Comité internacional decidiu que o campeonato ia para San Juan, na Argentina”, disse.

Mesmo assim, e conforme referiu Paulo Rodrigues, a Federação portuguesa não desistiu e voltou à carga para 2013.
“Portugal era candidato à organização do Mundial de 2013. Abdicámos dessa candidatura com a condição de que ela fosse entregue a um país do continente africano. Angola candidatou-se e Portugal, mais uma vez, desde a primeira hora, apoiou”, continuou o dirigente.

Com esta aposta da realização da prova em África, as expectativas de Paulo Rodrigues de que “Angola saiba capitalizar todo o movimento em torno do hóquei em patins, no pós-Mundial, são bastante elevadas”.

Paulo Rodrigues assegura que para “ser grande não basta ostentar um símbolo ao peito, mas se se der um pouco de si à modalidade sem olhar ao interesse, com certeza aparecem mais praticantes no Mundo inteiro”.

“É isso que se pretende para o hóquei em patins. Daí Portugal ter sempre apoiado Moçambique e Angola na organização de um Mundial. E ficamos orgulhosos, mesmo abdicando de organizar no nosso país, e ainda para mais num país de língua oficial portuguesa e com o qual temos laços históricos, laços de amizade e de cooperação”, referiu.