Jornal dos Desportos

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Modalidades

Fraca aposta inibe sector feminino

29 de Setembro, 2013

Árbitra angolana Patrícia Costa mereceu elogios da Federação Interacional de Roller Sports

Fotografia: José Soares

A ausência de políticas sérias na massificação do hóquei em patins feminino reduz o interesse das mulheres na prática da modalidade, disse, no Namibe, a ex-internacional angolana Patrícia Costa.

Patrícia Costa reconheceu, sobre o estado da modalidade na vertente feminina, existir actualmente pouco interesse das meninas pelo hóquei em patins, por faltar seriedade na prossecução das políticas gizadas.

A ex-hoquista, que integrou a primeira selecção a competir num mundial da categoria (Argentina 1998), lembrou que existe hóquei em patins feminino em massificação em Luanda, embora em número não satisfatório na sua óptica, mas receia que as mulheres desistam, porque, pelo que diz saber, até agora não há apoio.

Recordou que representou por duas vezes Angola no campeonato do mundo. "Se tivéssemos apoio, tínhamos ido muito longe porque conseguimos alcançar lugares interessantes sem muito tempo de prática”.

Agora com 36 anos, quinze dos quais dedicados ao hóquei em patins, a ex-atleta formada no Petro de Luanda referiu que Angola é um país de desporto, porque existe “muita matéria-prima” e, com técnica natural apurada e aposta séria, "o país era potência" na modalidade.

Patrícia Costa, que teve uma curta passagem pelo hóquei amador sul-africano, sugeriu maior divulgação da modalidade, pois o desconhecimento da sua existência impede a sua progressão. Explicou que mesmo a nível masculino, existem poucos praticantes, por falta de divulgação, perspectivando que a realização do mundial venha ajudar a atrair praticantes, pois o hóquei em patins é uma modalidade fácil de aprender, quando se ultrapassa a etapa de patinagem.

“A nível masculino encontramos as mesmas dificuldades, há problemas por falta de campos. O da cidadela por vezes encontra-se ocupado com outro tipo de actividades que não são desportivas”, desabafou a ex-defesa-médio do Petro e do Hóquei 2000, ambas equipas de Luanda.

Nesta vertente, espera que as províncias de Malange e Namibe, antigas potências, tenham responsabilidades de massificarem a modalidade, através dos pavilhões que foram construídos, respectivamente, por ocasião da realização do Torneio Internacional Zé Du e da 41.ª edição do Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins.


Eliminação de Portugal
Fernando Claro acusa arbitragem


Portugal perdeu por 1-0, com um golo de ouro, frente à Argentina, em jogo das meias-finais do Mundial de Hóquei em Patins disputado no pavilhão Multiusos de Luanda. O resultado, fortemente contestado pela equipa portuguesa, afastou Portugal da final frente à Espanha, parelha que já havia sido vaticinada por muitas equipas participantes na competição.

O Presidente da Federação Portuguesa de Patinagem, Fernando Claro, criticou a arbitragem. «Este campeonato, o primeiro em África e em Angola, ficou manchado pela própria Federação Internacional», disse Fernando Claro, que acusa este órgão de «fazer turismo com a equipa de arbitragem, em vez de analisar o trabalho de cada jogo».

«É grave que um árbitro espanhol tenha vindo apitar este jogo», disse exaltado, lembrando ainda que já no jogo com a Itália «este árbitro havia cometido erros graves». Claro foi duro nas palavras e, sem rodeios, acusou a Federação Internacional de não respeitar a modalidade e estar por isso «a dar cabo do hóquei» e que este é segundo mundial consecutivo em que Portugal é «prejudicado pela arbitragem».

Luís Sénica, seleccionador português e campeão europeu de clubes, não perdeu, no entanto a motivação: “O golo é limpo, não nos vai tirar do nosso caminho.”

A história repete-se

Portugal viu um golo ser anulado a dois minutos do fim e sofreu já em tempo de compensação o golo da "morte", ficando assim pelo caminho o sonho de jogar uma final.

De recordar que esta é a segunda meia-final que a selecção lusa perde com a Argentina, o que dá um gozo especial aos latino-americanos. “Ganhar a Portugal tem o sabor de não conseguir tirar este sorriso”, exclamou Carlos Chimino, capitão da equipa argentina.

“Foi Luis Sénica que me tornou jogador de novo, agradeço-lhe muito, respeito-o, mas merecemos ganhar”, acrescentou o hoquista argentino.

ENCERRAMENTO
Fim em luzes de fogo 


A luz desfalece em noite alegre. Um jardim reluzente pinta o breu de Luanda. O sorriso e a felicidade divinizam o melhor do hóquei em patins. Em cada coração a saudade é angolana. É o adeus ao campeonato do mundo, Angola’2013.

Calaram-se o rolar de patins nos pavilhões de Luanda e do Namibe. O frenesim do fim de dia no multiusos de Luanda e na Welwitschia Mirabilis dá lugar ao silêncio do vento. As conversas avulsas sobre a patinagem trocam de aldeias. As ruas e bairros. Encontros de amigos e de compadres. Praias e praças. Mercados e lojas assumem-se como os novos parlamentos para abordar o hóquei em patins. Está consumado o sucesso do campeonato do mundo, Angola’2013.

Sob o olhar do Presidente da República de Angola, José Eduardo, a bandeira espanhola exibiu-se na pista do pavilhão multiusos de Luanda. A Catedral do 41º campeonato do mundo de hóquei em patins. Enfileirada, a equipa penta-campeã despediu-se do público com fogo-de-artifício e abraços. Aplausos e gritos.

O hino de Angola rompe o pavilhão. Cai o pano do mundial mais bem organizado de sempre. Nas malas e nos pensamentos dos atletas e de dirigentes das selecções estrangeiras estão guardadas lembranças de Angola. De um campeonato bem organizado e exemplar. De um mundial que revoluciona o hóquei em patins. Inigualável. Único. Adjectivos que vem da alma de treinadores e de responsáveis. Palavras sinceras que reconhecem a verdade. Pura e simples como Angola.

O campeonato mundial de hóquei em patins, Angola’2013, tem características ímpares da cultura de Angola. Da fauna e flora. Da gente e riqueza. Do charme e beleza. Da cordialidade e hospitalidade.

Da Alemanha saiu a confissão: “Vamos com saudade”. De Angola e das suas obras. Do desenvolvimento e do progresso. Uma verdade de reconhecimento. Michael Neubauer leva consigo motivos de felicidade. O hóquei em patins mundial ganha pela primeira vez na sua história pavilhões que “não há na Europa”.

O Mundial de Angola foi o concretizar da tenacidade do seu povo. Uma geração de homens que ergue o mundo com esforço próprio. Os angolanos concretizam um sonho glorioso.
FRANCISCO CARVALHO