Jornal dos Desportos

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Jornalistas estão satisfeitos

Gaudêncio Hamelay, no Lubango - 25 de Setembro, 2013

O Welwitsha Mirabilis é actualmente o cartão-de-visita da cidade do Namibe que acolhe uma das séries do mundial

Fotografia: Kindala Manuel

Os jornalistas da Argentina e Itália que participam na cobertura do Campeonato de do Mundo de hóquei em patins que Angola acolhe e se realiza pela primeira no continente africano, qualificaram de “maravilhosos” o Pavilhão Multiusos de Luanda e o Welwitsha Mirabilis do Namibe, construídos no âmbito da prova.

Marcellu Bulgarelli, jornalista e dirigente da Federação de Hóquei em Patins de Itália, confessou ontem ao Jornal dos Desportos estar maravilhado com as infra-estruturas desportivas encontradas em Angola, o que vai contribuir no futuro para o desenvolvimento e massificação da modalidade.

O jornalista sublinhou que os pavilhões impressionam qualquer pessoa que os visita. “Aqui, o Namibe possui um bom pavilhão com o respectivo piso. E o de Luanda, então, é espectacular. É o melhor pavilhão que já vi para a prática do hóquei em patins”, valorizou.

De acordo com o italiano, o único reparo a fazer tem a ver com o espaço da sala de imprensa nos dois pavilhões, o que dificulta o trabalho da comunicação social. “De resto, está uma maravilha”, louvou.

Ao especificar aquilo de que não gostou nas salas de imprensa, realçou que a do pavilhão do Namibe é muito pequena para um primeiro mundial a realizar-se em África. Marcellu Bulgarelli sublinhou haver muitos jornalistas de Angola e estrangeiros a fazerem a cobertura jornalística impossibilitados de ter acesso à sala.

“Creio que faltam condições nas salas postas à disposição dos jornalistas, porque não existe espaço suficiente para trabalharmos bem acomodados”, sublinhou.
A título de exemplo realçou que em San Juan, há dois anos, todo o pavilhão na parte alta era reservado aos jornalistas, com 50 cadeiras, e uma outra pista era destinada à imprensa. “Aqui não encontrámos isso. Onde funcionam as rádios e televisões é complicado. Por isso, este é o único reparo que faço para benefício da nossa profissão”, disse.

“No tocante aos pavilhões, congratulo-me com os esforços evidenciados pelo Governo angolano para proporcionar as melhores condições ao evento, para que seja um êxito total”, afirmou Marcellu Bulgarelli.

 Enzo Ricardo Muñoz, jornalista da Rádio de La Paz, San Juan, Argentina, disse estar surpreendido com a organização e construção dos pavilhões, por serem muito eficazes. Para ele, trata-se de uma prova que está a decorrer sem sobressaltos e dentro das expectativas dos participantes. “No que diz respeito à sala de imprensa, sentimos ter sido uma pequena falha”, manifestou.

FORASTEIROS
Ressaltado espírito festivo


Ricardo Ariel Ortiz é jornalista da Rádio da Rede Mendoza, na Argentina e está no Namibe para narrar ao seu país as incidências do primeiro Mundial africano da modalidade.

Habituado a estes grandes palcos desportivos, afirma sem modéstias que Angola surpreendeu o Mundo, com pavilhões de excelente qualidade, pouco vistos em países já tradicionais na prova.

“A organização parece-me sensacional e brilhante em matéria de infra-estruturas. São pavilhões à altura do melhor nível mundial e que na América temos em poucos lugares”, sublinhou.

Para ele, só há um aspecto que deve ser melhorado, o das comunicações telefónicas e a rede de Internet, para que a organização de Angola possa entrar para a história. Ainda assim, reafirma que o Mundial é um sucesso, sobretudo pela forma acolhedora e a vibração do público nas bancadas.

“Parece-me um povo muito educado e divertido, que faz muita festa”, concluiu o profissional, para quem a Argentina tem boas hipóteses de voltar a erguer, em Angola, a taça de campeão do Mundo.

Nestor Leturcano também é relator desportivo. Trabalha para a Rádio Voz de San Juan, igualmente na Argentina. Tal como o seu compatriota, diz estar a testemunhar uma festa linda em Angola, tanto no rinque de jogo, como nas bancadas.

“Temos de felicitar o povo angolano por todo o esforço. São magníficos cenários e com lugares maravilhosos. Nunca vi um cenário como este”, comentou.
Afirma, também, que ultrapassados os problemas de comunicação e transmissão por via Internet, Angola tem tudo para estar na história da realização dos mundiais de hóquei em patins.

“Solucionando isso, o resto é espectacular. O público daqui é maravilhoso e faz uma festa colorida, com uma predisposição que noutros lugares do Mundo pouco vejo”, concluiu.

MUNDIAL DE HÓQUEI
Arena regista pouca assistência

A população do Namibe mostra-se muito distante do Pavilhão Arena Welwitschia Mirabilis, onde se realizam os jogos dos grupos B e D do Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins.

Depois  de ter registado boa assistência no primeiro dia, cerca de dois mil espectadores, a segunda jornada registou pouca afluência de público. Dos cerca de três mil lugares existentes no Pavilhão Welwitschia, apenas 700 a 800 lugares têm sido ocupados  pelo público.

A localização do recinto e a fraca movimentação da modalidade na província do Namibe são apontadas como factores da pouca afluência da população ao Arena.

IMPRENSA SEM
COMUNICADOS


A primeira fase do Campeonato do Mundo está concluída, mas a organização continua sem distribuir comunicados dos jogos dos grupos B e D, realizados na cidade do Namibe.

Os jornalistas têm de fazer contas para estarem a par da classificação, melhor marcador, equipa com mais golos marcados ou sofridos, entre outros dados estatísticos

O único ponto a favor da organização é a entrega da constituição das equipas minutos antes de cada jogo, o que, diga-se, de certa forma tem ajudado os jornalistas durante o evoluir de cada jogo.
João Constantino/Namibe

PATRICIA COSTA
“Apitar no mundial sempre foi um sonho”


A árbitra Patrícia Costa, a primeira mulher angolana a apitar num Campeonato do Mundo de hóquei em patins, está feliz por constar do restrito grupo de juízes nacionais nomeados para a prova inédita no continente africano. A sua presença representa muito mais que um sonho, afirmou.

Descontraída e simpática, a árbitra abordou o seu percurso e estado de espírito. Embora tenha estado em vários torneios internacionais, como o de Montreux, campeonato sul-americano, mundial feminino e torneio internacional Zé Dú (em Malanje), revelou que ainda sente um “friozinho na barriga” antes de entrar em campo. E justifica: “Cada competição tem as suas particularidades”.

Aos 36 anos, nove dos quais de apito na boca, “Tucha”, como também é chamada, considera ser um ganho “muito grande” a sua participação, uma vez que está associada à organização do Campeonato do Mundo pela primeira vez em Angola e no continente africano.

“A nível profissional, o ganho é maior, porque a prova é o patamar onde qualquer árbitro espera chegar. Estou muito feliz por constar deste leque de quadros seleccionados para o mundial”, disse sorridente.
Patrícia Costa afirma que apitar num campeonato “não é um sonho pessoal, mas sim profissional”, porque o mundial “é sempre um sonho maior”.

Na hora de apitar, Patrícia Costa realça que exige responsabilidade, porque “nem tudo é alegria”. Além disso, revela que enfrenta algumas dificuldades, porque os jogos não são iguais. As alterações constantes de regras e a falta de clinics de actualização no país exigem adaptação. Esses obstáculos, defende, não influenciam negativamente o cumprimento da sua missão enquanto profissional.

Do ponto de vista de desempenho, disse que recebe elogios até de dirigentes do Comité Internacional de Arbitragem (CIA). Nesse sentido, procura manter a postura e elevar a condição técnica e física.

A sua participação pode moralizar outras mulheres a aderir à arbitragem. A maior parte sente-se retraída em optar pela arbitragem, mesmo depois de fazerem cursos. Aliás, fez o curso de arbitragem com quatro raparigas, mas desconhece o paradeiro delas.

Patrícia Costa entrou no hóquei em patins como jogadora nos anos 90 e tem passagens pelas equipas do Petro de Luanda e de algumas alemãs, onde deu continuidade aos seus estudos, e representou a Selecção Nacional.

A extinção das equipas femininas de hóquei em patins no país foi um “duro golpe”, após o seu regresso ao país. Sem oportunidade para voltar a patinar, decidiu fazer o curso de arbitragem, uma oportunidade para continuar ligada ao hóquei em patins. Hoje, a indicação para apitar partidas do grupo B e D é um reconhecimento da competência da jovem árbitra angolana.

Além da Patrícia Costa, Angola faz-se representar com Edelfrides Cipriano, Jorge Borges e Nascimento Júnior.

GRUPO B
MUNDIAL
Patinagem volta
em força ao Namibe


A antiga cidade de Moçâmedes já foi um regular “fornecedor” de atletas à Selecção Nacional de Hóquei em Patins, nas décadas de 70 e 80 do século passado. Com o passar dos anos, perdeu espaço e praticantes, mas a modalidade ressurge com o 41º Campeonato do Mundo. 

O projecto de massificação do hóquei em patins, no novo contexto político, social e económico do país, está na fase inicial nesta região onde não faltam adeptos do desporto.

Nas ruas da cidade, escolas ou centros desportivo o sonho do regresso da patinagem deixou de ser uma miragem e a vontade de rolar sobre patins contagia a população. É um dado adquirido que a modalidade dificilmente tomará o espaço do futebol ou do basquetebol. Apesar da tradição longínqua, o “vírus” do hóquei é novo, mas tende a contagiar cidadãos de uma província humilde. Contagia desde gente simples a pessoas mais instruídas em termos académicos, num ritmo acelerado quanto as rodas dos velozes patins, que deslizam desde 22 de Setembro no pavilhão Welwitchia Mirabilis.

EMOÇÃO
Leigos e especialistas
repartem bancadas


O angolano Pedro Xavier é praticante de hóquei em patins. Ele é um dos milhares de adeptos que ocupam diariamente um dos assentos do pavilhão Welwitchia Mirabilis.

Segundo ele, o Mundial de Angola tem tudo para dar certo, dada a qualidade dos pavilhões e o espírito festivo dos adeptos.

Ao contrário de muitos compatriotas, conhece bem as regras da modalidade. Na condição de “treinador de bancada”, vive com emoção cada drible, “sticada” e golo, “emprestando” o seu amplo conhecimento e espírito, para contagiar os leigos.

Pedro Xavier considera que a realização do Mundial vai relançar a modalidade na província do Namibe, tendo ressaltado o nível da organização do evento.
Apesar disso, queixa-se do horário dos jogos, referentes às séries B e D, que considera desajustados. “O único aspecto contraditório é a hora dos jogos. Os alunos estudam e nós trabalhamos. A esta hora há pouca gente a assistir”, lamenta.

Pedro Xavier antevê uma prova bem disputada, do ponto de vista competitivo, e já avança prognósticos.

“Gosto de hóquei em patins e por sinal sou responsável do Sport Moçâmedes e Benfica. Acho que vai ser um bom Mundial, porque é a primeira vez que se realiza em Angola. Quero que Angola melhore a sua posição, mas, por aquilo que vejo aqui, penso que a Argentina é a mais forte”, assinalou.
As partidas dos Grupos B e D estão a ser bastante disputados na cidade do Namibe.

GRUPO D
Coordenador do Núcleo do Bié
prevê jogos renhidos nos “quartos”


Após a disputa dos jogos da primeira fase do Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, que encerrou ontem, o coordenador do Núcleo do Bié da modalidade, Fernando Cristóvão Diniz, prevê uma fase a doer nos quartos-de-final.

O responsável do hóquei em patins bieno disse esperar por uma disputa renhida nesta fase da competição, com as equipas da primeira-linha a procurarem fazer jus à sua condição de favoritas ao título e outras a tentar melhorar as anteriores classificações.

Fernando Diniz disse ao Jornal dos Desportos que pela grande capacidade que as equipas do topo mundial demonstraram na fase preliminar, “fica difícil apontar esta ou aquela como a mais séria candidata à conquista do título”.

O “número um” do órgão que superintende o hóquei em patins no Bié sublinha que Portugal, Espanha, Argentina e Brasil surgem nesta “montra mundial” como potenciais candidatos ao título, mas “vão ter de provar esse factor em campo”.

Em relação a Angola, Fernando Diniz reitera a crença de que pode melhorar a prestação da edição passada (décimo-primeiro lugar), em 2011.

“Angola tem um grupo forte e jogadores que podem marcar a diferença nos momentos cruciais, daí a minha crença na melhoria da classificação”, completou o responsável do hóquei em patins na província do Bié.

E mais ainda: Fernando Cristóvão Diniz salienta que Angola, pelo facto de actuar na condição de anfitriã neste Campeonato do Mundo, “tem de procurar daqui para frente explorar ao máximo esse factor” para dignificar o nome e a bandeira do país”.

DA FAP
Núcleo Bieno aguarda apoios

Ainda na esteira da conversa com o Jornal dos Desportos, no Cuito, o responsável do Núcleo Provincial de hóquei em patins do Bié falou do processo de massificação da modalidade desencadeado na região.

Fernando Cristóvão Diniz falou da massificação levada a cabo no clube Sporting do Bié, onde se destaca a integração de 32 crianças com idades compreendidas entre os oito e 11 anos, no qual se ncluem quatro raparigas.

O responsável provincial realçou que a associação da modalidade tem dado alguns apoios pontuais neste processo de massificação que a formação do Sporting leva a efeito há algum tempo.

Destacou o facto de existirem no Bié dois clubes que movimentam o hóquei em patins, já que para além do Sporting, o Victória Atlético Clube, ainda que de forma tímida, dá também alguns passos nesse sentido.

Fernando Cristóvão frisou que neste momento a Associação de Hóquei em Patins do Bié aguarda por algum apoio da federação da modalidade, consubstanciado sobretudo em patins de linha.

Tão-logo este apoio chegue à província, o processo de massificação pode ganhar mais consistência, já que dessa forma “muitos outros jovens vão ser inseridos neste processo”.

O responsável do hóquei em patins no Bié espera que o campeonato do mundo, que começou com a retumbante vitória de Angola sobre a África do Sul por 8-2 dê uma lufada de ar fresco na pretensão dos hoquistas do Bié.
Sérgio .V.D | NO CUITO

META
Nova era do hóquei


“Quando este campeonato do mundo chegar ao final, a Federação Angolana de Hóquei em Patins, a par do órgão que superintende o desporto no país, tem de criar estratégias para expandir a prática da modalidade.” Esta é a opinião do coordenador do Núcleo Provincial de Hóquei em Patins do Bié, que diz esperar por uma nova era deste desporto naquela região do planalto central do país.

Fernando Cristóvão Diniz sublinhou que este deve ser, de resto, um dos grandes propósitos do elenco liderado por Carlos Alberto Jaime “Calabeto”, que tem uma mão-cheia de projectos, dos quais o Bié pode beneficiar.

O responsável do hóquei em patins lembrou, que o Bié já foi “um celeiro” da modalidade no país, lançando para a ribalta jogadores originários da província, que depois “deram cartas” na capital, Luanda, e na Selecção Nacional. “Por isso mesmo, justificam-se os projectos da federação e particularmente as suas intenções em relação ao hóquei bieno”, assegurou Fernando Diniz.
Sérgio .V.D | NO CUITO