Jornal dos Desportos

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Medicina tem falta de técnicos

Rosa Napoleão, Álvaro Alexandre - 06 de Agosto, 2013

Número de técnicos de saúde vai ser distribuído pelas províncias de Luanda e do Namibe para o Mundial e de Malange para a Taça Internacional Zé Du no final do corrente mês

Fotografia: Jornal dos Desportos

Mais de 400 técnicos de saúde vão ser necessários para dar resposta às necessidades do Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, que o país acolhe de 20 a 26 de Setembro, de acordo com Wlademir Diogo, coordenador da Subcomissão de Medicina do Cohoquei.

De acordo com o médico, os técnicos vão ser mobilizados com a ajuda das direcções dos hospitais.
“Contamos mobilizar muitos médicos. Os médicos, enfermeiros e terapeutas vêm do Hospital Militar, Américo Boavida, Josina Machel, Prenda, Centro de Medicina Desportiva, Centro de Reabilitação Física e das Clínicas Sagrada Esperança, Girassol e Multiperfil”, especificou.

Wlademiro Diogo explicou ainda que os técnicos vão ser distribuídos pelas três províncias, designadamente Luanda e Namibe, que vão acolher o Mundial, e Malange, que organiza a Taça Zé Du (de 22 a 25 deste mês).

Entretanto, o médico refere que as necessidades de Luanda são elevadas, pelo que vai merecer uma atenção especial. “Temos a intenção de trabalhar em Luanda com cem médicos e 200 enfermeiros, enquanto para o Namibe e Malange se precisa de cem médicos e 150 enfermeiros”, previu. Os técnicos de saúde, segundo o coordenador da subcomissão médica, vão prestar serviço apenas nos hospitais, clínicas e pavilhões de jogo.

“Cada hotel vai ter um posto avançado. Vamos ter um corpo de assistentes constituído por médicos e enfermeiros permanentemente. Está ainda prevista uma ambulância dos Serviços de Emergências Médicas e nos pavilhões onde decorrem os jogos vamos ter os postos médicos para prestar assistência primária”, concluiu.
As 16 selecções inscritas para as competições também vão poder contar com a assistência permanente dos membros dos Bombeiros Nacionais.

FÁRMACOS
Ministério da Saúde assegura medicamentos


O Ministério da Saúde é a entidade responsável pela distribuição de fármacos para o Mundial. A informação foi dada ao Jornal dos Desportos pelo coordenador da subcomissão de medicina do comité organizador do Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, Wlademir Diogo.
“O Comité Organizador tem um convénio com o Ministério da Saúde, que faz parte da comissão ministerial, que é coordenada por sua excelência o ministro José Van-Dúnem, coadjuvado pelo secretário do Estado da Saúde, Carlos Alberto Masseca”, esclareceu.
“Em relação ao fornecimento dos medicamentos está tudo a cargo do ministério de tutela. O Cohoquei tem a responsabilidade de garantir os meios técnicos. Tudo o que estiver ligado com a vertente desportiva, como a assistência com as talas e traumatismo. Os campos vão estar apetrechados com medicamentos anti-diarreicos e anti-inflamatórios disponibilizados pelo ministério”, garantiu.

Wlademir Diogo não precisou a data a partir da qual os fármacos vão estar disponíveis para o Mundial, mas garantiu que parte do remanescente reverte a favor do Ministério da Saúde.
“Pensamos que os campos não vão deixar de ter o material. Os hospitais são uma opção. De salientar que a actividade desportiva não vai terminar com o final do Mundial. Vão haver outros eventos no mesmo local. Os medicamentos prestes a expirar são depositado nos hospitais com carências imediatas. A outra parte, em qualidade perfeita, vai servir de stock para os referidos centros desportivos”, concluiu.
RN e AA

INQUÉRITO
Angola vai organizar em Setembro próximo o mundial de hóquei patins, os exames anti-doping devem ser feitos no exterior do país. Acha que Angola devia ter já um laboratório anti-doping?
Santa Madalena- enfermeira

“Creio que está na hora de termos em Angola, um laboratório para exames desse género, porque no ramo da saúde o país já evoluiu muito. Hoje, já temos hospitais de referência que realizam exames de laboratoriais, que anteriormente eram efectuados no exterior. Com a evolução que o país está a registar, passaram a ser feitos cá”.

Diamantino Neves- enfermeiro

“Acho que o país tem condições para ter um laboratório para a realização de exames anti-doping, porque hoje alguns hospitais e clínicas de Angola já fazem cirurgias a laser e exames de ADN, que no passado tínhamos de enviar para o exterior e aguardar pelos resultados. Se já demos bastantes passos em frente, penso que já é tempo de criar condições para um laboratório antidoping”.

Cecília Ismael- técnica de saúde

“Penso que os atletas nacionais já trouxeram para casa troféus que engrandeceram o nome do país. Falámos de atletas do basquetebol, andebol, atletismo e de outras modalidades. Com estes feitos, acho que já devíamos ter no país, um laboratório para exames anti-doping. Desta forma, tanto os atletas nacionais como os estrangeiros iam realizar exames anti-doping em Luanda, por altura do Mundial”.

Hospital Ngola Kimbanda
com obras de reabilitção


O Hospital Central Ngola Kimbanda no Namibe está beneficiar de obras de restauro para receber com dignidade os casos clínicos que os grupos B e D podem proporcionar na fase qualificativa do Campeonato do Mundo de hóquei em patins, previsto de 20 a 28 de Setembro.

“O Hospital Central do Namibe está em reparação e em Setembro vai estar pronto a oferecer um serviço personalizado para os utentes”, disse Vladimir Diogo.
O médico angolano e coordenador da subcomissão de Medicina do Comité Organizador do Campeonato do Mundo de hóquei em patins, Vladimir Diogo, disse que vão ser disponibilizadas cinco viaturas para apoiar os médicos na província do Namibe.

“A unidade hospitalar das terras da Welwitchias Mirabilis vai estar capacitada para atender todas as situações, quer com relação aos atletas quer do público que vai assistir aos jogos no pavilhão”, garantiu.

O Hospital Central Ngola Kimbanda vai contar com uma unidade móvel para responder as urgências.
Vladimir Diogo revelou que o Cohoquei colocou à disposição dos especialistas um hospital auxiliar nas imediações do pavilhão.

“Em caso de uma evacuação, vai estar disponível um avião-hospital equipado com tecnologia de ponta, na placa do Aeroporto do Namibe e viaturas de emergência médica”, elucidou.

À semelhança de outros pavilhões, a Arena de Malange vai ter uma equipa de Serviços de Emergência Médica para atender os casos clínicos resultantes do Torneio Internacional Zé Du.

“Vamos contar também com o apoio do Hospital Provincial de Malange. Os casos que acontecerem no recinto do jogo vão ser encaminhados para o Serviço Emergência Médica que e incumbidos de transportar os doentes àquela unidade hospitalar”, concluiu.
Rosa Napoleão, Álvaro Alexandre


PRÓXIMO DO PAVILHÃO
Cerca de 30 médicos vão funcionar
no hospital de campanha do Namibe


Cerca de 30 médicos de várias especialidades vão funcionar no hospital de campanha, que vai ser montado nas imediações do pavilhão Arena do Namibe.
De acordo com o coordenador da subcomissão médica do Cohoquei, Wlademir Diogo, o hospital de campanha vai funcionar 24/24 horas, enquanto decorrer o campeonato do Mundo. Para além dos 30 médicos, a subcomissão médica vai contar no hospital de campanha com os técnicos do Hospital Provincial do Namibe e do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEMA).

Para além disso, a subcomissão médica do Comité Organizador do Campeonato do Mundo de hóquei em patins vai deslocar, para a província do Namibe, médicos e técnicos do Centro de Medicina Desportiva, para trabalhar no hospital de campanha.

FIGURA
EXAME ANTI-DOPING


Mário Rosa defende
laboratórios estrangeiros


A existência de um laboratório para rastrear os testes anti-doping está longe de ser realidade em Angola. As premissas para a construção de um laboratório ainda não estão consolidadas. A construção de infra-estruturas desportivas não é acompanhada com a formação de recursos humanos especializados para garantir um movimento desportivo que justifique a presença de laboratório anti-doping.O vice-presidente do Comité Olímpico Angolano, Mário Rosa, disse em entrevista ao Jornal dos Desportos, que a construção de um laboratório anti-doping no país vai exigir das entidades competentes avultadas somas de dinheiro.

“O país não dispõe de condições humanas e desportivas para ter um laboratório anti-doping. A construção de um laboratório exige muito investimento”, disse.
Mário Rosa assegurou que os europeus estão muito avançados em laboratórios de alta qualidade e reconhecidos pela Associação Mundial Anti-doping. Os países que dispõem de laboratórios anti-doping procuram sempre ajudar os que não têm e é justo que Angola recorra aos países com quem tem relações nesse capítulo.
A falta de um laboratório no país é também justificada pela “inexistência” de uma medicina desportiva convincente.

“As instalações do actual Centro de Medicina Desportiva não dispõem de condições que justifiquem a realização de um trabalho aturado dos médicos; há poucos médicos especializados nessa área; devem ser criados no país mais Centros de Medicina Desportiva para responder a zona Centro e Sul, por exemplo”, disse.
Mário Rosa asseverou que a política desportiva do país deve merecer o contributo de todos os angolanos.

“Todos devem contribuir com as suas inteligências para o bem do nosso desporto”, disse. Quanto ao impacto negativo que o uso de anabolizante pode causar ao desporto nacional, o vice-presidente do COA chama a atenção das autoridades competentes.

Mário Rosa realçou que no intuito de agradar as meninas, muitos jovens e adolescentes estão a consumir anabolizantes para se apresentarem com corpos musculados. “As autoridades que controlam os ginásios devem adoptar medidas que visem desencorajar o uso de anabolizante, pois os suplementos alimentares escondem muitas drogas”, disse.
Francisco Carvalho