Jornal dos Desportos

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Mundial em contagem decrescente

Matias Adriano - 11 de Junho, 2013

O mundial de hóquei em patins, que Angola organiza, em Setembro próximo, está cada vez mais próximo. A partir de hoje faltam apenas cem dias.

Fotografia: Jornal dos Desportos

O tempo jamais esperou pelo homem.  O mundial de hóquei em patins, que Angola organiza, em Setembro próximo, está  cada vez mais próximo. A partir de hoje faltam apenas cem dias.

Entramos, a bem dizer, na contagem regressiva do tempo, período entendido também como aquele em que as acções dos que directa ou indirectamente estão comprometidos com a organização do certame devem ganhar maior dinâmica.

Claro está que ao longo dos últimos meses esforços estão a ser conjugados a nível da media angolana, a pública particularmente, no sentido de se dar maior visibilidade às acções da modalidade, os passos que são encetados no campo da organização. Mas, é importante que este espaço  seja alargado à medida em que a prova se aproxima.

É nesta perspectiva, que o Jornal dos Desportos passa a publicar ou dedicar aos seus leitores, a partir de hoje, um suplemento especial sobre a organização do campeonato do mundo.

"Stick Angola" de seu sugestivo título, compromete-se a ser uma presença semanal, a  sair todas as terças-feiras, não fica de  fora a hipótese e a  possibilidade de evoluir para bi-semanal à medida que nos aproximamos  da prova e o volume de material a ela correspondente o  exigir.

Para um casamento perfeito, ou para juntar o útil ao agradável, tratamos de  coincidir a publicação deste suplemento com o marco "100"', pelo que também hoje em que oficialmente os órgãos de informação começam a contagem decrescente do campeonato.


DA ALEMANHA PARA ANGOLA

O Mundial de 1974 chegava pela primeira vez a África, quando Angola estava preparada para receber a prova. Mas os acontecimentos do 25 de Abril levaram à transferência da prova para Lisboa.

O Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins é a principal competição entre as selecções nacionais do Mundo e a competição tem lugar de dois em dois anos, organizada pelos organismos máximos para este desporto CIRH, Comité Internacional de Hóquei em Patins e a FIRS, Federation International de Roller Sports.

O início da história dos mundiais de hóquei em patins remonta ao ano de 1936, quando a cidade alemã de Estugarda foi palco da competição, pouco antes de o nazismo ter ganho força na Alemanha.

A Inglaterra foi o primeiro campeão mundial, uma prova que viu italianos, portugueses e suiços classificarem-se nas posições imediatas, respectivamente. Três anos depois, em Montreux, a mesma Inglaterra voltava a erguer o troféu, com a Itália e Portugal a completarem, de novo, o pódio.

A segunda guerra mundial travou a emoção da modalidade. O regresso dos Mundiais marcou o início da ascensão portuguesa. Lisboa albergou o campeonato de 1947 e Portugal fez jus à sua condição de anfitrião ao destronar os ingleses do título.

Nesta prova em que a Bélgica terminou na segunda posição, o terceiro lugar conquistado pela Espanha foi um sério aviso quanto ao seu poderio no futuro. Foram ainda os portugueses que dominaram os campeonatos do mundo de 1948 (Montreux), 1949 (Lisboa) e 1950 (Miláo).

No campeonato de 1951 que a cidade de Barcelona recebeu, a Espanha acabou com a hegemonia portuguesa ao conseguir o triunfo, ao relegar o outro país ibérico para o segundo lugar, enquanto a Itália completava o pódio.

A cidade do Porto, Portugal, foi palco da oitava edição e Portugal voltou a recuperar o que perdera no ano anterior ao impor-se, novamente, diante de fortes adversários como  a Itália, segundo classificado e Espanha que ficou então  para o terceiro posto.

A Itália conquistou o seu primeiro título mundial em 1953, em Genebra, quando superou Portugal e a Espanha. No ano seguinte, e na condição de anfitrião, a Espanha voltou a subir ao pódio em Barcelona, seguido de Portugal e a Itália, para bisar o título em Milão, em 1955, com a Itália e Portugal a alternarem-se no lugar reservado aos medalhados.

De 1956 a 1962 só deu Portugal. A selecção lusa venceu no Porto, (1956 e 1958) 1960 (Madrid) e 1962 (Santiago). Dois anos depois, em Barcelona, a Espanha voltou a obter novo triunfo, vitória que repetiu-se em São Paulo, no primeiro mundial que o Brasil organizou em 1966.No regresso à Europa, a cidade do Porto voltou a ser palco da competição e, de novo, com vitória portuguesa.

No ano de 1970 a Argentina albergou, pela primeira vez na sua história, a maior competição mundial de patinagem, na cidade de San Juan, e a Espanha evidenciou-se, mais uma vez, ao conquistar o primeiro lugar, facto que voltava a acontecer dois anos depois no seu território, quando os seus jogadores envergaram as faixas de campeão com vitória na Corunha.

O Mundial de 1974 chegava pela primeira vez a África, quando Angola estava preparada para receber a prova. Mas os acontecimentos do 25 de Abril, em Portugal, que aceleram o processo das antigas colónias portuguesas no continente, levaram à transferência da prova para Lisboa, onde Portugal venceu, seguido da Espanha e da Argentina que subiu ao pódio pela primeira vez.

O campeonato de 1976 deu novamente a oportunidade dos espanhóis tornarem-se campeões mundiais, mas em 1978 foi a vez de a Argentina conquistar o título inédito na sua história, numa competição que o país organizou, mas foi  destronado pela Espanha dois anos depois.

Portugal ganhou a edição de 1982 quando a localidade de Barcelos foi o palco do mundial e dois anos depois foi a vez da Argentina conquistou o seu segundo troféu mundial, em Novarra, na Itália.

O jejum italiano na prova foi quebrado em 1986 em Sertãozinho, no Brasil e a vitória repetiu-se no campeonato seguinte na Corunha. No ano que se seguiu houve vitória espanhola na prova que San Juan recebeu, e Portugal fez questão de organizar a trigésima edição do Mundial para sagrar-se campeão do mundo na cidade do Porto.

Portugal repetiu o triunfo na Itália, em 1993. A cidade do Recife, no Brasil, foi palco da 32ª edição com a Argentina a arrebatar o título, em 1995. Os argentinos perderam no campeonato que se seguiu mas recuperaram o ceptro em Reús, em 1999.

Em 2001 foi a vez na Espanha triunfar em território argentino, no Mundial de San Juan. Portugal, que ficou alguns anos sem triunfar, venceu o campeonato que organizou em Oliveira de Azeméis no ano de 2003, para a partir daí a Espanha iniciar um ciclo arrebatador com vitórias em 2005 (São José, Estados Unidos), Montreux (Suíça), Vigo (Espanha) e San Juan (Argentina).


Bienos crentes no sucesso

Os desportistas na província do Bié estão optimistas quanto à realização do campeonato do mundo de hóquei em patins que o país vai organizar de 20 a 28 de Setembro próximo, nas cidades de Luanda e do Namibe.

Ouvidos pela nossa reportagem, os amantes do desporto sobre rodas afirmaram que a realização da prova no país é uma vitória do executivo angolano por conseguir trazer o primeiro campeonato do mundo em África e particularmente para o nosso país.

O jornalista desportivo Lot  Chicomba apontou alguns ganhos que o país beneficia  com a organização deste campeonato do mundo. "Vamos ter maior projecção a nível internacional. O país que era conhecido como terra de guerra e miséria, vai ser conhecido como realmente é, um país em desenvolvimento e progresso económico e social", disse.

"Ganhos internos são a construção de mais dois pavilhões, nas províncias de Malanje e Namibe. Criação de mais unidades hoteleiras e mais abertura para a prática do hóquei em patins em Angola" disse.

O comentarista desportivo Inácio Walima defende a necessidade de se traduzir estes ganhos em benefícios desportivos para a juventude, pois como afirmou é necessário que com a realização do Campeonato do Mundo de hóquei em patins (CMHP) surjam mais clubes e praticantes.

"É necessário que haja uma política de incentivo da modalidade para surgirem mais equipas de hóquei em patins. Temos muitos clubes em Angola e a maior parte deles não têm hóquei como modalidade.

Então é necessário que estes clubes tenham no seu seio o hóquei como modalidade para vermos os ganhos desportivos. Temos de ver o número de praticantes aumentar e só assim poderemos falar na massificação do hóquei em Angola", defendeu.
José Rufino

Director provincial do MINJUD Anastácio S. Sambwe
Campeonato constituiu um ganho


O Director provincial da Juventude e Desportos Anastácio Severino Sambwe acredita que a realização do Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins em Angola é um ganho a todos os níveis para o país. Numa curta entrevista o dirigente afirmou que o governo local tudo está fazer para massificar a modalidade na província do Bié.

O que significa a realização do primeiro Campeonato do Mundo de hóquei em patins em África, que vai acontecer justamente em Angola?
- "É um ganho do executivo angolano que tem mostrado ao mundo que o nosso país está no caminho do desenvolvimento económico e o desporto acompanha este desenvolvimento. Isso vem mostrar mais uma vez que executivo angolano liderado pelo camarada presidente José Eduardo dos Santos está empenhado a trabalhar para o bem do nosso povo".

Na sua opinião quais os ganhos para o país?
- "São muitos. A juventude ganha mais espaços para a prática do desporto, o Pais internamente ganha mais infra-estruturas desportivas, e no geral é a bandeira de Angola que ganha mais visibilidade a nível do mundo. Uma propaganda para o bom nome de Angola".

Internamente a massificação da modalidade na província sofreu algum retrocesso por falta de material desportivo?

- "Nós temos conhecimento do facto, assim como já comunicamos à Federação de Hoquei. Já demos a conhecer o facto a um dos vice-presidentes e recebemos uma resposta satisfatória. Estamos à espera que a Federação envia o material desportivo em falta para continuarmos com este processo".

Espera que a mascote do campeonato do mundo passa pela província do Bié, apesar de não ser uma das províncias organizadoras?
- "É claro que sim. Nós somos uma província com tradição no hóquei em patins. No passado fomos fornecedores de  muitos atletas para a selecção nacional e estamos orgulhosos disso. Por isso queremos que a apresentação do campeonato do mundo seja feita também nossa província".

Quais as políticas para levar mais pessoas a praticar o hóquei na província do Bié?

- "Estamos empenhados em cobrir todos os recintos de jogos existentes na província. O Governo local está a reabilitar a sede de alguns clubes desportivos nos municípios. Este é o primeiro passo. Depois vamos motivar os clubes a abrirem no seu seio a modalidade".

Crê numa boa classificação da selecção nacional?
- "Eu acredito numa boa campanha da selecção nacional. A nossa equipa está a fazer uma boa preparação e esperamos que tenhamos muitas alegrias neste campeonato do Mundo.

Onde os bienos podem ver os jogos deste campeonato do mundo?
- "Eestamos analizar com as administrações municipais e o Movimento Espontâneo para colocarmos telas gigantes nas sede municipais e em alguns locais do município do Kuito".

FIGURA
Amaral Aleixo
De olho no Mundial

“Figura” é uma presença garantida neste espaço. Trata-se da opinião de alguém entendido em matéria desportiva sobre aquilo que pode ser o campeonato do mundo de hóquei em patins. Amaral Aleixo é o primeiro a vestir a camisola da selecção nas duas modalidades.

Para ele é uma grande honra Angola receber o campeonato do mundo: “A importância do país organizar o campeonato não se resume ao mero aspecto desportivo, pois estando na parte sul do continente africano vai de alguma forma ter um papel de relevo na promoção e massificação da modalidade na região.”

Amaral Aleixo disse que o país tem também muito a ganhar em termos de imagem:
“Considero a organização do campeonato do mundo em Angola uma ferramenta diplomática que vai resultar em grandes ganhos. Lembro-me que quando Angola participou no campeonato do mundo de futebol, embora competitivamente não tenha ganho quase nada, esteve nas bocas do mundo no sentido positivo.”

Homem de basquetebol e do futebol, garantiu que isso não impede a sua presença nos recintos do jogo quando chegar a hora da verdade:
“Não há razões para não ir ao campo acompanhar aos jogos do campeonato. Fá-lo-ei não apenas para apoiar a minha selecção, mas também para ver evoluir as melhores estrelas do hóquei mundial”.

Amaral Aleixo disse esperar que Angola consiga uma classificação melhor do que nas edições anteriores:
“É muito bom para a nossa selecção se conseguir uma classificação que supere as obtidas até agora em campeonatos do mundo. Tenho certeza que a

Federação Angola de Patinagem estará a trabalhar para isso.”
Ultimo pedido: “gostava muito que Angola na sequência da disputa da prova pudesse realizar um jogo na cidade do Namibe.