Jornal dos Desportos

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Namibe afina passos para dia de abertura

21 de Agosto, 2013

A arte tradicional dos mucubais e muimbas vai dominar a cerimónia de abertura do Mundial na província do Namibe

Fotografia: Jornal dos Desportos

Uma festa em grande estilo com elevada dose de criatividade, suspense e acção está em preparação para a cerimónia de abertura das séries D e A do 41º Campeonato do Mundial de Hóquei em Patins no pavilhão do Namibe. Um grupo de bailarinos namibenses entregam-se de alma aos “treinos” e ao evento mundial que se realiza de 20 a 28 de Setembro “fervilha” nas mentes das crianças, adolescentes e jovens. A coreografia está a ser preparada com muito rigor e assenta em valores nobres e puros do folclore africano. Recrutados de várias regiões da província do Namibe, 50 profissionais de dança estão aptos para representar a grande diversidade cultural durante cinco minutos de exibição.

Os ensaios retomados no último sábado, decorrem com tranquilidade e em ritmo cada vez mais intenso. O aperfeiçoamento de cada marcação, passo, gesto, olhar ou mensagem contida na coreografia montada pelo professor de dança Nelson Augusto, exige “o profissionalismo” de cada dançarino.
A entrega e a determinação dos dançarinos trazem a certeza de que os turistas e convidados vão deleitar-se com o retrato fiel da cultura namibense, segundo a directora provincial da Cultura, Euracema Major Lopes.

A directora provincial da Cultura ressaltou que a pausa durou 15 dias e a nova etapa é pautada com responsabilidade e muita energia dos bailarinos para que nada falhe no dia do primeiro jogo do Mundial de hóquei em patins. Interactiva com os bailarinos e comunicativa com a imprensa, Euracema Major Lopes confirmou a preparação de uma coreografia de grande dimensão sociocultural, na qual se cruzam vários aspectos típicos das comunidades locais. A pesca é um dos quadros que vai dominar a exibição.

O trabalho tem a orientação técnica do professor Nelson Augusto e prática do professor Sakaneno João de Deus. A caça, um dos muitos hábitos típicos dos povos que habitam o Namibe a milhares de anos, mormente, os mucubais e muimbas, vai subir ao palco. Dois figurantes, na pele de caçadores, saem da aldeia e vão à busca de carne de caça, num dia de forte labuta. Esse quadro vai dominar a abertura da cerimónia. Os caçadores, segundo a peça, chegam às suas tribos ou comunidades e informam os sobas sobre a realização de um Campeonato de Mundo de Hóquei em Patins naquela parcela do país.

A passagem da informação às autoridades tradicionais é feita em volta de um clima de festa entre as duas comunidades. O quadro mistura a representação cénica e a dança. Os figurantes passam a informação de pessoa a pessoa, numa articulação de movimentos em que se misturam a performance dos hoquistas. As danças nearera e dondolo dominam o quadro, num cenário cultural angolano. Trata-se de danças de festas para mostrar aos visitantes a alegria do povo do Namibe por acolher no seu território o Mundial.

PERFORMANCE
Bailarinos ajustados à coreografia


As aulas de dança dirigidas pelo professor Sakaneno João de Deus estão a ser valiosas e facilitam a adaptação à coreografia. A constatação é de Morena Mendonça, uma das 50 bailarinas jovens seleccionadas para integrar o grupo que vai fazer a coreografia de abertura do Mundial de hóquei em patins no Namibe. Morena é bailarina há sete anos e afirma que as aulas são “fáceis” e não teve dificuldades desde o começo da montagem da coreografia “linda”.

A vontade de actuar na festa de inauguração do mundial também tomou conta de Maurício Pereira, jovem de 19 anos e profissional de dança há cinco anos. O jovem de origem cuvale (mucubal) disse estar “bem acomodado” no grupo e ressalta que a cerimónia de abertura vai ser “um sucesso mundial”. Apesar de fazer parte do subgrupo étnico da tribo herero, confessa sem vacilar que a sua maior dificuldade foi dominar a dança mucubal, uma relíquia dos seus ancestrais.

Uma das vozes mais lacónicas do grupo pertence a Balbina Bartolomeu, uma adolescente de 12 anos de idade. A menina agradece a “boa recepção dos mais velhos” do grupo e revela não sentir dificuldades durante a montagem da coreografia, pois faz parte do grupo As Mucubais. Do estilo hip pop para as danças africanas está Fábio Manuel, um jovem dançarino amador. A persistência e a capacidade do professor Sakaneno facilitam a sua “transição e integração” num grupo “estranho”.

O gosto pela dança africana começa a ganhar contornos no seu íntimo e promete tornar-se um “dançarino profissional” num país onde afirmou ser bastante difícil fazer dessa modalidade artística uma exclusiva fonte de renda e de sobrevivência. A “febre do mundial” atrai igualmente Emília Ruth Fernandes. É a mais pequena do grupo. Tem apenas dez anos de idade, mas gosta dos estilos kuduro, ballet e danças tradicionais. A sua integração é “boa” e prevê apresentar boas performances no dia D.

RECONHECIMENTO
Monitores exaltam dançarinos


António Bizarra é professor de dança e foi um dos escolhidos para coordenar os ensaios, na ausência dos coreógrafos principais. O profissional afirma que o trabalho decorre com normalidade e os bailarinos já estão adaptados à coreografia. A entrega dos atletas durante as aulas e o profissionalismo dos professores abalizados na matéria facilitaram a montagem da coreografia, segundo António Bizarra.

O especialista de dança revela que a maior dificuldade ocorreu durante a pesquisa no terreno, onde eram obrigados a interpretar passo a passo os dados recolhidos. Bizarra esclarece que os bailarinos amadores atrapalharam um “pouco”, mas conseguiram entrar no esquema pretendido. Com o “encaixe”, e a vontade de trabalhar é grande promete uma apresentação condigna. Ana Mendonça é professora de dança. O seu papel no grupo é bailarina e os 17 anos de experiência dão-lhe a garantia de corrigir os colegas, ensinar a dança da terra e a cultura da província do Namibe. A profissional afirma que o processo de interacção entre os bailarinos está a ser bastante “positivo”.

Quem também se junta à festa da dança é Guide Jorge, professor de dança do grupo As Mucubais. Ao primeiro olhar, parece ser um exemplo de superação, pois faz parte do grupo de pessoas portadoras de deficiência física. Mas nem isso lhe tira o sonho de contribuir para engrandecer a cultura. Guide Jorge dança como profissional há dez anos e manifestou a sua alegria por ter sido um dos “eleitos” para participar na coreografia, que considera “excelente”. O professor assegurou que o desempenho dos colegas amadores é “aceitável”, mas “é importante não relaxar” para que tudo corra como planeado.

ORGANIZAÇÃO
Hoteleiros no Namibe
defendem a eficiência


A vice-presidente da Associação de Turismo, Hotelaria, Restaurantes e Similares do Namibe (ATHORES), Desidéria Ndakupapo, defendeu a necessidade de melhor organização e eficiência dos filiados com mais serviços aos visitantes durante o Mundial de hóquei em patins. A responsável associativa disse que, ao nível da direcção provincial do comércio, hotelaria e turismo, algumas medidas estão a ser acauteladas junto dos operadores hoteleiros turísticos como o seguimento das normas e ética deontológica no atendimento aos clientes.

Afirmou ainda que com a formação dos quadros e novos trabalhadores dos sectores de hotelaria, actualmente em curso naquela cidade, na fase derradeira, vai ajudar a qualidade da prestação de serviços a vários níveis do sector. Desidéria Ndakupago salientou que, além dos hotéis seleccionados para receberem as altas entidades desportivas, outros estabelecimentos de hospedagem, restauração e similares devem estar preparados para a recepção de visitantes de outras províncias e países.A ATHORES foi criada no último fim-de-semana e tem como objecto social a defesa dos interesses da classe e é interlocutora directa entre o Estado e a sociedade civil.

Conta com mais de 20 filiados, na maioria proprietários de restaurantes e similares. Actualmente, a rede da província do Namibe conta com 188 unidades em funcionamento, entre hotéis, pensões, aparthotel, pensões-residenciais, hospedarias, restaurantes, Snack-bares, cafés, cervejarias, botequins, lanchonetes, salas de danças, agências de viagem e turismo e aldeias turísticas.