Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Namibe investe no Turismo

Manuel de Sousa, no Namibe - 05 de Setembro, 2013

Os grupos folclóricos Valuanjas e os Veiocutala vão fazer-se representar em vários espectáculos durante a competição

Fotografia: Francisco Bernardo

Os visitantes e estudiosos que desembarcarem na província do Namibe, durante a realização do 41.º campeonato do mundo de hóquei em patins, vão desfrutar da beleza dos principais sítios históricos e monumentos espalhados pela circunscrição. Entre as mais importantes, constam o Boainene, em direcção ao Caraculo, a Fortaleza de São Fernandes e as pinturas dos Lai.

Os visitantes vão ainda apreciar a arte funerária Nbali, feita pelos angolanos, e as inscrições da Torre do Tombo, as primeiras deixadas por navegadores europeus. Esta última está em avançado estado de degradação devido à erosão.

Os turistas e os agentes do desporto vão ter oportunidade de apreciar também as pinturas rupestres, uma maravilha que se encontra ao ar livre e à mercê da acção da natureza e do homem. O Governo já se mostrou preocupado em salvaguardar os exemplares que ainda restam.

A par da festa do mundial, os turistas vão ter outros entretenimentos. O acesso às pinturas rupestres do Tchitundu hulu exige sacrifícios. O carreiro passa por rios secos e quem quiser visitar a localidade vai enfrentar muitas dificuldades. Uma aventura a ser explorada por quem gosta de desafiar a natureza.

A Welwitchia Mirabilis e as dunas do deserto são outros atractivos que vão merecer a atenção dos estudiosos. O museu provincial preparou uma exposição dos hábitos e costumes dos Cuvales. Mais de 4.000 visitantes já tomaram contacto com a história de uma das comunidades ancestrais desse pedaço do território nacional.

O número deixa satisfeita a direcção provincial da Cultura. A directora provincial, Euracema Major, diz que é “surpreendente” e que resulta do investimento realizado pelo governo local.
À semelhança do museu, os investimentos feitos nas bibliotecas (fixas e móveis) também têm saldo positivo. Mais de 3.500 pessoas afluíram às salas de leitura em busca de pesquisa.

HOSPEDAGEM
GARANTIDA

A carência existente no ramo hoteleiro foi ultrapassada com a construção de novas unidades, aldeamentos e similares. O Hotel Infortur, que vai acolher as delegações desportivas, o Chik Chik Hotel e outras trouxeram nova imagem à cidade. O corre-corre em busca de um espaço para se hospedar faz parte do passado. Mais de dois mil quartos estão disponíveis para acolher os turistas desportivos.

Namibe é terra de gente humilde e acolhedora. A realização do mundial de hóquei em patins dá-lhe a oportunidade de partilhar com as comunidades mais próximas. Nessa medida, o administrador municipal do Namibe, Armando Valente, assegura que as responsabilidades ligadas à organização se estendem à Huíla, concretamente, à cidade do Lubango.

HISTÓRIA DOS MUNDIAIS
9ª EDIÇÃO
Genebra testemunha
novos moldes de disputa

 
Em 1953, em Genebra, Suíça, pela primeira vez com 13 equipas, com a entrada da selecção do Brasil, os organizadores do campeonato mundial foram obrigados a optar por fazer disputar a prova em duas “poules”, em que as duas primeiras selecções de cada “poule” se apuravam para a “poule” de disputa do título. A prova disputou-se de 25 de Maio a 6 de Junho.

Ao invés do habitual “todos contra todos numa mão”, as equipas ficaram agrupadas em duas “poules”. Jogaram-se 46 partidas, em que foram apontados 282 golos, uma média de 6,3 por jogo.

Portugal e Espanha estiveram no grupo preliminar A e conseguiram o passe para a “poule” que disputou o título. No grupo B, a Itália e a Suíça ficaram apuradas para a fase seguinte.

No final, a Itália sagrou-se campeã pela primeira vez, depois de vencer todos os adversários na “poule” final.
A classificação geral ficou assim ordenada: 1.º Itália, 2.º Espanha, 3.º Portugal, 4.º Suíça, 5.º Bélgica, 6.º Inglaterra, 7.º Alemanha, 8.º Holanda, 9.º França, 10.º Brasil, 11.º Irlanda, 12.º Dinamarca e 13.º Egipto.


10.ª EDIÇÃO
Uruguai e Chile
fazem estreia

 
Depois de na edição anterior o Brasil ter feito a primeira presença no mundial, em 1954, no regresso da prova a Barcelona coube a vez de o Chile e o Uruguai marcarem presença pela primeira vez. A equipa da Noruega também fez a sua  estreia.

A prova contou com 15 participantes, disputou-se de 27 de Maio a 9 de Junho e registou um total de 105 jogos, em que foram apontados 345 golos, 3,29 por jogo.
Este campeonato voltou a disputar-se em sistema de “poule” única em uma mão. Ao fim de 14 jogos, a Espanha fez jus à condição de anfitrião e logrou o seu segundo título mundial sem desperdiçar qualquer ponto.

A tabela classificativa ficou assim ordenada: 1.º Espanha, 2.º Portugal, 3.º Itália, 4.º Bélgica, 5.º França, 6.º França, 7.º Alemanha, 8.º Suíça, 9.º Inglaterra, 10.º Chile, 11.º Holanda, 12.º Uruguai, 13.º Irlanda, 14.º Egipto, 15.º Noruega.
SILVA CACUTI


CULTURA
Desporto e artes plásticas
de mãos dadas no mundial

Os artistas plásticos do Namibe preparam uma exposição de artes culturais típicas da região direccionada aos turistas desportivos que vão acompanhar o 41.º campeonato do mundo de hóquei em patins, que se realiza pela primeira vez em África.

As direcções provinciais da Cultura e do Comércio, Hotelaria e Turismo trabalham em conjunto para a promoção do Namibe. O objectivo é permitir que todos os visitantes tenham contacto com as artes.

Abel Domingos, jovem amante das artes, apela aos actores culturais para oferecerem trabalhos excelentes para que os visitantes regressem com recordações de Angola, como peças de artesanato, que retratam a vida da população local, a dança, a música, o teatro, etc.

Abel Domingos sugere que a rica história do país, gravada no museu provincial, deve chegar ao conhecimento dos turistas. As entidades responsáveis devem criar estratégias para atrair os visitantes. A fauna marinha, peças de artesanato de diferentes localidades do país, a caça e antropologia são motivos para atrair as pessoas.

A directora provincial da Cultura, Euracema Major, disse que as pessoas vão tomar contacto com a cultura dos pequenos subgrupos, como os cuvales, mundimbas, chavicua e muacaonas. A maneira de vestir, os utensílios domésticos e alguns rituais típicos dominam os hábitos e costumes da população cuvale, dominante na região.

Quanto à dança, dois grupos folclóricos, os Valuanjas e os Veiocutala, vão fazer-se representar em vários espectáculos.
Situada no litoral sul de Angola, o Namibe possui um clima temperado, com temperaturas que variam entre os 17 e 26 graus centrígados. A província apresenta uma vasta região desértica e outra semidesértica.
MANUEL DE SOUSA | NO NAMIBE