Jornal dos Desportos

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Orlando Graa anuncia hoje jogadores que vo a Frana

Silva Cacuti - 08 de Junho, 2013

Orlando Graa revelou os nomes dos jogadores dispensados

Fotografia: Jornal dos Desportos

O Jornal dos Desportos apurou que Hugo, que foi a Portugal para os compromissos do clube, não consta nas opções do treinador e Mitó foi igualmente para Portugal por lesão. Para a baliza está definida a dupla.
Orlando Graça disse que dos jogadores de campo, já informou a Nery, Filipe Bernardino, Ziga e Giovety que não conta com eles.
Apenas Tiago Sousa, João Pinto, André Centeno e Johe voltam a integrar o grupo no domingo, para partir para França na segunda-feira.
Para completar o grupo restam cinco nomes e o seleccionador tem ainda sete atletas. Dois não vão a França.

Do grupo que ainda está em Barcelona constam Kirro, Mamíkua, Márcio, Paizinho, Big, Rui André e Rui Miguel. Pela experiência, sendo o jogador mais antigo na selecção, Kirro dificilmente é descartado, já que na fase de renovação do conjunto o seleccionador precisa de alguma experiência em campo.
Big é a mais jovem  promessa do hóquei em patins angolano e tem dado cartas. É uma peça a considerar pelo seleccionador, a par de Márcio.
Depois ficam poucas opções mas muito equilibradas no seu desempenho. É o caso dos gémeos Mamíkua e Paizinho.

Orlando Graça disse que apenas hoje, no final do único treino do dia, no período da manhã, anuncia a lista definitiva.
A selecção nacional trabalha em Barcelona em regime de estágio desde 20 de Maio e vai encerrar esta fase de preparação com dois jogos amistosos diante da congénere francesa, em Saint'Omer, França.
Em Barcelona a selecção nacional efectuou cinco jogos, com saldo de uma vitória, dois empates e duas derrotas.


Selecção

Treinador revela
cobiça ao seu lugar



Em Angola e pelo mundo há muitos treinadores que gostavam de ser seleccionadores da equipa nacional angolana de hóquei em patins que vai disputar o campeonato do mundo entre 20 e 28 de Setembro nas cidades de Luanda e Namibe. A revelação é do seleccionador nacional, Orlando Graça.
Frontal nas suas abordagens, como já começa a ser uma marca, Orlando Graça não só se disse orgulhoso, mas apontou também aspectos que aumentam o seu orgulho.

"É evidente que me sinto orgulhoso de estar a treinar a selecção de Angola. É um lugar que é ambicionado por muitas pessoas mas mais que este assédio que há em relação a esta posição, é o facto de eu ser angolano e andar há 40 anos no hóquei em patins. Vejo por um lado a recompensa daquilo que é a minha trajectória como elemento da família do hóquei em patins", disse.
Orlando Graça, que no seu percurso de treinador tem o registo de ser o único africano a orientar equipas em Espanha, sabe das responsabilidades do cargo que ocupa.

"Passo a ser o responsável máximo pelo sucesso e insucesso deste grupo e, obviamente, tenho que me sentir orgulhoso. Nestes últimos anos em que na componente desportiva temos estado a ser bem sucedidos, sinto-me ainda mais orgulhoso", comentou.
O treinador partilha o orgulho com todos os membros da equipa técnica e atletas. Um dos aspectos que realçou como estimulantes para o grande orgulho que sente é o crescimento económico e os passos que o país dá rumo ao desenvolvimento.

"Representar os muitos milhões de angolanos, deste país que hoje é uma economia emergente do mundo, que tem a sua história, na qual me revejo, tem que me orgulhar.”
Orlando Graça assumiu o comando da selecção nacional após a saída do espanhol Miquel Umberto Riera e ficou sob condição, até à Taça Zé Du, disputada em Agosto de 2012 na cidade do Huambo, quando ganhou confiança da Federação Angolana de Patinagem (FAP).


Crónica de viagem
A música
do crime


A polícia de Barcelona descobriu, por evidências biológicas no local do crime, que o carpinteiro Juam Martin morto estrangulado por um menor que era seu próprio aprendiz de profissão.
O menor vai ser ouvido nos próximos dias. Noutra notícia do mesmo espaço noticioso a Rádio Catalana noticiou que uma anciã de 70 anos encontrada morta e amordaçada no seu apartamento. O roubo pode ser o móbil do crime, segundo os primeiros pronunciamentos policiais. O algoz da velha ainda não foi encontrado.

Liguei o rádio do meu telefone, ao acordar, talvez com vontade de ouvir o JG a abordar o trânsito na linha Estalagem -Congolenses, ou no infernal Largo 11 de Novembro que não rouba menos de 40 minutos todas as manhãs a quem tiver de o transpor pela manhã, em qualquer sentido.
Na noite anterior estava sentado na Praça Saint, próximo do aeroporto de Barcelona, a observar o movimento da cidade. Vi jovens a fazerem acrobacias com skates, outros a beijarem-se espontaneamente. Vi os que andavam a pé, abraçados, aqueles que iam de bicicletas. De vários tipos. As luzes dos carros a fazerem uma beleza rara, na contracenação com as dos semáforos, dos postos e os reflexos dos edifícios. Pensei e disse para mim mesmo: Sim isto é Europa. Gente pacata. Nada de mal.

Associei esta minha observação ao facto de, desde que cá cheguei não avistei arma nenhuma. Nem de Peres, aqueles que escoltam dinheiro, nem de polícias, nem de soldados. Não vi armas em quatro dias.
Até senti algo que parece doentio. Não sei se é saudade ou se é falta de ver armas. De repente senti que há algo tão presente no nosso dia -a-dia, sei lá, me senti seguro nesta noite. Sim estou longe da correria de Luanda, onde volta e meia o cenário pode ser macabro.
Ouvir aquelas notícias soarem do meu rádio, foi como acordar para a realidade. Um balde de água fria, para a sensação de segurança da noite anterior.

Afinal com mais ou menos armas a violência criminal está aí. Indiferente ao lugar, se Luanda, ou em qualquer cidade da Europa, é um mal social que, como não podia deixar de ser, também vai na boleia da globalização.
Deve ser por isso que nunca encarei a tal de globalização com bons olhos! 
Silva Cacuti