Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Por um pouco

Silva Cacuti - 24 de Setembro, 2013

Angola tem hoje tarefa difícil frente a Portugal depois da derrota de ontem com o Chile

Fotografia: Kindala Manuel

A selecção nacional de hóquei em patins complicou ontem a passagem para aos quartos-de-final do campeonato mundial que decorre no país desde 20 do corrente, ao consentir derrota ontem, 3-1, no jogo de destaque da segunda jornada do grupo C, diante do Chile.

O resultado foi encontrado após a marcação de grandes penalidades. Angola falhou quatro das marcações, ao passo que o Chile marcou dois.
O jogo começou equilibrado, com jogadas de perigo de parte a parte. As duas equipas dispensaram a contemplação mútua e partiram, imediatamente, para a procura da baliza adversária. O Chile esquentou as luvas de Tiago nos primeiros segundos de jogo e Angola ripostou.

Daí em diante o conjunto nacional usou os 45 segundos de ataque a que tem direito sem rematar a baliza, fruto da actuação defensiva do Chile, o mesmo, na posse de bola seguinte, aconteceu com o ataque chileno.

Mais uma e outra posse de bola com desperdício, jogo passivo de parte a parte foram registados. Para os chilenos animava a vontade de conhecer o sabor de uma vitória, já que vinham de uma derrota, 3-5, diante de Portugal na ronda inaugural, enquanto que os angolanos tinham a obrigação de vencer para garantir a passagem a outra fase, contanto que o jogo seguinte, hoje, é com Portugal que é, de longe, favorito.

Aos seis minutos num contra-ataque bem urdido, João Pinto e Johe surgem na zona defensiva alheia, na condição de dois para um. Johe não perdoou. O jogo seguia electrizante.  As claques do Petro, 1º de Agosto, Kabuskorp e outras que se juntaram a festa faziam o seu papel. Barulho. O gigante marcador no "céu" do pavilhão indicava o tempo decrescente. O intervalo estava perto. O técnico angolano pediu o único “time out” a que tinha direito antes do intervalo e, depois, fez entrar Big e Payero para os lugares de Kirro e Johe. A toada não intensificou, nem abrandou.
Angola tinha encontrado um bom adversário. Ao intervalo o

placard assinalava 1-0, favorável a Angola. As coisas não estavam decididas, o empate não seria a solução. Alguém tinha que perder e outro ganhar. Havia hombridade, na quadra, a claque angolana empurrava o jogo da equipa. O pavilhão estava em polvorosa.

Martin Payero ainda tentou rasgos individuais, no reatamento, tanto que começou a prejudicar a equipa. A condição física parecia desfavorecer a selecção nacional e a apatia tomou conta dos atletas. Foi neste ambiente que surgiu o golo do Chile, aos seis minutos do segundo tempo.

A selecção nacional continuou com alguma apatia. Jogava-se mal. Lúcio, o guarda-redes chileno, era o principal culpado, pois defendia tudo, até terminar o tempo regulamentar. No prolongamento, não houve golos e decidiu-se o jogo na marcação de penalidades.


GOLOS
Ronda inaugural da prova
é a mais produtiva desde 2001


O campeonato mundial de Angola registou a jornada inaugural mais produtiva desde que, em 2001 na cidade de San Juan, Argentina os mundiais ganharam regularidade de ser disputados por quatro grupos na primeira fase. A ronda inaugural foi aberta por Angola que goleou a África do Sul por 8-2.

A jornada prosseguiu e registou maiores goleadas como a do Brasil, 9-0, sobre a Áustria, 9-1 que a Espanha impôs á Suíça e 10-1 da Alemanha sobre o reabilitado Uruguai. Embora não tenha registado goleadas mais volumosas, a jornada inicial teve jogos com boa produção como o EUA- Colômbia, que registou 7-6 ou o Portugal Chile em que se apontaram oito golos, num 5-3, favorável aos portugueses.

Em 2001 o resultado mais expressivo da jornada número 1 foi 17-1, infringidos pela Itália aos Estados Unidos. Apontaram-se 68 golos.

O campeonato de Oliveira de Azeméis, Portugal, em 2003, foi marcado pela goleada, 14-0, da Argentina sobre a Colômbia e apontaram-se 52 na ronda inaugural.
Em São José, EUA, em 2005, o Chile goleou, 11-2 ao Macau e a ronda inaugural acabou também com 52 golos marcados.

Em Montreux, 2007, não houve goleada de realce na ronda inaugural, senão os 7-1 com que a Espanha venceu o Brasil. A jornada acabou por ser a menos produtiva de todas, com 48 tentos marcados.

Portugal protagonizou a maior goleada da ronda inaugural do mundial de 2009, ao golpear, 15-1, aos Estados Unidos e abriu caminho aos 54 golos marcados em toda a primeira jornada.

Em 2011, os números da primeira jornada dispararam e chegaram a 66 golos. A goleada mais expressiva foi 11-0, com que a Itália recebeu a África do Sul no mundial de San Juan.

A Áustria é a única equipa que não marcou qualquer golo na primeira jornada.                SC

DECLARAÇÕES

Orlando Graça

“Fizemos tudo para vencer”-
O seleccionador nacional, Orlando Graça, disse ontem, no final do jogo frente a selecção Chilena, que o único erro cometido pela selecção foi o primeiro golo do Chile.
“Fizemos de tudo para vencer  o jogo, mas infelizmente tudo se complicou após o golo de empate. O Chile é uma grande selecção. Mas, não jogou melhor do que nós”, disse.
Apesar da derrota o técnico angolano felicitou o adversário.
O seleccionador nacional, Orlando Graça, considerou ontem difícil o jogo Angola - Portugal, a ser disputado na terça-feira no Pavilhão Multiuso de Luanda, no prosseguimento da última jornada do grupo C, do 41ª Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins.
Em breves declarações à imprensa no final do jogo com o Chile, em que Angola perdeu por 3 - 1, o seleccionador angolano argumentou que tudo é possível, devido a relatividade desportiva.
"O campeonato não terminou ainda. Amanhã vamos manifestar a nossa vontade (de vencer)", explicou o responsável desportivo.

Maurício Llera
“Foi necessário usar muita inteligência”

O técnico principal da selecção chilena, Maurício Llera, que falava ontem, após o jogo com a congénere angolana avançou que o jogo  foi muito difícil.
“Vencer os angolanos foi como se tivéssemos a jogar uma partida de xadrez, em que foi necessário usar muita inteligência, para poder vencê-los. Devo reconhecer que Angola é uma equipa forte. O nosso objectivo foi inverter o resultado que ao longo dos tempos tem sido desfavorável”.

FICHA TÉCNICA
Pavilhão:
Multusos de Luanda
Arbitragem: Ferrari Franco (Itália)/Costa Alejandro (Argentina)
ANGOLA: 1- Silvério Quiteque " Pedalé", 10- Tiago Sousa, 2- André Centeno (0), 3- Afonso Coxe "Mamíkua" (0), 4- Kirro (0), 5- Márcio Fernandes (0), 6- Johe (1), 7- Martin Payero (0), 8- Humberto Mendes (0) , 9- João Pinto (0).
Treinador : Orlando Graça

Chile:1- Lúcio Armijo, 10- Felipe Quintanilha, 2- Diego Miranda (0), 3- Felipe Castro (2), 4- Juan Diaz (0), 5- Bastian Osório (0), 6- Nicolas Carmona (0), 7- Armando Quintanilha (0), 8- Nicolas Fernandes ( 1), 9-Gonzalo Andrade (0).
Treinador: Maurício Llera
Intervalo: 1-0
Final do jogo:1-1
Penalidades: 0-2

Silva Cacuti


GRUPO C - PREVISÃO
Entradas e saídas de jogadores
podem alterar Angola-Portugal



A selecção nacional de hóquei em patins defronta hoje a congénere de Portugal num cenário e contexto diferentes de todos os jogos anteriores que dominaram as duas equipas. O jogo está marcado para as 21h15 no Pavilhão Multiusos de Luanda.

O secretário para a alta competição da Federação Angolana de Patinagem e coordenador da selecção nacional, Mário Correia “Bala”, realça o contexto em que vai acontecer o jogo e acredita que o conjunto nacional pode fazer história. O responsável não está esquecido do historial entre as duas equipas que tem o registo de 7-1, favorável aos portugueses, consentido na última Taça das Nações.

A saída de Reinaldo Ventura, do conjunto português, e as entradas de Martin Payero e João Pinto, que também desfalcou a selecção no jogo em referência, podem ser determinantes no desfecho do jogo.

“Acredito que podemos fazer história hoje, a começar com o facto de que é a primeira vez que jogamos com eles em Angola; mas há mais aspectos que julgo poder pesar na decisão deste jogo. Portugal é sempre Portugal, favorito, mas noto que, depois da saída de Reinaldo Ventura, a equipa portuguesa está a redentores e este factor pode ser bem aproveitado por nós”, disse.

Mário Correia assegura que “saiu o Reinaldo Ventura, reentrou o Luís Viana, que é muito experiente, mas não é a mesma coisa”.
Mário Correia acompanha a selecção nacional em todos os torneios e campeonatos desde 2005. O responsável federativo olha para a equipa de Angola e tranquiliza-se, dizendo que com respeito a todos os hoquistas que passaram pela selecção nacional, “Angola tem nesta prova a melhor selecção de todos os tempos”.

Além dos factores avançados, Mário Correia frisa também o facto de a selecção ser orientada por um treinador bem referenciado e que tem provas de competência dadas. Victor Almeida, comentador de hóquei em patins, considera que o Angola-Portugal já encerra alguma imprevisibilidade no resultado. A equipa de Angola tem evoluído muito nos últimos tempos, Portugal é favorito, mas não vai ser um jogo muito fácil nem para uma, nem para outra equipa.

NOVAS ATITUDES
Selecção nacional em dia de contrariar Ursos


No jogo que vai marcar o encerramento do grupo C, preliminar do campeonato mundial de hóquei em patins que Angola acolhe desde 20 do corrente, a selecçãos de Angola defrontam-se hoje, às 21H15 Portugal  com o objectivo de passar aos quartos-de-finais para decidir a liderança do grupo.

Na pista, as duas equipas conhecem-se bem. Angola e Portugal já se defrontaram na meia-final da Taça das Nações de Montreux, deste ano e, antes, no campeonato do mundo de San Juan, Argentina, em 2011. Nos dois últimos encontros, os “Ursos” designação da equipa portuguesa, venceram. Aliás, os ursos venceram todas as vezes que defrontaram a equipa angolana. São somente líderes do ranking mundial, ex-aquo com a Espanha.

O jogo de hoje coloca os portugueses diante de uma nova equipa e mais familiarizada com a nova mentalidade do seu treinador Orlando Graça. Diferentemente de outras ocasiões em que as duas equipas se defrontaram, a selecção nacional cumpriu um plano de preparação que não teve limitações, ou seja, Angola está física, técnica, táctica e psicologicamente melhor preparada que noutros tempos.

Há quem defenda que Angola pode fazer história, travando, pela primeira vez um candidato a campeão mundial, mas só depois das 21h15 se vai saber da verdade sobre os prognósticos. Enquanto Angola tem como motivação o facto de jogar em casa, os portugueses não podem admitir fracassos, já que desejam impedir o penta campeonato aos espanhóis.

Luís Sénica, experiente operário ao serviço do combinado europeu, chamou para o campeonato o experiente Luís Viana, que tinha deixado de constar das opções dos seus antecessores e trouxe a Angola um angolano, Helder Nunes, que, ao que consta, é filho do namibense Luís Neves.

O resultado conseguido diante do Chile, demonstrou que os portugueses não estão nos seus melhores dias. Luís Sénica, técnico de Portugal, vai alinhar com Ângelo Girão, Valter Neves, Ricardo Barreiros, Diogo Rafael e Luís Viana.

Orlando Graça, comandante da selecção nacional, vai sair com o cinco habitual, ou seja: Tiago Sousa, à baliza, Kirro e Centeno na zona defensiva, ao passo que Johe e João Pinto são os atacantes.
SILVA CACUTI

DE PORTUGAL
Embaixador considera
resultado imprevisível

O embaixador da República Portuguesa em Angola, João da Camara, considerou resultado imprevisível do jogo de hoje entre os ursos e a selecção de Angola, a contar para a última jornada do Grupo C do 41º Campeonato Mundial de hóquei em patins.

“Espero que não seja o jogo muito importante de amanhã (hoje) entre as duas selecções, em termos de qualificação para a outra fase (…) – Antecipando a hipótese de Angola ter vencido o Chile e Portugal afastasse a África do Sul. Que seja um jogo amigável entre dois países irmãos já apurados para os quartos de final”, começou por dizer o diplomata.

João da Câmara defende que, na condição de Embaixador de Portugal, a sua selecção ganhe todos os jogos e Angola também consiga levar a bom porto os seus objectivos.

“Fiquei muito impressionado com os dois primeiros jogos das duas selecções. Angola esteve muito bem diante da África do Sul, com um jogo muito rápido, onde marcaram oito golos, se bem que os sul-africanos se apresentaram como a equipa teoricamente mais fraca do grupo”, disse.

Quanto a Portugal, o diplomata afirmou que enfrentou uma equipa (chilena) teoricamente “mais forte”. No entanto, “tanto Portugal como Angola estão em condições de fazer um jogo bem disputado”. João Câmara sustenta que “as novas regras permitem poucas faltas e muito mais acção”.
JOÃO FRANCISCO

DOMINGOS TIVU
“Angola – Portugal
vai ser jogo difícil”


O antigo chefe do departamento de hóquei em patins do Petro de Luanda, Domingos Tivu, abordou ontem ao Jornal dos Desportos as perspectivas do jogo entre Angola e Portugal, válida para a terceira jornada do grupo C da fase preliminar da 41ª edição do Campeonato do Mundo de hóquei em patins que se disputa hoje às 21h15, no pavilhão multiusos de Luanda.

Domingos Tivu disse que Angola precisa de bastante trabalho e concentração para  vencer Portugal.
“Sinceramente não estou tão seguro da vitória da selecção nacional nesse jogo. É certo que estamos a caminhar bem e isso se viu no primeiro jogo Angola – África do Sul, assim como na Taça Zé Dú, em que o conjunto nacional mostrou grande de qualidade, mas não podemos esquecer que Portugal é uma das principais favoritas ao título, por tudo que ela é e pelo seu historial”, disse.

Domingos Tivu revelou ser necessária “cautela” para contrapor as investidas da formação portuguesa.
“Penso que nesta fase, todas as equipas tem um único objectivo: passar à fase seguinte. Portanto, vai vencer aquela que apresentar melhores argumentos em campo. Se Angola perder por 0-1 já sairemos contentes do jogo. O pior será uma goleada”, perspectivou.
ROSA NAPOLEÃO