Jornal dos Desportos

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Modalidades

Portugal volta a ficar pelo caminho

Silva Cacuti - 28 de Setembro, 2013

O golo argentino foi alcançado no primeiro turno do prolongamento já que no tempo regulamentar o empate nulo persistiu tendo se recorrido ao tempo extra para se encontrar o vencedor

Fotografia: M. Machangomgo

A selecção portuguesa de hóquei em patins falhou ontem, pela quinta vez consecutiva a presença na final de um Campeonato do Mundo, após derrota, diante da congénere da Argentina por 0-1, no segundo jogo referente às meias-finais da prova que hoje conhece o seu vencedor.

O golo argentino foi alcançado no primeiro turno do prolongamento, já que no tempo regulamentar o empate nulo persistiu. Carlo Nicolia marcou o golo.

Portugal vai esperar outros dois anos para tentar disputar uma final, que não joga desde 2003. Esfumou-se o sonho de superar a Espanha no ranking.Subiram à quadra do Multiusos duas equipas que, em comum, só tinham a ambição de jogar a final. Portugal para tentar esbater a hegemonia espanhola e a Argentina para tentar o título que lhe foge há dois mundiais consecutivos.

Carlos Coria escolheu Grimalt para a baliza, Carlos Nicolia, Esteban Abalos, Matias Platero e Carlos Chimino. Ofereciam garantias. Portugal com melhor estrutura de equipa, com jogo tacticamente mais elaborado, ao passo que a Argentina estava mais virada para o tecnicismo e criatividade individual.

Ainda assim, as equipas produziram hóquei em patins da mais alta qualidade. A assistência, cerca de 4000 pessoas, maioritariamente portugueses, vibrou e realçou as jogadas de maior perigo.

Muito drible, remates fortíssimos, virilidade, bolas ao ferro, apupos; a primeira parte do jogo teve de tudo, menos golos! Nomeadamente os treinadores não alteraram aquelas peças que lançaram no início do jogo. A intensidade do jogo baixava à medida que a contagem do tempo decrescia no placard.

Aos 31 minutos o árbitro viu uma falta na área dos ursos e assinalou pênalti, na sequência Luís Viana foi suspenso por dois minutos. Suspense na penalidade, mas Emanuel Garcia desperdiçou, o tempo passou, Portugal lançou Valter Neves na quadra e estava novamente "fifty - fifty".

As equipas tinham cada vez mais pouco para dar. O tempo avizinhava-se do fim, o cenário do prolongamento desenhava-se. A três minutos do fim Diogo Rafael acerto na baliza Argentina, mas a arbitragem invalidou, alegando falta do português. Gatuno... gatuno, cantaram os adeptos portugueses, em vão. Chegou o prolongamento.


FICHA TÉCNICA


Pavilhão Multiusos de Luanda
Assistência:4000
Arbitragem: Josep Navarro ( Espanha)/Leandro Agra (Brasil)

 Argentina: 1- Valentin Grimalt, 10- Daniel Merino, 2- Dário Fernandes, 3- Matias Pascual , 4- Emanuel Garcia, 5- Carlos Nicolia (1), 6- Esteban Abalos, 7- Mário Figueiroa, 8- Matias Platero, 9- Carlos Chimino
Treinador: Carlos Coria

 Portugal: 1- Agnelo Girão, 10- Ricardo Silva, 2- Valter Neves, 3- Gonçalo Alves, 4- Diogo Rafael, 5- Hélder Nunes, 6- Luís Viana, 7- Ricardo Barreiros, 8- Jorge Silva, 9- João Rodrigues
Treinador: Luís Sénica

 Intervalo: 0-0
Final do jogo:0-0
Prolongamento: 1-0


Consolação
Selecção Suíça
bate África do Sul

Numa noite friorenta, a selecção da Suíça derrotou a similar da África do Sul, ontem na cidade do Namibe, por 4-2, em jogo referente as classificativas do 9º ao 12º lugares do 41º Campeonato Mundial de hóquei em patins.

A África do Sul foi a primeira a violar a baliza adversária que entrou apática na quadra de jogos, quando eram decorridos 10 minutos por intermédio de Leonardo Araújo. Ao minuto catorze Leonardo Araújo voltou a violar a baliza dos suíços.

No reatamento da partida os suíços entraram com a lição bem estudada. Nesta toada, passados três minutos, Simon Van Allmen, com um forte remate do meio campo reduz o resultado para 2-1.

Depois do empate, o conjunto sul-africano passou a sentir imensas dificuldades de transpor o esférico para a linha dianteira, facto que facilitou a vida dos suíços.

Aos treze minutos, a Suíça deu a reviravolta (3-2), perante uma África do sul irreconhecível. Os suíços voltaram a marcar fixando o resultado final em 4-2.
Gaudêncio Hamelay

FICHA TÉCNICA

Pavilhão: Welwitchia Mirabilis
Arbitragem: Josep Sanchez (Espanha), Franco Ferrari (Italia) e Edefrides Cipriano (Angola).

África do Sul: Ricardo Maja, Michael Guerra, Adilson Correia, Cláudio Araújo, Leandro Araújo, Sergio Araujo, Ricardo Sousa, Nelson Mendes, Justin da Costa e Ricardo Figueiredo.
Treinador: Fernando Maia.

Suíça: Patrick Muhlheim, Nicola Imhof, Matti Thibaut, Jonas Jumenez, Simon Van Allmen, Marzia Vanina, Pascal Kissling, Joshua Imhof, Valeriaen Van Daniken e Guillaume Oberson.
Treinador: Gerald Brentini
Resultado final: 4-2


Brasil disputa quinta posição


O Brasil defronta  hoje, às 17h15, no pavilhão multiusos de Luanda, a selecção da Itália ou França, na partida  classificativa para o quinto e sexto lugar da 41ª edição do Campeonato do Mundo de hóquei em patins. Os brasileiros garantiram o passe ontem, após o triunfo de 7-5 diante da selecção de Moçambique.

O jogo entre dois países membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa terminou com a festa dos brasileiros, que têm algumas hipóteses de ser o segundo país da lusofonia, depois de Portugal, a constar entre os cinco melhores do mundial de Angola.

A alegria dos brasileiros foi confirmada no último período da partida, depois de um rigoroso empate ao intervalo a quatro golos. O jogo foi caracterizado por um sistema táctico aberto, sem rigor defensivo e tão-pouco ofensivo. Os moçambicanos foram mais atrevidos  e conseguiram abafar os brasileiros com golo madrugador de Mário Rodrigues aos quatro minutos da partida.

A liderança dos africanos no marcador desconcertou a equipa sul-americana dirigida pelo argentino Miguel Belbruno. Os brasileiros ficaram em estado de choque  durante quatro minutos, mas o desejo de vencer falou mais alto. Jurandyr da Silva “Didi” aproveitou um passe mal executado por Bruno Pinto e estabeleceu o empate aos oito minutos.

Moçambique restabeleceu as sinergias e não cruzou os braços. O “cinco” na pista tomou a iniciativa de partir ao ataque e, aos 10 minutos, Mário Rodrigues assinou pela segunda vez consecutiva.

Na sequência, o Brasil contra-atacou, mas o guarda-redes Igor Alves, de Moçambique, impediu de forma violenta a progressão do avançado Diego Dias. O árbitro principal Flossel Torsten, da Alemanha,  assinalou penalidade e expulsão do guarda-redes. Didi, como é tratado nas lides desportivas, cobrou o penaltie e restabeleceu a igualidade para o Brasil. O marcador assinalou: 2-2.

O equilíbrio manteve-se na partida até que os sul-americanos aproveitaram duas desatenções para se adiantarem no placard. Diego Dias marcou dois excelentes golos num curto espaço de tempo.

Os africanos do Índico não baixaram os braços. O técnico José Querido puxou pela equipa e passaram a pressionar o adversário. Ivan Esculudes e Carlos Saraiva fizeram gosto às mãos e restabeleceram a igualdade a quatro golos.

Na segunda parte, a precaução e o estudo mútuo dominaram os primeiros minutos. O técnico da selecção brasileira Miguel Belbruno “viu o furo” e orientou o ataque à toda dimensão. Aos 26 minutos, Cacau recolocou a sua equipa à frente do marcador. O golo galvanizou os brasileiros e o craque Jurandyr da Silva “Didi” aumentou mais dois golos nas contas do grupo.

Os números pareciam crescer, mas os moçambicanos travaram a “fúria”. Bruno Pinto reduziu a vantagem e selou a partida em 7-5.
Álvaro Alexandre


FICHA TÉCNICA

Pavilhão:
Multiusos de Luanda
Arbitragem: Flossel Torsten (Alemão) e Patrícia Costa (angolana)
Assistência: 800 espectadores

BRASIL: 1- Marcelo Tová, 2- Rafael Novaes, 3- Derivaldo Neto, 4- André Raposo, 5- Cláudio Selva “Cacau” (3), 6-Diego Dias (2), 7- Jurandyr da Silva “Didi” (2), 8- Bruno Mattos, 9- Alan Fernandes e 10- Aurélio Rieger.
Treinador: Miguel Belbruno

 MOÇAMBIQUE: 1- Arnaldo Queiroz, 2-Felipe Nabais, 3-Nelson Miquicene, 4-Nuno Araújo, 5- Bruno Pinto (1), 6-Spiros Esculudes, 7-Mário Rodrigues (2), 8–Carlos Saraiva (1), 9–Ivan Esculudes (1) e 10–Igor Alves
Treinador: José Querido

     MARCHA DO MARCADOR
Ao intervalo: 4 – 4
Resultado Final: 7 – 5


DECLARAÇÕES

Miguel Belbruno Técnico da Argentina
“Fomos os melhores”

O técnico do Brasil, Miguel Belbruno, afirmou que a vitória do Brasil diante de Moçambique foi merecedora. “Fomos os melhores  em campo. Os moçambicanos fizeram tudo para impedir o nosso triunfo. Desta vez, os meus jogadores souberam valorizar o adversário. Com empenho e determinação, continuamos na luta para atingir a posição da quinta selecção do mundo, em 2013”, gabou-se. O orientador principal da formação brasileira reforçou: “Temos o período da amanhã (hoje) para preparar o próximo jogo, mas não faremos treino de campo”, disse.

Miguel Belbruno revelou que vão reunir para analisar as falhas cometidas nos quatro encontros que disputaram e vão projectar  a partida de logo à tarde. “Estamos cientes do que nos aguarda; temos um desafio muito importante, visto que o adversário tem também objectivos similares”, disse.


José Querido Técnico de Moçambique
“Derrota provoca desconsolo”

O seleccionador de Moçambique, José Querido, tinha um semblante desconsolado pela derrota de 5-7 a favor do Brasil. Na conferência de imprensa, o técnico português disse que se esgotaram as estratégias para ocuparem no mínimo o quinto lugar da 41ª edição do Campeonato do Mundo de hóquei em patins, a primeira que decorre em África.

“O resultado provocou desconsolo no seio do grupo. Estamos afastados do quinto lugar. Tudo fizemos para transformar as nossas jogadas em vitória, mas fomos infelizes; defrontámos um adversário determinado a vencer”, justificou.

Quanto à expulsão do guarda-redes Igor Alves, aos 10 minutos do primeiro tempo, José Querido afirmou que “quebrou o rendimento da equipa”.