Jornal dos Desportos

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Praga continua a perseguir a selecção de Portugal

Álvaro Alexandre - 30 de Setembro, 2013

Tristeza e choros marcaram o penúltimo jogo de Portugal nas meias-finais do Mundial realizado nas cidades de Luanda e do Namibe

Fotografia: Jornal dos Desportos

A praga do terceiro lugar continua a fazer morada na selecção portuguesa. A nova pulga é sul-americana e tem o nome de Argentina. Depois de afastar os ursos, designação da selecção portuguesa, em 2011, na cidade de San Juan, os homens do tango voltaram a dançar em Luanda, perante 12 mil espectadores, nas meias-finais do 41º campeonato do mundo de hóquei em patins.Os dez anos de jejum (sem título) começam a eternizar na selecção portuguesa. O desejo do título esfuma-se na esperança. Luanda não foi a terra prometida. Resta apenas a consolação da medalha de bronze.

Portugal chegou a Luanda para apagar a má imagem que ostenta desde 2003, ano em que ganhou o 15º troféu em Oliveira de Azeméis. Os argumentos tácticos esboçados pelo seleccionador Luís Sénica foram insuficientes para ir além do terceiro lugar. Um golo de ouro valeu a prata à Argentina, a principal “praga” dos ursos. Com um estilo refinado, Portugal entrou nas meias-finais para inverter a história dos jogos. Os lances ofensivos e rápidos dominaram os 40 minutos. As balizas fecharam-se. No prolongamento, o argentino Diogo Rafael marcou o golo de ouro, relegando os portugueses da final. Os choros invadiram a pista.

As desculpas apontam os culpados. O técnico da selecção de Portugal, Luís Sénica, reclamou da actuação da arbitragem, elemento também apontado pelas entidades federativas lusas. Os portugueses afirmaram que a intenção era afastá-los da final, para evitar uma final europeia.Portugal despediu-se do Chile na partida qualificativa para o terceiro lugar. Enfurecidos pela derrota anterior, venceram os sul-americanos por 10-3. Na fase preliminar, os ursos dominaram a série C. Abriram o activo com uma vitória sobre o Chile por 5-3, bateram copiosamente a África do Sul por 21-2 e fecharam com vitória de 5-1 sobre Angola.

Nos quartos de final, os comandados de Luís Sénica afastaram o sonho dos moçambicanos, numa partida lusófona. Os seis golos sem resposta espelham a superioridade dos portugueses. O ataque português facturou 32 golos em seis partidas, com uma média de 5,3 golos por partida. A maior safra de golos ocorreu diante da África do Sul (21-2) e menos volumosa foi contra o Chile (5-3), ambas na série C. Portugal é o segundo país com maior número de medalhas no ranking mundial; tem na sua galeria 15 de ouro, nove de prata e 14 de bronze. A Espanha lidera com 16 de ouro.

QUARTO LUGAR
Chile volta ao melhor registo na prova


A selecção do Chile terminou em quarto lugar no 41º Campeonato do Mundo de hóquei patins que Angola albergou de 20 a 28 do corrente, igualando o melhor registo da equipa chilena nesta competição.A equipa liderada por Maurício Llera esteve a uma vitória para fazer história e superar o quarto lugar alcançado em Talcahuano em 1980, Barcelos’1982 e em San Juan, Argentina, em 1989. 

Inserido no grupo C ao lado das selecções de Portugal, Angola e África do Sul, o combinado chileno não constou como favorita aos quartos-de-final.Mas face ao seu empenho, os chilenos começaram a dar nas vistas ao afastar dos quartos de final a selecção anfitriã, Angola. A outra surpresa protagonizada pelo combinado chileno veio nos quartos de final, quando afastou um dos candidatos ao título, a poderosa Itália.

No final do jogo, o técnico chileno disse: “Nada é impossível na vida. Quando há fé e trabalho tudo é possível; trabalhámos muito para chegar até aqui. Hoje é dia de celebrar e amanhã é de voltar ao trabalho”.

Chile sai de Angola com boas lembranças. Jogar as meias-finais foi ouro sobre azul. Foi um golo de ouro que a colocou entre as quatro melhores do mundo. Em dia de “sorte”, os sorrisos foram pintados com as cores da bandeira chilena. Se de um lado havia a alegria, os italianos queixaram-se de si mesmos.

Agitaram-se para uma confusão com os árbitros.Nas meias-finais, o destino foi padrasto. A toda-poderosa Espanha marcou na baliza chilena sete golos. Longe das boas exibições feitas com Angola e Itália, o Chile perdeu-se. Com a defesa meio aberta coleccionaram golos em espaços de tempo curtos. A destreza espanhola aproveitou a fragilidade e encheu o papo. Era a rendição chilena.

Para baixar a auto-estima, os chilenos foram ao encontro de Portugal, uma selecção com o orgulho ferido. Desde muito cedo, os sul-americanos viram as violações às suas redes. No final da partida contabilizaram dez golos sofridos contra três marcados. A promessa da sua juventude foi um aviso à navegação no próximo campeonato do mundo a realizar-se em França, em 2015.  VALÓDIA KAMBATA

QUINTO LUGAR
Itália falha
objectivo


A selecção italiana tinha como objectivo principal melhorar o quinto lugar, mas viu o sonho adiado ao perder nos quartos de final com o Chile, num jogo de muita polémica à mistura. Inseridos no grupo B, os italianos passearam a sua classe ao vencer primeiro os moçambicanos por 4-1, depois os colombianos por 5-3 e golear os norte-americanos por 10-0. Na apreciação da participação italiana no 41º Campeonato do Mundo de hóquei em patins, o técnico italiano Massimo Mariotti mostrou-se conformado com o quinto lugar alcançado, fruto da vitória sobre o Brasil.

Cotada como a terceira força do hóquei em patins, a Itália saiu de Angola sem medalha, uma situação que se repete. Para acalmar a memória, Massimo Mariotti reconheceu que a Itália tinha capacidade para chegar ao quarto lugar, onde habitualmente alterna com a Argentina.“Fizemos tudo para estar entre os quatro primeiros classificados, mas infelizmente os árbitros não deixaram”, justificou.  Ainda assim, a Itália teve a oportunidade de lançar quatro jovens de 17 anos que podem assumir as responsabilidades no mundial de França em 2015.“Foi um bom campeonato, onde começámos a rejuvenescer a nossa equipa. Temos a certeza de que, no próximo campeonato, vamos ser mais fortes”, prometeu o técnico italiano. VALÓDIA KAMBATA