Jornal dos Desportos

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1 de Agosto campeo nacional

?lvaro Alexandre - 23 de Julho, 2017

As militares fecham o corredor de golos das petrolferas, mas a repetio do sucesso da fase regular estava tremida.

Fotografia: Nuno Flash| Edies Novembro

Em jogo equilibrado e com as mãos da dupla de árbitros, a equipa sénior feminina de andebol do 1º de Agosto revalidou ontem, na Cidadela Desportiva, o título de campeã nacional da época 2017, após a vitória convincente sobre o Petro de Luanda por 23-18 na final.
Recheada de adeptos e espectadores curiosos, a Cidadela rebentava pelas costuras.

Um ambiente propício para o 1º de Agosto e Petro de Luanda demonstrarem o quanto valem. As duas equipas entraram na quadra decidida a tomar as rédeas do jogo. Olho no olho era a tónica da partida. Mais versátil que o Petro de Luanda, o 1º de Agosto rodava as jogadoras sem perder o fio de jogo. A experiência das "veteranas" era travada por um grupo de juniores que despontam no Catetão. Morten Souback altera para o plano B.

A defesa cerrada. As militares fecham o corredor de golos das petrolíferas, mas a repetição do sucesso da fase regular estava tremida.
Do outro lado, Vivaldo Eduardo sabia como explorar as competências das suas atletas jovens. Impulsionadas pelo desejo de pôr fim ao jejum de título, as petrolíferas exigiram mais sacrifício às campeãs nacionais. A resposta não demorou: Souback colocou na quadra a melhor "artilharia" à sua disposição.

A caminhada para o sucesso estava difícil. O dinamarquês estava apreensivo. Diante de si, estava uma equipa transfigurada e recheada de jogadores juvenis e juniores. Não havia nada de comum com a que enfrentou na primeira fase. Era muito disciplinada e tecnicamente bem apresentada. Liderada por Magda Cazanga, o Petro de Luanda impunha a ordem às militares.Ao intervalo, o 1º de Agosto ganhava por 13-12.

No reatamento, Christian Mwasessa e Magda Cazanga procuraram destacar-se. Azenaide Carlos e Isabel Guialo decidiram inscrever-se também entre as melhores em campo. O jogo ganha nova tónica. Repetir os 26-18 da fase regular estava cada vez difícil. Souback aposta na rotatividade e o Petro de Luanda começa a sentir o desgaste das principais unidades. O momento foi propício para elevar o resultado. Com contra-ataques rápidos, o resultado começou a dilatar. As militares ganham fôlego.

Em busca de golo para equilibrar o jogo, as petrolíferas lideram a lista de falhanços. Vivaldo Eduardo não se lembra quantas vezes colocou a mão à cabeça. Um "puxão de orelha" à equipa valeu-lhe pequena concentração. Entre as militares, a recuperação das adversárias foi um "susto" de curta duração. A diferença de golos era suficiente para começar a festejar a consagração de mais um triunfo nacional. No final, o placard era de 23-18, cinco golos de diferença.

O 1º de Agosto não admitiu que fosse "beliscado" em nenhum momento da 39ª edição do Campeonato Nacional. As militares disputaram oito partidas e venceram todas. Não houve hipóteses das petrolíferas almejar o título nacional. A equipa do Rio Seco, orientada pelo técnico dinamarquês Morten Saubak, teve o ataque mais concretizador da prova com 219 golos e a baliza menos violada com 114 golos. A competição nacional produziu 1126 golos.

A prova contou com a participação de sete equipas, das quais cinco de Luanda e duas de Benguela. A melhor marcadora foi a andebolista Helena Paulo, do Clube Desportivo da Marinha de Guerra com 48 golos em sete partidas. Em segundo lugar ficou Voneiti Domingos, do ASA com 42 golos. Cristian Mwasessa, do 1º de Agosto, e Aznaide Carlos, do Petro de Luanda, ambas com 39 golos, ficaram em terceiro e quarto lugares.

Com 1º de Agosto campeão e Petro de Luanda, vice-campeão, a classificação reserva espaços para Marinha de Guerra na terceira posição, seguido do ASA, Casa Pessoal do Porto do Lobito, Electro do Lobito e Progresso Sambizanga.

MASCULINO
Militares revalidam título nacional


Está consumado a consagração. Mais forte, esclarecido e bom espírito de grupo, os militares do 1º de Agosto ergueram ontem, na Cidadela Desportiva, o troféu de campeões nacionais seniores masculinos. A revalidação do título no 39º campeonato nacional aconteceu após a vitória folgada sobre o Interclube por 16-11 na última jornada.

A equipa de Filipe Cruz entrou no jogo com atitude de campeã. Possante e forte no contra-ataque, o 1º de Agosto começou a marcar os golos nos primeiros minutos, uma estratégia bem planificada. Com uma defesa cerrada, os militares não permitiram a violação à baliza. Giovane Muachissengue era uma pedra larga para qualquer furo. O Interclube desconhecia a rota de golos.

Nos minutos seguintes, uma desconcentração militar, permite o equilíbrio no jogo. As jogadas rápidas dos polícias surte efeito positivo e começa a colheita. Ora marco eu, ora marcas tu. O equilíbrio mexe com as equipas técnicas. O factor psicológico chega à quadra e os atletas decidem inscrever a lista de falhas. Do lado do Interclube, só um pedido de tempo os salvaria de tantos falhanços.

A escassos minutos do intervalo, o Interclube desperta da sonolência e começa a levar algum perigo à baliza adversária. O placard acusava 5-1 favorável aos militares. Elias António era um atleta inconformado. O número 9 marcou golos em dois contra-ataques e reduziu a desvantagem para 5-3.

Até ao intervalo, Giovane Muachissengue, o guarda-redes do 1º de Agosto, era o homem de jogo. Todas as investidas contra a sua baliza tinham respostas. A intervenção levantou aplausos da claque. Ao som do último apito da primeira, o placard apontava 7-5 favorável aos militares.

No reatamento, as duas equipas entraram precavidas e procuraram não cometer muitos erros. O 1º de Agosto evidenciou ser a equipa com maior experiência em campo e começou a definir os seus objectivos. Do outro lado, via-se um Interclube que se esforçava, mas não conseguia contrapor aos ataques militares.

A seguir, o bom momento dos polícias acabou-se e deu lugar ao desespero. As falhas repetiam-se com frequência. A baliza de Muachissengue era cada vez mais inviolável. A ingenuidade do Interclube valeu-lhes sofrer golos atrás de golos. No placard, a diferença de cinco golos deixa reconfortada a equipa de Filipe Cruz: 7-12.

A caminho do final do jogo, o equilíbrio voltou à partida. Os militares jogaram com o tempo e procuraram atacar no momento certo. A vitória estava consumada. Ao som do apito final, o resultado foi de 12-16, favoráveis aos campeões nacionais.
RN

REACÇÕES
Souback e Belinha
exaltam conquista

No seu primeiro ano em Angola, o treinador Morten Souback manifestou-se regozijado pela conquista do troféu de campeão nacional sénior feminina pelo 1º de Agosto. Entre abraços e afagos com as atletas e outros membros da equipa técnica, as lágrimas visitaram-no de levezinho. Sem lenço, os dedos da mão esquerda limparam as gotículas escondidos nos extremos dos olhos. Em entrevista à Rádio Cinco, mais reconfortado, o dinamarquês disse: "Estou feliz pela qualidade do jogo, pela vitória e por ser campeão nacional de 2017. Foi uma grande jogo, bem disputado e o segredo da vitória esteve na defesa das segundas bolas".

EDGAR NETO
No lado petrolífero, Edgar Neto reagiu com insatisfação a derrota na final do campeonato nacional. Há quatro anos, a equipa do Petro de Luanda desconhece o sabor de uma consagração de título. Os fracos investimentos reflectem-se no resultado, mas não é a causa do descalabro. Para o adjunto de Vivaldo Eduardo, a equipa só perdeu o campeonato de 2017, porque "a dupla de árbitros da CAHB (Confederação Africana de Andebol) não estavam à altura de apitar a final".

"O 1º de Agosto não precisa de ajuda de arbitragem pela qualidade das suas atletas. Essa dupla de arbitragem vai envergonhar o país nas competições internacionais", disse Edgar Neto. Vozes autorizadas a abordar o andebol, também queixaram-se da qualidade da dupla de árbitros. Os comentaristas da Rádio Cinco disseram que "a dupla de árbitros não apresentavam qualidade para apitar a final, pois faltou-lhes categoria".

BELINHA
A jogadora do 1º de Agosto e campeã nacional, Belinha, esteve radiante. Muito feliz pela conquista do título nacional, prometeu juntar o troféu da Taça de Angola à Galeria do Clube militar já no próximo dia 28 do corrente. "Queremos juntar a Taça de Angola à nossa Galeria para fecharmos a época em grande. O 1º de Agosto é uma equipa que tem um único objectivo em todas as competições: vencer. Conseguimos atingir esse objectivo definido no início da época. Está de parabéns o grupo pela garra e disciplina demonstrada ao longo da competição. Está também de parabéns a direcção do clube por tudo que faz em prol da equipa. Agradecemos à direcção de Carlos Hendrick. Estamos confiantes pela conquista da Taça de Angola", disse.