Jornal dos Desportos

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Modalidades

Acadmica pondera extinguir o Andebol

Jlio Gaiano, em Benguela. - 18 de Abril, 2019

Clube j� formou atletas que representaram a Selec��o Nacional

Fotografia: Dombele Bernardo |Edi��es Novembro

A direcção da Académica Petróleos Clube do Lobito, está em rota de colisão com os membros da equipa técnica de andebol. O mote da confusão reside no facto de o seu presidente, Luís Gonçalo Borges, decidir suspender a prática da modalidade por tempo indeterminado naquela colectividade desportiva, três décadas depois da sua implementação no grémio.
A confusão instalou-se, quando, em meados de Março último, momentos em que se projectava o arranque do torneio de abertura, num encontro de concertação com o presidente de direcção, para se abordar e perspectivar a época, tendo em atenção às competições locais e nacionais, os membros da equipa técnica receberam com estrondo, a noticia sobre a suspensão de todas as actividades andebolísticas no clube.
De acordo com o professor Franco da Cunha Liberal, coordenador técnico da modalidade, a aludida decisão tomada pelo presidente do clube deveu-se à carência de materiais desportivos de que o clube faz frente, para além da falta de meios de transportes e " mimos " para os incentivos das atletas, depois dos treinos e jogos oficiais, no caso dos lanches, circunscritos em sumos, frutas, águas e sandes, sobretudo.
“Assustado com as condições postas à mesa, o presidente nada mais fez senão dar por terminada a reunião e, de seguida, anunciar a suspensão de todas as actividades andebolísticas no clube, atropelando as normas estatutárias do clube. Uma decisão dessa natureza, não se deve tomar de ânimo leve, mas sim, sob a aprovação dos associados em assembleia. O presidente esqueceu-se desse pormenor; por isso, pouco ou nada podemos fazer, senão lamentarmos pelo sucedido”, contou.
Ao Jornal dos Desportos, Franco Liberal fez questão de lembrar que, apesar de Luís Borges ter sido um exímio praticante de andebol no Sporting Clube do Lobito, pesa sobre si a extinção do Team Escola de Andebol da Restinga- Lobito (Team EARL), um projecto andebolístico fundado em 15 de Maio de 1995, por um grupo de antigos praticantes, sob a coordenação do professor Bertelim Nelson Leite.
 “Curiosamente, foi sob a sua liderança, que a Escolinha de Andebol morreu. Repare que, com o fim daquele projecto, o andebol no Lobito e, na província, sobretudo, deixou de ser o mesmo e, pelos vistos, pretende fazer o mesmo na Académica do Lobito. Alguém deve pôr a mão nisso, de forma a evitar que o pior aconteça. É um alerta sério à navegação! Ajudem-nos a demovê-lo desta insidiosa pretensão”, ajuntou.
Atletas como Nair Almeida “Filipa”, Irina Almeida, Florinda Pedro, Coxita, Vanuza, Mãezinha, dentre outras, todas com passagem nas diferentes selecções nacionais, foram produto daquela agremiação desportiva.
Hoje só ficaram lembranças; lembranças essas que colocam um mal-estar aos aficionados da modalidade, justamente, pela forma como desapareceu do cenário andebolístico nacional.

Dívida
Técnicos aguardam pelos seus ordenados

A par deste imbróglio, a direcção da Académica do Lobito é acusada de não pagar na totalidade, os ordenados dos membros da equipa técnica desde 2016 até à presente data, facto que os deixa constrangidos. Ademais, receiam que jamais os possam vir a pagar, em função dos últimos desenvolvimentos instalados no grémio.
“Estamos a viver um calvário autêntico. Nos últimos tempos, a direcção virou-nos às costas. Das verbas alocadas pela ESSO Exploration-Angola/Sonangol, EP, são quase todas (elas) direccionadas ao futebol de alto-rendimento, contrariando as políticas da empresa patrocinadora, que passa pela assistência de desporto de formação, como é o caso do andebol na Académica do Lobito”, revelou.
O Jornal dos Desportos soube do professor Franco da Cunha Liberal, que a direcção liderada pelo empresário Luís Gonçalo Borges deve aos quadros técnicos de andebol, quantias avaliadas em 4 meses de salários referentes ao ano de 2016; dois (2) meses ao de 2017; e os três (3) meses relativos ao 2018. Este ano os técnicos ainda não receberam qualquer remuneração.
“Agora, com esta decisão (de se extinguir o andebol), fica tudo mais difícil e complicado esperar que, algum dia, possam pagar o que nos devem (…)”, desabafou.