Jornal dos Desportos

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Angola consente derrota frente a Hungria

Silva Cacuti, Em Copenhaga - 14 de Janeiro, 2019

Fotografia: Vigas da Purificao | EDIES NOVEMBRO

A selecção nacional sénior masculina consentiu ontem a primeira derrota por 24-34 no 26º Campeonato Mundial diante da Hungria, em jogo da segunda jornada do Grupo D preliminar. Ao intervalo, o placar mostrava os desfavoráveis 8-18.
Uma vitória colocaria Angola próximo da inédita qualificação à segunda fase da prova. A média quase exalta de um golo a cada cinco minutos,  conseguida pelo ataque angolano, demonstra bem ou a grande noite de Roland Mikler, guarda-redes húngaro, ou o dia desastrado em que Filipe Cruz e pupilos saíram para jogar andebol. A equipa simplesmente não acertava com a baliza e os remates, que para lá se dirigiam, muitos eram travados pelo guarda-redes. O homem da baliza húngara acabou distinguido como MVP do jogo.
Aos 17 minutos, a selecção nacional já perdia por 11-14 por demérito próprio ante a falta de calma no ataque, provocada por ansiedade. Talvez seja pela vitória da véspera. O conjunto mostrou-se descaracterizado. Giovani Muahissengue fez o que podia, mas foi incapaz de atender à avalanche ofensiva dos europeus.
\"Não te metas em cuecas grandes se não tens alfinetes\", diz um velho ditado. E casa bem com a situação da selecção nacional que, antes do minuto 20, se viu impedida de utilizar o influente Pivot Gabriel Teka por lhe ter sido rasgada a camisola e não haver outra para substituir.
Um azar não vem só. Sem Teka, o grupo ficou mais impotente tanto no ataque como na defesa. A Hungria não precisou esforçar-se tanto para garantir a primeira vitória na prova.
No segundo tempo, Teka voltou com a camisola costurada. Angola também voltou ao jogo, melhorou ofensivamente, fez oito golos nos primeiros 13 minutos, mas a factura do primeiro tempo era pesada. A costura improvisada da camisola de Teka desfez-se e voltou a não dar o seu contributo à equipa na parte final. No parcial, Angola empatou a 16 golos o segundo tempo.

QATAR VENCE EGIPTO
No jogo que abriu a jornada, o Qatar descarregou a fúria sobre o Egipto, 28-23, num jogo que começou equilibrado, mas a condição física traiu os africanos que, desde Maio de 2018, são orientados pelo espanhol David Davis.
Ao intervalo, os egípcios perdiam por 15-12, mas a meio da segunda parte desconcentraram-se no ataque e ficaram quase de 10 minutos sem marcar. O momento foi aproveitado pelo Qatar que precisava ganhar para recuperar o astral, depois da derrota para Angola na ronda inaugural.
Noutros jogos, do grupo B, a Macedónia venceu o Bahrein por 28-23 e a Croácia derrotou o Japão por 35-26. A Espanha ganhou à Islândia por 32-25.  Ainda ontem, para fechar a jornada, a Argentina defrontou a Suécia.


JOGO COM ANGOLA
Adeptos suecos estão apreensivos


Mesmo com acesso às estatísticas das equipas e conhecedores da sua condição de favoritos no jogo de logo mais, os adeptos suecos titubeiam quando se lhes pede uma opinião sobre o desfecho da partida de mais tarde, às 20h30, pontuável para a terceira jornada do grupo preliminar D, diante de Angola.
A atitude mostra não só desconhecimento das reais capacidades do conjunto angolano, mas também de respeito pelos desconhecidos. Jonathan Slim, um dos adeptos ouvido pela nossa reportagem, veio a Copenhaga, com esposa e dois filhos. É ferrenho, trajava camisola amarela com vivos azuis. Do lado direito da face eram visíveis duas linhas azuis, pintadas com o dedo.
\"Olha, sabemos da Argentina e do Egipto, mas nada sabemos sobre Angola. Tiveram uma grande vitória diante do Qatar; também ficámos surpreendidos. Parabéns\", comentou.
Sobre o provável desfecho do jogo, os miúdos, confiantes, apressaram-se a dizer que \"a Suécia vai ganhar\". Mais ponderado foi Jonathan que referenciou ser este  o 8º Mundial a que assiste.
\"Não posso afirmar categoricamente que vamos ganhar. Somos favoritos. Respeitamos Angola, mas não somos Qatar\", terminou.
Outros suecos ouvidos pela nossa reportagem, com mais ou menos palavras, sabem dizer a mesma coisa. Facilmente admitem o favoritismo e dificilmente assumem a vitória.
Angola e Suécia são as únicas equipas do grupo que começaram a prova com vitória.    


SUÉCIA-ANGOLA HOJE
Jogo dos extremos
no grupo D preliminar  
 
O grupo D preliminar do 26º campeonato do mundo é hoje abrilhantado pelo denominado jogo dos extremos, em que entram em cena a Suécia, selecção que tem o melhor ranking do grupo, vice-campeã europeia e sexta da última edição do mundial de França 2017, por um lado, e ANGOLA, a menos cotada, bronze africana e última classificada do mundial de 2017. O jogo vai fechar a terceira jornada do grupo D, às 20h30.
A perspectiva de jogo definida por Filipe Cruz é contrariar o favoritismo. Além de ser a mais cotada, alinha estrelas como Jim Gottfridsson, MVP do Europeu de 2018, a Suécia é também a equipa que mais adeptos trouxe a Copenhaga. Três vezes campeã mundial, a última em 1999, os suecos têm uma nova geração de atletas. São mesmo apontados como favoritos à conquista do mundial.
Hoje, terão pela frente um adversário diferente, que pode ser um teste à sua prontidão para conquistar o mundo. ANGOLA de Filipe Cruz é amarga, não é uma pêra doce. Os pupilos estão galvanizados, só pela presença no mundial, nada têm a perder.
A jornada abre às 15h30 com a Hungria a defrontar o Qatar, enquanto, às 18h00, o Egipto mede forças com a Argentina.                    SILVA CACUTI