Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Angola termina invicta

Silva Cacuti - 03 de Dezembro, 2016

Angolanas estão bem encaminhadas para o título

Fotografia: José Cola

A Selecção Nacional sénior feminina de andebol terminou invicta a primeira fase do 22º Campeonato Africano, após derrotar ontem, na derradeira jornada da fase preliminar, a República Democrática do Congo por 38-19. Era um resultado previsível a julgar pela prestação da equipa nacional desde a primeira jornada da prova. As comandadas de Filipe Cruz denotam amadurecimento dos conceitos, jogo após jogo.

Ontem foi mais uma exibição convincente diante de um adversário que habitualmente perde, mas que tentou a todo o custo alcançar a primeira vitória na prova. Estava sem Christianne Mwasesa, a sua unidade mais evoluída, que se apresentou no pavilhão com o braço ligado. A RDC só não saiu ao intervalo com o registo de uma cabazada por culpa de alguma ineficácia do ataque angolano. Angola vencia por 18-11.

No reatamento, a toada de jogo manteve. Filipe Cruz, que tinha alinhado uma equipa com atletas menos utilizadas, entre as quais Luísa Kiala e Lourdes Monteiro, colocou a equipa principal.

A noite foi de Joelma Viegas"Cajó", MVP, que apontou 10 golos.

A resposta congolesa era dada por Alegra Oholanga, que decidiu assumir o papel de Mwasesa e desfeiteou a baliza angolana por nove vezes.

O público, que apareceu em grande número, acima de seis mil, fez a sua parte. Sublinhou cada jogada e ovacionou os golos.

Angola, sem qualquer pressão, assentou o seu jogo, fechou as linhas de passe das adversárias e fez variações defensivas que anularam o que restava do ataque congolês. Alegra, que na primeira parte já tinha apontado seis golos, apenas marcou mais três.

O jogo entra para os registos como o que se viu marcar o maior número de golos, mas também foi a noite em que a baliza angolana mais sofreu. Até aí, Angola tinha consentido um máximo de 18 golos por jogo.

Hoje, aprova regista pausa geral. Amanhã, jogam-se os quartos de final.

A Tunísia abre os "quartos" a defrontar, às 13h00, a Costa do Marfim. Às 15h00, a República do Congo joga com os Camarões. No jogo das 17h00, intervêm as selecções do Senegal e Guiné, enquanto Angola fecha, às 19h00, diante da Argélia.

ARGÉLIA REAPARECE
MAS FALHA VITÓRIA


Naquele considerado como o seu melhor jogo desde o arranque da competição, a selecção da Argélia obrigou ontem a congénere da Tunísia a trabalhar para vencer. A campeã continental venceu por 27-21, quando, ao intervalo já tinha garantida vantagem de o arranque do torneio.

Quando se pensava que as tunisinas haviam de encontrar um passeio em campo, as argelinas responderam com atitude e vontade de mostrar que ainda estão na competição.

Desde o primeiro minuto, tentaram estabelecer equilíbrio no marcador. Sarah Azzi, número 10, foi a argelina mais inconformada e contagiou o grupo com a vontade de vencer. A vontade apenas não basta, quando a adversária é a campeã. Faltou técnica, faltou experiência e argúcia para infringir derrota à campeã.

Do lado tunisino, fazia-se jogo tranquilo, sem muita velocidade, próprio de quem sabe que vai vencer.

Inês Khoulwidi, central, assumiu a zona intermédia do jogo e toda a jogada atacante da Tunísia passava pelas suas mãos.

Mas a Argélia dava luta. O resultado cifrava-se teimosamente entre três e quatro golos. Ao intervalo, o placard marcou 14-9 para a Tunísia.

No reatamento, a equipa tunisina fez gestão do placard, deixou as argelinas assumirem as despesas do jogo e quando a condição física não permitiu mais, fugiu no marcador e fez os 27-21 finais.


DIA DE FOLGA
Passeio turístico
passa no Memorial Neto


A paragem pelo Memorial Agostinho Neto vai ser um dos momentos altos do passeio turístico agendado pela organização do 22º Campeonato Africano das Nações sénior feminino de andebol para preencher o dia de folga.

O conhecimento sobre a figura e a obra do primeiro Presidente angolano vai ser uma das lembranças que as atletas inscritas nesta prova vão levar de Luanda. Esta é a principal actividade prevista para o dia de folga, segundo Ilídio Cândido, coordenador adjunto do campeonato.

Inaugurado a 17 de Setembro de 2012, o Memorial é a maior homenagem à figura do fundador da nação angolana. Quando se percorre no monumento, é possível "viajar" no mundo da poesia de Neto, pois os seus poemas estão estampados nas paredes do Memorial.

O Memorial Dr. António Agostinho Neto apresenta uma arquitectónica vincada por duas grandes naves com mais de 60 metros de extensão e uma torre de cerca de 120 metros de altura, que pode ser visualizada a partir de vários pontos da cidade de Luanda. O espaço circundante tem a configuração de um jardim coberto de relvado, onde poisam amiúde dezenas de garças e no meio do qual um elefante em pedra cinza se prostra em sinal de respeito.

O trajecto da visita, que começa na vila olímpica instalada no Resort Dream Space, inclui, depois do Memorial, uma volta à Ilha de Luanda, onde a caravana não vai parar. Depois de serpentear por quase toda a capital, está prevista uma paragem no Belas Shoping, onde as atletas vão ter tempo para adquirir lembranças antes de regressar ao local de alojamento.


HOJE DE MANHÃ
Pérolas privilegiam treino


A selecção nacional não vai participar do passeio turístico agendado para o dia de hoje pela organização do 22º Campeonato Africano que decorre em Luanda. A equipa tem previsto um treino de ginásio às sete horas, segundo Ilídio Cândido, que falava na condição de coordenador da selecção.

É a única actividade conhecida para o dia. "A agenda depende do seleccionador nacional, Filipe Cruz, que não revelou as actividades do resto do dia", segundo aquele responsável.

Ilídio Cândido disse ainda que não está prevista qualquer visita da selecção nacional à vila olímpica, onde as atletas angolanas podiam ter momentos de convívio com as integrantes de outras caravanas.

A selecção nacional está alojada no Hotel Diamante, na zona baixa da cidade, enquanto as demais equipas estão alojadas na zona do Kikuxi, no Dream Space.

TREINADORES
ENCERRAM CURSO


O dia de folga do Campeonato Africano vai ser marcado pela entrega de diplomas aos cerca de 60 técnicos de andebol que frequentaram uma acção formativa sob os auspícios da Confederação Africana de Andebol (CAHB). O curso foi ministrado pelo francês Paul Landre.

Dentre os formandos há a realçar a presença de um técnico camaronês que veio a Luanda a propósito.

As províncias do interior estão também representadas. O Namibe tem o maior número com quatro participantes. Pelo Uíge estão a participar dois treinadores, enquanto a Huíla, Cunene, Cuando Cubango e Cuanza Norte inscrevem um único treinador. A esmagadora maioria de participantes é de Luanda.                           


GRUPO A
Camarões sucumbe ante Senegal


A selecção dos Camarões voltou a fracassar ontem e perdeu por 13-24 diante da selecção do Senegal em jogo pontuável para quinta jornada do grupo A do Campeonato Africano de Andebol sénior feminino que decorre em Luanda.

As camaronesas, que vinham de uma vitória frente a selecção do Congo Democrático por 25-24, entraram confiante e esperaram repetir a proeza. A intenção foi traduzida em trabalho. Do outro lado da quadra estavam as senegalesas bem estruturadas. Com jogadas rápidas, desmembraram a defesa dos Camarões e aos 15 minutos de jogo adiantaram-se no marcador: 3-9.

O Senegal crescia no jogo e optou por jogadas ofensivas mais rápidas. As camaronesas não conseguiam adaptar-se aos sistemas tácticos da equipa adversária. O jogo prosseguiu com pouca intensidade que resultou em poucos golos. Aos 34 minutos, o placard apontava 4-10 favoráveis ao Senegal.

A sagacidade e a rapidez marcaram o sistema táctico do Senegal, enquanto os Camarões exibia um ataque pouco elaborado e dificilmente fazia remates na linha de nove metros. O modelo adoptado beneficiou as senegalesas que elevaram o resultado para 6-12 ao intervalo.

No tempo complementar, a selecção dos Camarões corria na tentativa de perigar a baliza adversária. Os esforços redundaram sem êxitos. O Senegal defendia-se muito bem. Era mais forte nos ataques. A meio da segunda parte, o placard registou dez golos de diferença: 11- 21.

Nos últimos quinze minutos, o vencedor estava definido. A equipa dos Camarões mantinha a sua pseudo-estrutura defensiva e o Senegal impunha cada vez a eficácia no ataque. A boa disposição da guarda-redes também contribuiu para a vitória. No final, os Camarões perdeu diante do Senegal por 13-24.     ROSA NAPOLEÃO


GRUPO B
Guiné Conacry perde diante do Congo


A vitória da Guiné Conacry arrancada diante da Argélia não teve efeitos psicológicos esperados no confronto de ontem contra a selecção do Congo, disputado no pavilhão do Kilamba, em Luanda. As guineenses revelaram-se uma equipa em formação e sucumbiram-se por 18-33 diante da superioridade das congolesas na partida que ditou a quinta jornada e última do grupo B do Campeonato Africano das Nações sénior feminino.

Quando tudo apontava que a primeira vitória numa fase final do CAN impulsionaria a Guiné Conacry para outros ventos, as esperanças caíram para saco roto. A selecção do Congo entrou determinada no jogo para destratar a ousadia das guineenses, que haviam maltratado as argelinas por 24-17.

Nos primeiros minutos do jogo, a equipa de François Malongo controlou a partida com uma forte defesa e contra-ataques rápidos. A Guiné Conacry mostrou ser uma equipa inexperiente. Sem alternativas para inverter a inclinação do jogo, viu a equipa adversária elevar-se no placard.

Com melhor sistema táctico, as congolesas buscavam a vitória. A precisão no passe, ataque certeiro à baliza e a boa defesa da guarda-redes permitiram ao conjunto de François Malongo galvanizar-se cada mais. As perdas de bolas e falhas nas finalizações da Guiné Conacry facilitram às congolesas distanciarem-se no marcador.

Com o aproximar-se do intervalo, as guineenses procuram contornar as investidas das adversárias para reduzir a desvantagem. Passaram a correr mais e o esforço valeu pouco. Do outro lado da quadra, estava um Congo bem estruturado defensivamente e não deu espaço de manobra. As esperanças das guineenses em levar reverter o resultado a seu favor pareciam cada vez mais esgotadas.

O domínio das congolesas prolongou-se até ao intervalo. A experiência das jogadoras justificou a superioridade na primeira metade da partida que registou 16-7 favoráveis às vizinhas de angolanas.

No reatamento, as guineenses reentraram mais cautelosas e criaram alguns perigos à baliza adversária, mas sem grandes resultados. A forte defesa imposta pela guarda-redes inviabilizou as intenções. No final, o Congo ofuscou a Guiné por 33-18.           ROSA NAPOLEÃO