Jornal dos Desportos

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Angola comea com o Qatar no mundial de Andebol masculino

Silva Cacuti - 10 de Janeiro, 2019

Melhorar a classificao anterior o objectivo do

Fotografia: Junilson Antnio | Edies Novembro

A selecção nacional sénior masculina de andebol começa amanhã, às 15h30, diante do Qatar a participação na 26ª edição do Campeonato do Mundo, inserida no grupo D que tem como palco a cidade dinamarquesa de Copenhaga.
O jogo da primeira jornada é disputado no Royal Arena com a capacidade de acolher 13.500 espectadores.Há três anos, o Qatar é uma equipa que aparece nos areópagos do andebol e é referenciado como um dos grandes do mundo. Depois da medalha de prata no campeonato que acolheu, afastou a forte Alemanha dos quartos-de-final em 2015 e acabou a competição em oitavo lugar.
Em 2017, o Qatar, tri-campeão asiático, já não contou com grande parte de nomes que tinha naturalizado e que lhe permitiram chegar ao segundo lugar mundial. Nesta edição, os catarenses também não inscreveram os montenegrinos Goran Stojanovic e Jovo Damjanovic. O espanhol Borja Vidal e o francês Bertrand Roiné e outros também estão ausentes da equipa.
Ainda assim, é uma equipa a ter em conta, como bem sabe o seleccionador nacional Filipe Cruz.
\"Pelo que sei, há pouco tempo, foi vice-campeão mundial e merece todo o respeito. Tem atletas de alto gabarito e alguns trocaram de nacionalidade. É, por isso, um adversário a ter em conta\", comentou o treinador angolano.
O líder dos \"Guerreiros\", como também é tratada a selecção, é uma pessoa avisada e antecipadamente fez  o trabalho de casa.
\"Queremos ter uma selecção que possa apresentar um andebol fluído e esclarecido nas fases do jogo. Vamos encontrar adversários poderosos. É importante que tenhamos uma selecção capacitada para se superar\", disse à saída para o estágio que encerra oficialmente hoje na Polónia.
Da parte de jogadores há prontidão, como faz crer Adelino Pestana, atleta do Interclube. O \"polícia\" faz o seu segundo campeonato mundial.
\"Estamos prontos. A motivação é das melhores. Aguardamos pela hora do jogo. Uma coisa, que tenho a certeza, é de que vamos dar o melhor para dignificar a nossa bandeira\", comentou.
O estreante Cláudio Lopes está focado na passagem de fase e considera a sua presença no grupo dos eleitos de Filipe Cruz uma oportunidade ímpar para mostrar trabalho. \"Tenho jogado nos treinos e espero dar o meu contributo na luta para a passagem de fase neste Mundial\", disse.
Além do Qatar e Angola, o grupo D integra o Egipto, Argentina, Suécia e Hungria. Na sequência da jornada inaugural, às 18h00, a Argentina joga com a Hungria e a Suécia defronta o Egipto, às 20h00.

ÚLTIMO MUNDIAL
DE PEDRO GODINHO

Em 2021, quando a África voltar a acolher outra edição do Mundial sénior masculino, Pedro Godinho já não será o presidente da Federação Angolana de Andebol. O próprio anunciou que não se candidata para novo mandato, quando terminar o actual em 2020.
Godinho vai deixar o leme do andebol angolano com a tranquilidade de quem prestou trabalho ao país. Depois dos feitos da selecção sénior feminina, é no seu mandato que Angola conseguiu dois pódios continentais e consequentemente duas presenças consecutivas em mundiais.
Consciente ou não, a verdade é que para este Mundial, a Federação deu um toque especial à preparação do conjunto angolano ao oferecer cerca de 50 dias que culminaram com um estágio pré-competitivo na Polónia.
Recordar que o Egipto acolheu a primeira edição do Mundial no continente africano em 1999. Em 2005, foi a vez da Tunísia. Egipto e Tunísia são outros representantes continentais no Mundial que a Dinamarca e Alemanha acolhem a partir de hoje.


VETERANIA
Muachissengue
é a voz da
experiência


Dentre os atletas da selecção nacional, que vão descer ao piso do Royal Arena de Copenhaga, na Dinamarca, pavilhão construído em 2016 com uma capacidade variável de 13.500 espectadores, Giovani Muachissengue, de 35 anos, é o que mais vezes jogou pelo país em campeonatos mundiais.
Geovani, guarda-redes, estreou-se em mundiais na primeira participação angolana em 2005, quando a equipa era orientada pelo búlgaro Niculae Pirgov. Esteve nos mundiais da Alemanha, 2007, com Beto Ferreira; e da França, 2017, com Alexandre Machado.
A África é, além de Angola, representada neste mundial pela Tunísia, campeã continental, e Egipto, vice-campeão. Apenas a Tunísia inscreveu dois jogadores, mormente, Missaoui Makrem, de 38 anos, e Tej Issan, de 40 anos,  que em 2005 jogaram em casa o mundial com Giovani Muachissengue.
Na delegação angolana, outra figura a destacar é o veterano fisioterapeuta Agostinho Nazaré que, tal como o guarda-redes, vai assinalar a quarta presença em mundiais. Aliás, Agostinho Nazaré é dos profissionais mais antigos do desporto angolano. Acompanha a selecção masculina de andebol desde os tempos que o actual presidente da Federação, Pedro Godinho, era atleta.
Dos 15 jogadores, que hoje chegam a Copenhaga, sete jogam o Mundial pela segunda vez. A primeira aconteceu em França\'2017. São os casos de Edivaldo Ferreira, Adelino Pestana, Romé Hebo, Adilson Maneco, Gabriel Teka, Manuel Nascimento, Adelino Pestana.
Os estreantes são Custódio Gouveia, Cláudio Lopes, Otiniel Pascoal, Cláudio Chicola, Elsemar Santos, Francisco Almeida, Agnaldo Tati e Agnelo Quitongo.
O seleccionador nacional Filipe Cruz faz também a sua \"primeira viagem\" em Mundiais masculinos. Em 2017, esteve ligado à selecção feminina. O seccionista João Chiloia \"Langa\" regista a segunda presença consecutiva em mundiais.


ANFITRIÕES
Alemanha e Dinamarca abrem portas ao Mundial


Entre a euforia e o orgulho de ser anfitrião, algumas das mais lindas cidades da península escandinava e os seus povos acolhem a partir de hoje até 27 do corrente o 26º Campeonato Mundial sénior masculino de andebol. No noroeste da Europa, entre o mar báltico e o mar da Noruega, vai desenrolar-se o maior evento do andebol mundial com a presença de 24 selecções nacionais.
Berlim e Munique (Alemanha) e Copenhaga e Herning (Dinamarca) são as cidades sedes que fervilham e exibem às centenas de visitantes por ocasião do Mundial o que de melhor têm: gastronomia, arte, música, museus, parques naturais, desporto e outros. A finalidade é que cada um dos atletas, adeptos e demais visitantes conserve na memória a passagem por estas cidades. É a primeira vez que um Mundial tem a organização partilhada por dois países.
A Alemanha, em Berlim, vai dar o apito inicial, quando, às 18h15, descer ao piso do Mercedes Benz Arena para defrontar a Coreia do Sul em partida inaugural do grupo A. Nesse grupo, vão jogar ainda as selecções da França, campeã mundial, Rússia, Sérvia e Brasil. O Grupo B vai jogar na cidade de Munique, onde o pavilhão  Olympiahalle é o palco escolhido. A Espanha é a selecção mais cotada do grupo que integra ainda a Croácia, Macedónia, Islândia, Bahrein e Japão.
O Grupo C é o da Dinamarca. Vai jogar na cidade de Herning com o Chile, Noruega, Tunísia, Áustria e Arábia Saudita. Para granjear o apoio e acarinhar os adeptos, a organizadora Dinamarca vai jogar nas duas cidades. Hoje, às 20h00, para abertura da prova no seu território, os dinamarqueses defrontam o Chile no Royal Arena de Copenhaga. Outros jogos dos nórdicos anfitriões estão agendados em Herning.
Copenhaga é a cidade de Angola. É no Royal Arena que os pupilos de Filipe Cruz vão procurar deixar a marca desportiva, inseridos no grupo D. 
Angola estreia-se diante do Qatar, amanhã, às 15h30. Na segunda jornada, Domingo, às 18h00, Angola defronta a Hungria.
A equipa comandada por Filipe Cruz volta a jogar na segunda-feira, às 20h30, com a forte selecção da Suécia. Depois do repouso, na terça-feira, 15, a equipa volta à quadra na quarta e na quinta-feira para as últimas jornadas da fase de grupo diante da Argentina e do Egipto.O objectivo do conjunto angolano é melhorar a classificação do Mundial anterior em que se quedou na última posição.