Jornal dos Desportos

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"Angola joga a outro nível"

Silva Cacuti - 07 de Dezembro, 2016

Akpa Julienne é treinadora de guarda-redes

Fotografia: M.Machangongo

Quando o assunto é andebol africano, a costa-marfinense Akpa Julienne é uma voz autorizada. Notabilizou-se na equipa do Rombo Sport, quatro vezes campeã continental, como técnica principal. É uma das primeiras mulheres a chegar às competições continentais ao comando de uma equipa técnica.

Encontramos a carismática treinadora, muito descontraída, quando a sua equipa se aprontava para defrontar a Guiné. A responsável pela preparação das guarda-redes cedeu-nos uma curta entrevista em que destacou o nível competitivo do campeonato, o que se passa com o andebol do seu país e apontou Angola como virtual campeã.

Como atleta não esteve nas quadras de andebol por muito tempo. Que se passou de concreto?
(Risos). Realmente falo pouco deste assunto. Comecei a jogar com 16 anos de idade. Pouco tempo depois, apaixonei-me e arranjei marido. Ele não me quis ver a jogar. Proibiu-me.

Aceitou com naturalidade a decisão dele, porque o amor falou mais alto?
No princípio, tentei resistir, mas depois percebi que era mais importante ter a harmonia no lar. De qualquer forma, também me mantinha ligada ao desporto, porque sou professora de Educação Física. Depois comecei a treinar andebol. Estou sempre ligada.

Que percepção tem do nível competitivo do campeonato de Luanda?
Sinceramente, o nível está um pouco abaixo do que era de esperar. Estivemos aqui no campeonato de 2008, em que jogámos a final com Angola e é visível que se jogava a outro nível. Hoje, o nível das selecções africanas, com raras excepções, tende a baixar.

A que excepções se refere?
O nível baixo a que me refiro é de forma geral. Mas há selecções que evoluíram muito. Veja o Senegal... Angola está a jogar acima das outras selecções, a outro nível. A Tunísia, enfim, são poucas as excepções.
Em 2010 a Costa do Marfim obteve o bronze. Em 2012, foi a sétima classificada e, em 2014, falhou a competição e quebrou a regularidade que vinha desde a segunda edição, em 1976.

O que se passa?

Tivemos boas equipas. Africa Sport, o Rombo Sport, mas aquela geração de atletas emigrou e grande parte deixou de jogar. Hoje, temos dificuldades financeiras para trazer as nossas atletas que evoluem fora do nosso país.

Quer dizer que tiveram dificuldades no processo de renovação?
Sim. Imensas dificuldades. Estamos a trabalhar, embora sem o entusiasmo de outros tempos. Vamos ver o que futuro reserva!

Nota neste campeonato talentos que se possam considerar de nível mundial?

Algumas miúdas, principalmente, na equipa angolana estão bem encaminhadas. Já não falo mais da irmã da Marcelina Kiala. É espectacular. Têm a Barbosa, conheço-a. Sei que já não é nova, mas está a um bom nível. Surpreende-me. Têm também duas pivôs muito boas. Se continuarem a trabalhar, chegam lá. Há, depois uma ou outra, no Senegal e nos Camarões.