Jornal dos Desportos

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Angola organiza e sobe um degrau

Vivaldo Eduardo - 26 de Novembro, 2016

Sete nacional com resultados abaixo das expectativas durante a competição

Fotografia: Nuno Flash

Em 1985, o domínio congolês atingiu a máxima expressão em pleno Pavilhão da Cidadela desportiva, em Luanda, na primeira competição que o Angola acolheu. O Congo derrotou na final a Costa do Marfim, enquanto os Camarões venceram a Tunísia, mantendo as nações árabes fora do pódio.
 Angola alcançou resultados abaixo das expectativas, embora tivesse jogado a nível aceitável. Já sob orientação de Beto Ferreira, o sete nacional deixou o último lugar e ficou em quinto, a frente do ressurgido Egipto.
 
1987 – COSTA DO MARFIM
CHEGA AO OURO

Derrotadas na final anterior, as costa marfinenses foram ao Reino de Marrocos com o objectivo de melhorar a classificação, o que implicava unicamente a conquista do ceptro. Sem grande surpresa, a sétima edição do CAN conheceu um novo campeão, a Costa do Marfim. Os indicadores consistentes das participações anteriores confirmavam – se. À semelhança do Egipto, em 1983, Marrocos limitou – se a organizar e não inscreveu a sua selecção. Daí para frente o Congo Brazzaville não voltou a triunfar no CAN. As costa marfinenses derrotaram os Camarões, na final e o Congo venceu a Tunísia, na disputa pelo terceiro lugar. Angola voltou a ficar apenas a frente do Egipto. 

1989 – ANGOLANAS
 SURPREENDEM CONTINENTE

O sinal foi dado pela conquista da Taça dos Clubes campeões, pelo Ferroviário, orientado por Pina de Almeida e Fernando Moreira, dois anos antes, na cidade nigeriana de Owerri. Oito anos, dois últimos e dois penúltimos lugares depois, Angola, simplesmente arrasou toda concorrência e venceu a Costa do Marfim por 22 – 18, na final, conseguindo o primeiro título africano da sua história, na oitava edição da prova. A debaterem – se com conflitos internos, entre federação, atletas e treinadores, as congolesas venceram a anfitriã, Argélia, e conseguiram o Bronze que, soube a pouco para o país mais prestigiado do continente, na época. Egipto e Tunísia ficaram nos dois últimos postos da tabela classificativa.

1991 – NIGÉRIA
DESTRONA ANGOLA

Ausentes da competição anterior, as nigerianas chegaram ao Cairo, Egipto, viram e venceram, conseguindo o único título africano no seu historial. Mesmo despojada do título, Angola confirmou que a sua qualidade era para ficar, perdendo apenas a final, diante da Nigéria. O Congo voltou a ficar em terceiro lugar, vencendo a Argélia. Deste modo, as selecções árabes completaram doze anos fora do pódio, depois do terceiro lugar da Argélia, em 1979, no Congo Brazzaville. Senegal, Costa do Marfim e Egipto ocuparam os postos seguintes.

1992 – ANGOLA
RESGATA O CEPTRO

A décima edição do CAN voltou aos anos pares, apenas trezentos e sessenta e cinco dias depois da anterior. A Nigéria ficou, por esse motivo, pouco tempo com o título em sua posse. A Costa do Marfim organizou a prova, num ano em que Angola vivia um ambiente de alguma insegurança, em relação ao advento da paz. Foi neste clima que a selecção nacional uniu o país e com a sua bravura em campo se sagrou bi – campeã africana, às ordens de Beto Ferreira, derrotando na final o Congo Brazzaville. As anfitriãs suplantaram a Nigéria na luta pelo terceiro lugar. Argélia, Senegal, Tunísia e Congo Democrático completaram a tabela classificativa.

1994 - ANGOLA CHEGA AO TRI
E ÁRABES VOLTAM AO PÓDIO

A vitória na segunda final, diante da Costa do Marfim, por 24 – 18, trouxe o terceiro título para Angola, numa competição organizada pela Tunísia. No pódio, em quatro provas consecutivas, Angola deixava bem patente que era o mais sério concorrente a ultrapassar as marcas atingidas pelo Congo e pela Tunísia. Quinze anos depois, as nações árabes voltavam ao pódio, por meio da Argélia que derrotou o Congo Brazzaville, na disputa da medalha de Bronze. Nigéria e Tunísia ocuparam os últimos postos da classificação. 

1996 – BENIN
DE MÁ MEMÓRIA

Numa final sem história, a Costa do Marfim goleou a Argélia, por 35 – 19 e Angola ficou em terceiro, ao vencer o Congo Brazzaville por 24 – 21. O domínio da Confederação Africana de Andebol pelos costa marfinenses e congoleses, na época, não esteve alheio a este resultado de Angola. Christophe Yapo era o Presidente da CAHB e o congolês Kitsadi Zorrino, ocupava o cargo de Secretário Geral.

Nos bastidores, lutava – se ao limite para impedir o domínio absoluto de Angola. Sem uma diplomacia desportiva forte, na altura, o nosso país perdeu, no mesmo ano o título de campeão africano de clubes, com o Petro a ser eliminado pelo África Sports de Abidjan e a o CAN.

A décima segunda edição registou a participação de dois países lusófonos: Moçambique competiu fez a sua estreia nessa edição, sendo a sua presença insuficiente para contrapor a aliança que a francófona montou contra a surpreendente superioridade competitiva de Angola. Congo Brazzaville, Camarões, Moçambique e Togo, ocuparam os postos seguintes da tabela.

Internamente, Angola debatia - se também com problemas que levaram à substituição de Beto Ferreira por Norberto Baptista, poucos dias antes da prova e ao afastamento de algumas jogadoras influentes.