Jornal dos Desportos

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Angola sem oposição

Francisco Carvalho - 19 de Janeiro, 2014

Angolanas aplicam à Guiné Conacry a maior goleada da competição que decorre na bela cidade de Argel capital da Argélia

Fotografia: Jornal dos Desportos

Com passada de campeã africana, a Selecção Nacional sénior feminina de andebol aplicou ontem a maior goleada no campeonato africano que decorre na cidade de Argel, capital da Argélia.

As angolanas venceram, no pavilhão Cheraga, as guineenses de Conacry por 44-14, em partida da segunda jornada do grupo B, que reserva a partida mais esperada da competição na próxima terça-feira.

No filme da partida de ontem, a Selecção Nacional sénior feminina de andebol passeou toda a sua classe ante uma equipa que busca um lugar ao sol entre as nações africanas. A Guiné Conacry, que se estreia no campeonato africano, já havia perdido diante da Tunísia por 16-32.

A equipa orientada por Vivaldo Eduardo entrou aguerrida com contra-ataques rápidos e as estreantes limitaram-se a ver golos atrás de golos, apesar de pequenas réplicas, o que entristeceu o técnico do "sete" nacional. Ao intervalo, as angolanas venciam por 23-7, o que espelha o poderio das campeãs africanas.

No regresso ao campo, a Guiné Conacry entrou bem e fez três golos num ápice, perfazendo dez golos. O técnico angolano Vivaldo Eduardo pediu time out e chamou a atenção das jogadoras que estavam a permitir a incursão das adversárias. A medida surtiu efeito. As campeãs apertaram o cerco na defesa e pararam as adversárias no décimo golo. As guineenses viram à baliza das angolanas cada vez mais distante. A estratégia permitiu fechar o ataque das adversárias e somar pontos atrás de pontos com contra-atraques.

Com a capitã Marcelina Kiala na liderança, as angolanas tomaram conta do jogo e os espectadores no pavilhão Cheraga só viram uma equipa no campo, a selecção de Angola. A Guiné Conacry passou a ser também mera espectadora.

Com jogo na primeira linha, as trocas de bola das angolanas em toda a dimensão do campo baralhou as guineenses de Conacry. Ndombaxi, Luisa Kiala, Lurdes Monteiro, Martucha, Cajó e outras construíam a goleada com muita destreza.

A meio da segunda parte, as guineenses começaram a fazer faltas, o que permitiu a construção da goleada mais "choruda" da competição.  As guineenses voltaram a violar a baliza angolana depois de 12 minutos estagnadas. O 11.º golo saiu das mãos da meia-distância, que teria aumentado o pecúlio, mas a defesa espectacular de Maria Pedro impediu que o “placard” alterasse o 40-11, quando decorriam 55 minutos de partida.

Aos 57 minutos, as angolanas venciam por 43-13, com um belo golo de Azenaide Carlos. A recuperação rápida das campeãs africanas impediu mais um ataque das guineenses. O destaque da partida recai na guarda-redes Maria Pedro, que anulou "dezenas" de ataques. A jogadora do Petro de Luanda foi uma verdadeira parede intransponível para as meias-distâncias e pontas adversárias. O técnico Vivaldo Eduardo ordenou a gestão do resultado e as angolanas aumentaram mais um golo, à semelhança das adversárias, perfazendo o resultado final de 44-14. Os 30 golos de diferença espelham a superioridade das campeãs continentais, que vão defrontar na próxima terça-feira, a Tunísia, em jogo que vai definir a liderança do grupo B, do vigésimo primeiro campeonato africano. O reencontro entre Vivaldo Eduardo e Paulo Pereira, ex-seleccionador nacional de Angola, vai levar ao pavilhão muitas curiosidades.

Depois da goleada, as angolanas voltam a repousar hoje e amanhã por imperativo do calendário do Campeonato.


Masculinos
Selecção Nacional perde com a Argélia


A selecção nacional sénior masculina perdeu ontem diante da Argélia por 19-23 em partida da terceira jornada do grupo B, do campeonato africano que decorre na cidade de Argel. Com a derrota, os angolanos interrompem o ciclo de vitórias alcançadas nas duas primeiras jornadas da fase regular da competição.

A partida começou equilibrada. Os argelinos abriram o activo, mas a pronta resposta dos angolanos veio ao de cima. A cada golo dos argelinos, os pupilos de Felipe Cruz respondiam na mesma proporção. Os argelinos decidiram alterar o sistema táctico com paragem dos angolano em faltas na linha de nove metros. Após cinco minutos, quando o placard registava uma igualdade a dois golos,  a forte defesa dos angolanos quebrou. O relógio "parou" para os nacionais que assistiam à elevação da fasquia adversária.

O seleccionador nacional Felipe Cruz não tinha soluções perante as faltas constantes dos argelinos que em contra-ataque continuaram a violar a baliza do guarda-redes angolano Giovani Muachissengue.

A curta diferença no placard obrigou o técnico angolano pedir o time out. A estratégia montada não surtiu efeitos. À baliza adversária estava um guarda-redes que defendia os remates dos angolanos. Sempre activo no ataque, os caseiros defendiam na linha dos nove metros com faltas, que (algumas) resultaram em suspensão dos prevaricadores.  Apesar de vantagem numérica na quadra, os angolanos não tinham soluções para violar a baliza adversária. A forte defesa dos argelinos anulou os ataques da selecção nacional. Com perdas de bolas constantes, os argelinos aumentaram o pecúlio para nove golos. Em resposta, surgiu o quinto golo dos angolanos, depois de largos minutos de jejum.

A "cavalgada" argelina continuou ante a passividade da defesa angolana. Aos 24 minutos, os caseiros venciam por 11-7, o que espelha a fraca produtividade da selecção nacional. Até ao intervalo, o placard registou 12-8 favoráveis aos anfitriões.

No reatamento, os argelinos entraram com mais fulgor e num ápice marcaram quatro golos contra dois dos angolanos. Decididos a vencer, os anfitriões mantinham a tónica de contra-ataque. A débil recuperação da selecção angolana permitiu aos argelinos aumentarem o resultado.

Felipe Cruz procurou alterar o destino do jogo, mas as fortes linhas de defesa dos anfitriões não permitiram a violação da baliza. A defesa na linha de nove metros afastou as investidas do conjunto nacional. Sem solução no ataque, as perdas de bola somaram-se na estatística dos angolanos.

Com apoio do público, a selecção da Argélia manteve a mesma agressividade até ao final da partida, que venceu por 23-19.

Angola defronta amanhã o Congo, em partida da quarta jornada do grupo B. Hoje é dia de repouso para todas as selecções.