Jornal dos Desportos

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Modalidades

Ausncia dos juniores preocupa ex-praticantes

Silva Cacuti - 01 de Julho, 2019

Angolanos voltam a falhar uma competio do gnero

Fotografia: Santos Pedro| Edies Novembro

A segunda edição dos Jogos Mundiais da Patinagem, que este ano decorrem na cidade espanhola de Barcelon,a começaram a ser disputados no sábado, com o arranque de seis provas em juniores. Angola, mais uma vez está ausente, depois de já ter falhado a edição de 2017 em Nanjing, China.
Os campeonatos juniores de patinagem artística, hóquei em linha, hóquei em patins, freestyle, trotinete e velocidades começaram antes das provas de seniores.
A ausência do país na especialidade hóquei em patins, prova em que Moçambique, outro lusófono, é o único africano inscrito na Taça Intercontinental, é criticada por Benevildes de Almeida "Vide" treinador e antigo praticante.
O técnico ligado à equipa do Petro de Luanda critica não só a ausência, mas também a falta de justificação, por parte do órgão federativo. Cogita-se que a equipa esteja a cumprir castigo, pela ausência na edição anterior.
"Olha nenhum treinador ou dirigente sabe das reais causas da não participação nesta prova, não houve esclarecimento nenhum da parte da federação. Estamos preocupados, porque os Sub-20 é o trampolim para o escalão de seniores, aliás, temos prova do Humberto Mendes "Big" e tínhamos de tirar ilações, ver com quem devemos contar no futuro, porque a nossa equipa principal tem atletas, que depois deste mundial podem deixar a carreira de atleta. Parece que não mas o hóquei parece estar de patas para o ar", disse.
A mesma linha de pensamento tem Anacleto da Silva "Kirro", outro ícone da modalidade, que muitas vezes representou o país ao mais alto nível. Kirro entende que Angola tem estado a condicionar o futuro, com estas ausências nas provas dos escalões inferiores. O antigo jogador lamenta mesmo, que outros jogadores tenham que chegar à Selecção Nacional de seniores sem passagens pela equipa de juniores, como aconteceu com ele próprio.
"Acho que estamos a hipotecar as nossas possibilidades de melhor desempenho no futuro. Acho que havia maneira de rectificar isso, depois da ausência no mundial passado. Eu fui um dos jogadores que cheguei a uma competição internacional sénior, nunca competi a este nível em juniores. Há um tempo atrás o país esteve nestas participações jovens. O que estamos a pensar fazer? O Payero tem 42 anos, há pessoas aí que tarde ou cedo, por muito bons que sejam, terão que deixar. Quem é que estamos a preparar?
É verdade que o Tino Boy é jovem, o Nery, o Big, o Pi são jovens, mas eles começaram nos juniores, é preciso olharmos para onde estamos a ir. Julgo ser uma questão de programar, estruturar com antecedência, porque os nosso jovens têm que ganhar o calo, a experiência não se ganha falando nem olhando, ganha-se jogando. Quando é que vamos entender a importância dos juniores?", questionou.
Em 11 disciplinas da patinagem envolvidas nos jogos mundiais, com cerca de 128 competições, Angola está inscrita apenas no escalão sénior do hóquei em patins. A federação aventava hipóteses de uma representação no skateboard e nas corridas, mas até ao momento não confirmou.

Organização 
Festival mostrou potencialidades


As autoridades angolanas e, em particular, os gestores da patinagem no país devem encontrar as melhores vias, para assegurar o grande potencial da classe infantil que cresce a cada dia, sob pena de acabar prematuramente com o talento de muitos petizes, que se fazem sentir nas diversas escolas de Luanda.
O pensamento ficou subjacente, no grande nível técnico exibido pelas crianças no festival de patinagem organizado no sábado pela associação Sagrado Coração de Jesus, para marcar o dia do seu patrono e saudar o mês da criança.
"O futuro está aqui", começou por dizer Joaquim Madeira, um dos organizadores do festival.
Para aquele responsável é necessário que outros eventos do género surjam, para que além de treinar concedam-se espaços para a criança exibir o que aprende.
"Precisamos trabalhar na base, na classe infanto-juvenil e trabalhar bem, para que não se sintam desamparados, porque uma coisa é treinar e outra é realizar jogos ou actividades como estas", disse.
Madeira disse que a resposta das escolas da cidade foi boa e aproveitou para desculpar-se, pela falha que levou a organização a não convidar a escola da Académica de Luanda.
"Estes eventos motivam a criançada, é preciso que se repitam, porque o hóquei está aqui, o seu futuro, e se não tivermos cuidado vamos matar esta esperança, que está nestas crianças", disse Benevildes de Almeida, que esteve à frente da escola do Petro de Luanda. Participaram também do festival as escolas do 1º de Agosto, da Banca, do Sagrado coração de Jesus e do Hóquei 2000.