Jornal dos Desportos

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Escolinha So Joo entre a cova e a terra

Gaudncio Hamelay, no Lubango - 31 de Janeiro, 2015

A Escolinha So Joo da provncia do Huambo procura um investidor para assumir o cargo de presidente de direco

Fotografia: Arimateia Baptista

A Escolinha de São João, equipa virada para o fomento do andebol na Província do Huambo, vive dificuldades financeiras para suportar a participação nas competições oficiais locais e nacionais. Depois da recente participação na 34ª edição dos campeonatos nacionais de juvenis, na cidade do Lubango, onde se quedou na 11ª posição da tabela classificativa geral, a direcção vai cruzar os braços nas próximas provas.

O treinador principal da equipa feminina da Escolinha São João, Osvaldo Manuel Congo, disse   ao Jornal dos Desportos que pretendem trabalhar com "pessoas da Província do Huambo com capacidade financeira". Em causa está a manutenção da melhor escola de formação de andebolistas da província.

Criado em 2005, o clube estreou-se na competição nacional em 2009, com o quarto lugar na tabela de classificação. O sucesso agradou à equipa de carolas que a dirige. Com apertos do cinto, a Escolinha São João ganhou o gosto pelas competições nacionais de jovens e participou das outras edições subsequentes.

Em 2015, já não resta espaço no cinto de Osvaldo Manuel Congo. Tudo está furado. O treinador, carola e dirigente da equipa disse "basta!" ao projecto. A Escolinha São João do Huambo é uma equipa sem fundos financeiros para suportar as competições oficiais locais e nacionais.

Actualmente, a Escolinha São João movimenta um total de 90 praticantes, entre crianças e adolescentes, com idades entre os 8 e 17 anos, em ambos sexos, divididos nos escalões de iniciados, juvenis e juniores. Dez sessões de trabalho por semana atarefam os treinadores do clube que mais atletas tem na província do Huambo.

Os frutos da formação de atletas fizeram-se sentir no campeonato nacional de juvenis. Osvaldo Manuel Congo revelou que 40 por cento da equipa juvenil masculina do Petro do Huambo, que ocupou a terceira posição no campeonato nacional de andebol, na cidade do Lubango, são provenientes da Escolinha São João.

Perante a realidade, Osvaldo Manuel Congo, que acumula as funções de treinador e de dirigente do clube, lamenta a atitude do empresariado e de outras instituições da Província do Huambo. O técnico apela à sociedade local a investir na Escolinha São João. Aos cépticos, Osvaldo Manuel Congo dá garantia de retorno a breve trecho. 

"A nossa formação é séria e o terceiro lugar do Petro do Huambo espelha a qualidade dos nossos atletas. É nossa intenção vender atletas para os grandes clubes do país, porque somos um clube apostado na formação", justificou.

Osvaldo Manuel Congo revelou que têm a pretensão de alargar o grupo de trabalho, sobretudo, constituir uma direcção do clube. Porém, a organização não está fácil" por falta de condições financeiras.

"Não podemos alargar para os escalões de seniores, enquanto não tivermos um meio de sustentabilidade. Não temos patrocinador oficial ou empresas que apoiam o clube à semelhança de outras agremiações existentes no país”, lamentou.


HISTÓRIA
Equipa de carolas


A Escolinha São João é um clube que nasce da vontade dos ex-praticantes de andebol na Província do Huambo. Preocupados com a falta de equipas de andebol, o grupo reuniu-se e numa conversa informal decidiu transmitir o ABC às crianças interessadas. O silêncio das equipas existentes foi outro motivo da decisão.

Para levar a efeito um programa de massificação e desenvolvimento de andebol na Província do Huambo, Osvaldo Manuel Congo e pares arregaçaram as mangas. Centenas de crianças ávidas pelo ABC do andebol "invadiram" a Escolinha São João. O grande fluxo resulta da falta de adesão dos clubes tradicionais ao projecto, tendo-se tornado a única agremiação, em 2005, a movimentar o andebol na cidade do Huambo.A carolice continua a marcar a Escolinha São João. Os treinadores fazem o papel de dirigentes e  não têm infra-estruturas desportivas próprias para levar a efeito uma formação mais competente. As equipas da Escolinha treinam num dos pavilhões multiusos sem programa concreto. O espaço também é cedido às equipas de futsal, basquetebol e futebol.

As dificuldades são acrescidas quando as crianças chegam à idade de juniores. Os treinadores querem equipas seniores, mas o sonho é enterrado por falta de condições financeiras. Mesmo com dificuldades, a equipa júnior masculina participou numa das fases finais da Taça de Angola e chegou às meias-finais.   
GAUDÊNCIO HAMELAY, NO LUBANGO


QUALIFICATIVAS
Lumeji vence
Renascimento


O Grupo Desportivo Lumeji quedou-se na sétima posição do 35º campeonato nacional júnior masculino ao derrotar no pavilhão gimnodesportivo Miranda Guedes, no Lobito, o Renascimento do Uíge por 29-26.

Na véspera, os lundas perderam por falta de comparência diante do Grupo Desportivo da Banca de Luanda por 0-10. O triunfo diante da formação uigense ameniza o fracasso na competição em que tinha tudo para discutir o ceptro.

O mesmo não se pode afirmar dos uigenses. Apesar da compleição física invejável que apresenta grande parte dos seus atletas, revelaram-se imaturos e com falta de sincronização no conjunto. Um ou outro atleta sobressaía entre os demais que apresentaram andebol rudimentar. A derrota (23-28) com o Sporting de Luanda é exemplo disso.
 
Para as qualificativas do quinto lugar, o Sporting de Luanda jogou com o GD Banca e o Ferroviário de Luanda defrontou o Inter de Benguela para o terceiro lugar do pódio da competição.
 JÚLIO GAIANO, EM BENGUELA