Jornal dos Desportos

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Modalidades

Executivo de Benguela pede unio da famlia

Gauncio Hamelay no Lubango - 20 de Maio, 2019

O andebol j foi a modalidade, que teve maior projeco na provncia

Fotografia: Edies Novembro

Em reacção às preocupações dos participantes, o chefe do Departamento para o Desporto Federado do Gabinete Provincial do Turismo, Cultura, Juventude e Desportos de Benguela, Júlio Johnston Paiva “Julino”, reconheceu estar-se a viver momentos difíceis no andebol, não apenas no município do Lobito, mas na província de Benguela, pelo que pediu a união de todos membros ligados à família da modalidade.

 “O andebol já foi a modalidade, que teve maior projecção na província. Hoje, já não se pode dizer o mesmo. Pior do que isso, está em decadência progressiva. Tal se explica à inexistência da classe masculina, o que é inadmissível para uma região tradicionalmente de andebol. O problema do andebol do Lobito é de todos nós. Se andar mal, a província e o país, em geral, perdem. Por isso, temos de trabalhar, ensaiar mecanismos e fórmulas, para se sair do marasmo em que se encontra mergulhada (…)”, referiu.

Júlio Paiva “Julino” defendeu a necessidade de se apostar na formação académica e técnico-profissional do pessoal para o dirigismo e treinamento desportivo, de forma a pôr-se cobro à situações que enfermam a modalidade na província. “Um dirigente deve saber e conhecer o papel que exerce em prol do desporto. Infelizmente, temos muitos dirigentes, incluindo treinadores, que não têm perfil e competência para tal exercício. Muito deles estão a reboque da influência, que têm na empresa patrocinadora”, admitiu.

Contudo, reconheceu o papel desempenhado por grande parte de dirigentes e treinadores benguelenses, em prol do desenvolvimento do andebol na província. Na sua maioria, carolas. Ou seja, servem o desporto por amor e paixão. Defende que sejam beneficiados de cursos de capacitação e de formação contínua, de forma a dotá-los da dignidade que merecem.

Já no que toca ao perfil de um dirigente, por sinal o assunto que mais avivou nos debates entre os participantes do referido encontro, Júlio Paiva considerou preocupante, porém, corrigível o comportamento de determinados gestores dos clubes. Na sua óptica, um dirigente desportivo deve pautar-se pela seriedade, privilegiando a transparência na gestão dos bens e serviços destinados ao clube.

“Esta realidade não se constata nalguns dirigentes, daí as razões da conflitualidade que registamos na maioria dos clubes da província. Responsabilidade, humildade e seriedade, é o que se exige de um dirigente desportivo que se preze como tal”, completou.

Três temas, designadamente, Análise da Situação da Modalidade no Passado, Presente e que Saída para o Futuro (Bertelim Nelson); Perfil do Dirigente Desportivo (Júlio Paiva); e Perfil do Treinador de Andebol (João Ricardo), animaram o debate do primeiro Encontro Municipal do Andebol do Lobito, patrocinado pela Administração Municipal, pela Repartição dos Assuntos Sociais.           

Alerta
“Clubes devem inverter o quadro”

O evento trouxe à tona, realidades reinantes no andebol lobitanga, tendo como pano de fundo a falta de sincronização na definição de estratégias por parte dos clubes locais, como fez lembrar o professor João Ricardo, que considerou oportuna e interessante o debate que congregou cerca de duas dezenas, entre praticantes e antigos praticantes, na sala de reuniões da Administração Municipal do Lobito.

O actual vice-presidente da Associação dos Treinadores de Andebol de Angola fez questão de lembrar, que o estado reinante do andebol no Lobito, sobretudo, deve-se em parte a permeabilidade dos clubes. “O actual elenco associativo (APANDB) não dispõe de programa real, para o desenvolvimento da modalidade na província. Infelizmente, foram os clubes, na sua maioria do Lobito, que legitimaram essa mesma direcção no voto em assembleia-geral. Agora, caberá aos clubes aceitar ou não os resultados ditados por esta associação. Já o Minjud, sendo um órgão fiscalizador, apenas intervém quando chamado, para regrar ali onde achar oportuno”, precisou.

No que tange a competência e capacidade das pessoas indicadas para a liderança dos clubes, o professor João Ricardo considerou irrelevante, tendo afirmado que o problema é de consciência. Ainda assim, defendeu que se deva evitar a paternalidade e o amiguismo. “É preciso acabar-se com as práticas desta natureza. O Minjud deve reunir com os dirigentes dos clubes para tratar do assunto, tendo em atenção as políticas adoptadas pelo Governo para com o desporto na província”, recomendou.