Jornal dos Desportos

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Final angolana no Cairo começa a ser equacionada

Silva Cacuti, no Cairo - 16 de Abril, 2018

Equipa de Vivaldo Eduardo busca actualizar a identidade em África

Fotografia: José Cola|Edições Novembro

A equipa feminina de andebol do Petro de Luanda venceu ontem a congénere do FAP dos Camarões por 30-17, com já favoráveis 13-7 ao intervalo, em partida referente à segunda jornada do grupo B preliminar da 34ª edição da Taça das Taças Africanas que decorre no Complexo Desportivo do Al Ahly, aqui no Cairo.
Foi a primeira grande exibição da equipa de Vivaldo Eduardo.
\"Hoje, o Petro de Luanda esteve aqui\", disse o treinador angolano, satisfeito com a exibição de suas pupilas.
Lucien Eyoungou, técnico do FAP admitiu a superioridade das angolanas. \"Tentamos tudo, mas temos de aceitar que esta é uma grande equipa. Foi superior, mas os nossos objectivos mantêm-se\", comentou.
Disputado às 13h00, no pico das temperaturas prevista para o dia, 35 graus celsius, valeu às equipas o conforto da sala, onde decorre a competição continental. O recinto está dotado de ar condicionado para não haver casos de exaustão pelo calor durante o jogo.
No arranque, o Petro de Luanda assumiu as rédeas e fez dois a zero. Mas parou e após algumas falhas técnicas, deixou-se empatar. A resistência camaronesa durou até ao minuto 15, com 6-4 no marcador. Aos 25 minutos, o resultado mostrava o desequilíbrio: 10-6.
No reatamento, o Petro de Luanda mandou no jogo. Não faltou momentos de alguma desaceleração, como foi entre o minuto 8 e 14. Vivaldo Eduardo viu-se obrigado a um \"time out\" para redireccionar o jogo da equipa. A estratégia resultou.
No primeiro jogo, sábado, diante do estreante Habitat HBC, da Costa do Marfim, o Petro de Luanda venceu por claros 30-15, mas deixou notar mazelas da ausência em competições africanas. A equipa angolana levou mais de 20 minutos de jogo a procurar a sua identidade. Entrou nervosa, com algumas atletas a denotarem precipitação nos movimentos e, com isso, a equipa cometeu vários erros técnicos.
O Habitat, uma equipa jovem, aguerrida, que vive o sonho de competir em África, escapou a um registo histórico, não fosse esta má entrada do Petro de Luanda.
Pode não ter sido apenas má entrada das angolanas, mas também algum nível competitivo das jovens jogadoras do Habitat. Aliás, os conselhos e encorajamentos do vice-presidente da Confederação Africana de Andebol, Pedro Godinho, aos técnicos do Habitat, no final, foram elucidativos da boa impressão que a equipa deixou.
O próximo jogo do Petro de Luanda vai ser na quarta-feira diante do Abo Sport, do Congo, equipa que se equipara ao FAP dos Camarões.


1º DE AGOSTO
Campeão mantém ritmo

Há quatro anos que a África não pára o andebol sénior feminino do 1º de Agosto. Nem mesmo o sufocante apoio caseiro do Al Ahly impediu a equipa de Morten Soubak de triunfar de forma folgada. Ao intervalo o marcador registava 17-6 para a equipa angolana.
Mostrar galões de campeão foi a táctica adaptada pelo treinador militar ante a avalanche de apoio que, além dos adeptos egípcios, vinha também dos concorrentes ávidos de ver o campeão em apuros.
 A maturidade do 1º de Agosto não se esvazia com ruídos. E foi assim que as militares ignoraram a diversão caseira e construíram a sua segunda vitória. Na primeira jornada, disputada no sábado, as campeãs africanas já tinham despachado a jovem formação do Dynamic de Bokito, dos Camarões, por 27-13.
Um jogo sem história em que a irreverência da meia-distância camaronesa, Ebanga Ciryelle, cinco golos, foi a nota de realce.
Ebanga jogou ao nível de Gilda Paulo ou Cristiane Mwasesa que também chegaram ao registo de cinco golos, o melhor da partida.
Após a folga, amanhã, a equipa militar defronta o Cara do Congo. Desportivamente é das equipas mais experientes do grupo, por isso, um adversário a ter em conta.
Na quarta-feira, o 1º de Agosto joga diante do HC Heritage, em que actua a camaronesa Mpa Sydonny, atleta que militou no Progresso do Sambizanga.

Descanso   
Equipas cumprem dia de folga
Depois da tempestade vem a bonança. A jornada de ontem foi aguardada com algum receio pelo facto dos representantes angolanos terem jogado com adversários \"especiais\".
O Petro de Luanda foi o primeiro a entrar em cena, diante do FAP dos Camarões, adversário rotulado como candidato à segunda vaga à outra fase da competição.
Por seu turno o 1º de Agosto defrontou o Al Ahly, equipa organizadora do torneio, imprevisível e suportada por uma claque ensurdecedora.
Na verdade, não houve tempestade. As duas equipas saíram vitoriosas dos testes a que foram submetidas.
A bonança vem na mesma, porque o calendário prevê dia de pausa para esta segunda-feira.
Para as equipas angolanas, a pausa é certa, pois não estão envolvidas na disputa de jogos em atraso que podem ser agendados para o dia.
O mesmo não se pode dizer do Cara do Congo e o HC Heritage da RDC, que têm de jogar pelo grupo A, o do 1º de Agosto.
No grupo B, do Petro de Luanda, as equipas do Abo Sport do Congo e do Hábitat HBC da Costa do Marfim também vão estar atarefadas com acerto ao calendário.
O Petro de Luanda, cujo grupo é composto por apenas quatro equipas, vê a folga continuar até na quarta-feira, dia em que vai defrontar o Abo Sport para fechar a primeira fase. Amanhã, a equipa não joga por força do calendário. O 1º de Agosto volta à quadra de jogos amanhã para defrontar o Cara do Congo e fecha a primora fase na quarta-feira a jogar diante do Heritage da RDC.
Cada uma das equipas angolanas comanda o seu grupo preliminar, após duas vitórias nas rondas inaugurais.
A direcção técnica da prova, que tem à testa o angolano Pedro Godinho, teve de fazer ajustes ao calendário inicial, devido a atrasos na chegada das equipas congolesas à competição.


CRÓNICA
Óbito adiado

Não foi desta. Pela graça de Deus, o Deus de Jesus Cristo, estamos bem, aqui no Cairo. Podíamos não estar. Não foi desta e nem vai ser agora que a \"briking news\" vai passar na comunicação social angolana.
Escapamos, do bom escapar!
Íamos numa viatura, destes que deambulam pela cidade do Cairo, em \"mbaias\" estonteantes que nossos taxistas não são capazes de imitar.
Não é destes já falecidos Seat\'s, Lada, Niva, Peugeot, que tivemos aí, no tempo do \"único\". Por acaso, a esperança de vida dos carros aqui, surpreende até mesmo os fabricantes.
Era um carro luxuoso, por estas bandas. Já aí com uns bons oito ou nove anos, da família dos KIA.
O motorista e o presidente da Federação Angolana de Andebol, Pedro Godinho, iam nos bancos da frente. O boss da Confederação cumpria funções de pendura.
Eu e o Simão filho, presidente da Associação de Luanda, estávamos no banco de trás.
Até queríamos sair do complexo do Al Ahly a pé. Sempre gentil, Pedro Godinho ofereceu-nos boleia, na viatura que lhe foi cedida por causa do \"mbongue\" dele na Cahb.
E íamos, íamos, até que o roncar dos travões em sofrimento alertou-nos de que o pior podia acontecer. O motorista ainda tentou desviar o carro, mas era tarde. O embate aconteceu.
Acidentamos. Em pleno Cairo!
A senhora que ia ao volante de uma lata velha, perdeu o controle da viatura (nem sei se ainda merece o nome de viatura, mas não me ocorre outro melhor) e embateu, logo do lado em que eu estava!
Isto é azar ou quê?
Descemos, quase que de forma automática. Ainda vimos a poeira resultante do \"crash\" a perder-se ao vento. Inspeccionamo-nos, ninguém tinha sofrido algum dano. Ainda bem!
O mesmo não se podia dizer dos carritos envolvidos. Em árabe, aquela língua difícil de perceber, eles trocaram alguns arreganhos e entenderam-se. Nós não tínhamos nada com aquilo. Voltamos ao carro e cada um fez o seu caminho.
Ficou adiada a má notícia. Ficou adiado o óbito. Os óbitos, porque seriamos quatro, ou, no mínimo, três. Porque já tenho a certeza de que não vai ser de acidente de carro que hei de parar. Já parei uma vez!         
 SILVA CACUTI