Jornal dos Desportos

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Silva Cacuti - 08 de Dezembro, 2016

Angolanas resgataram o troféu perdido na edição anterior

Fotografia: José Cola

A Selecção Nacional sénior feminina de andebol conquistou ontem o título do 22º Campeonato Africano de andebol, disputado no país desde 28 de Novembro, após a vitória gorda sobre a antiga detentora do título, Tunísia, por 36-17. Jogo de muita ansiedade. Era um adversário desejado, mas que, por uma unha negra, ia escapar. Bendito protesto! A vítima das Pérolas há dois anos que estava identificada. Mudam os adversários e mantém a campeã.

O jogo começou com golo tunisino, como que uma provocação. Na resposta, Angola deu uma salva de golos. O marcador subiu para o lado angolano. Num ápice, três, cinco, seis golos de diferença. As tunisinas esboçaram alguma reacção, mas as Pérolas estavam com "mão quente". O pavilhão não admitia jogo às tunisinas. Cada vez que estivessem no ataque, as mais de 12 mil pessoas apuparam. Gritaram. Soltaram um zumbido ensurdecedor.

Enervadas, as magrebinas cometiam erros uns atrás de outros. Angola apertou a defensiva, com o 6X0 e 5X1. Ao intervalo, o marcador mostrou 16-7 para Angola. Estava parte do caminho andado. As famílias angolanas, que assistiam ao jogo pela TV, em casa, nos restaurantes, rejubilaram. Tinham acabado de receber as garantias de que o título ficaria em casa.

No reatamento, foi "show". Descontraída, a Selecção Nacional marcou golos de todos os tipos. Em cada um. havia uma classe diferenciada. Era o início da comemoração em plena quadra do Kilamba. A festa era contagiante. Cabisbaixas, as tunisinas tinham largado o jogo, mas viviam uma festa particular. Para muitas das suas atletas, era a primeira final. Aliás, se propuseram alcançar na prova de Luanda (Angola), ao menos, a terceira posição. E jogar uma final era motivo de alegria.

Festejaram à  brava!
Devido à desqualificação do Senegal, a organização prescindiu do jogo de atribuição do terceiro lugar e os Camarões ocuparam a última vaga do pódio.
A Costa do Marfim ocupou o quinto lugar, seguido pelo Congo, Guiné, Argélia e RDC, no ultimo lugar. 

SETE IDEAL
Angola dominou as distinções individuais do 22º Campeonato Africano ao colocar seis das suas atletas no sete ideal da prova. A guarda-redes Teresa Almeida "Bá", as atletas de campo Juelma Viegas "Cajó", Magda Cazanga, Natália Bernardo e Albertina Cassoma estiveram no grupo, integrado também pela tunisina Amal Hamrouni. A tunisina recebeu também o troféu de Melhor Marcadora. Apontou 40 golos. Natália Bernardo, que foi distinguida como Melhor Jogadora de partidas em duas ocasiões, foi distinguida a MVP do Campeonato Africano das Nações de 2016.

Pela conquista, Angola recebeu um prémio monetário de 25 mil euros, enquanto a Tunísia e Camarões receberam 15 e 10 mil euros. No histórico da Confederação Africana, as Pérolas conquistaram os CAN de Angola'1989, Costa de Marfim'1992, Tunísia'1994, África do Sul'1998, Argélia'2000, Marroco'2002, Egipto'2004, Tunísia'2006, Angola'2008, Egipto'2010, Marroco'2012 e Angola'2016.

MENSAGEM
Presidente
felicita as Pérolas


O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, saudou na noite de ontem, efusivamente, a décima segunda vitória de Angola no Campeonato Africano de Andebol feminino. felicitando as atletas, o corpo técnico e todos quantos contribuíram para este feito brilhante que enche de orgulho a Nação angolana. Nasua mensagem, o Presidente da República afirma que essa vitória da Selecção Feminina de Andebol traduz a força e a determinação do povo angolano em superar os momentos mais difíceis da sua história afirmando o seu talento e vontade de vencer.

TUNÍSIA
Uma falsa finalista

O diferencial de golos da final de ontem entre a Selecção Nacional e a Tunísia demonstrou que as magrebinas não foram a justa finalista. A Tunísia forçou a presença na final, através de um protesto, quando não teve forças para travar o Senegal em campo. Para o seu azar, encontraram uma Angola ávida de desforra. Em 2014, tinham sido as tunisinas que, em Argel, responderam ao apelo de quase toda a África e afastaram as Pérolas da final, ao vencer por, 31-30, na meia-final.

Lá tiveram quase todo o pavilhão a aplaudir e mais uma arbitragem com tendência. Em Luanda, encontraram mais do que se esperava. Havia uma esquina em que as Pérolas haviam de as apanhar. A final devia ser jogada diante do Senegal, mas as tunisinas deram o corpo à bala e não foram poupadas. É o maior diferencial de golos conseguido por Angola em 12 finais jogadas. O maior diferencial já tinha sido conseguido em Luanda, na edição de 2008: 39-27 sobre a Costa de Marfim.

Com as tunisinas, Angola jogou a quarta final e superou todos os registos. Nunca tinha ganho por mais de dois golos. Ontem, Arfa Yessine, treinador tunisino e as suas pupilas tiveram uma lição grátis de bom andebol.                                     

REACÇÂO
Exaltação e agradecimento
na hora do “cair do pano”


A Arena do Kilamba ficou pequena ontem. Mais de doze mil pessoas compareceram para empurrar a Selecção Nacional sénior feminina de andebol a mais um titulo continental. O carinho do povo angolano foi preponderante na vitoria esmagadora das Pérolas por 19-36. Para além do bom nível competitivo da Selecção Nacional, o público teve momentos de delírios que deixou as tunisinas sem controlo. O curioso da festa é que as crianças também fizeram parte. Muitas famílias fizeram questão de estar completas. Foi bonito de se ver as cores nacionais, as coreografias e as canções que soavam à moda da "nossa terra". Angola venceu e mereceu.

NATÁLIA BERNARDO
A jogadora Natália Bernardo, considerada a Jogadora Mais Valiosa do Campeonato Africano, considerou a vitória de Angola como algo já esperado. Em declarações à impressa, a andebolista disse que o grupo se preparou para arrecadar o troféu que estava nas mãos da Tunísia. “Cumprimos com o nosso objectivo que era de resgatar a taça continental. Era nossa e conseguimo-la. Tivemos um trabalho de equipa, jogámos com um ataque organizado e rápido. Isso foi fruto da experiência neste tipo de competição. Só colocamos em campo as recomendações", revelou o segredo. 

A meia distancia do clube militar disse que a taça regressou para onde nunca deveria ter saído. Em casa. "A taça sempre foi nossa e como a Tunísia nos derrotou na edição passada, colocámos ontem a legalidade. A vitória foi fruto de um trabalho conjunto em que todas nos empenhamos para consumar este feito. Wstamos de parabéns", prosseguiu.

LUÍSA KIALA DÁ  ADEUS
A camisola número 11 da Selecção Nacional de andebol considerou a vitória de ontem frente a Tunísia como uma dádiva que o povo angolano merecia. Em entrevista ao Jornal dos Desportos após a final do Campeonato Africano, a jogadora disse que o grupo se empenhou para esta vitória. "Estivemos todos unidas com um único objectivo de arrecadar o título. Temos vindo ao longo deste tempo a fazer uma preparação boa. Demos o nosso máximo e conseguimos derrotar todas as adversárias", considerou.

Questionada sobre a encerramento da carreira desportiva, Luísa Kiala confirmou que este foi o seu último jogo pela Selecção Nacional. "Estou a despedir-me das quadras. Já dei tudo o que tinha para o andebol. Vou deixar as outras continuarem o trabalho. Vou dedicar-me à minha vida profissional e pessoal, pensar na minha família", disse.

PEDRO GODINHO ENALTECE
DESEMPENHO DA SELECÇÃO

O presidente da Federação Angolana de Andebol, Pedro Godinho, felicitou as jogadoras nacionais pela conquista do título continental e disse que o nível atingido pela Selecção Nacional é fruto de muito trabalho. “Estamos satisfeitos por esta conquista. Isso dá-nos a sensação do dever cumprido. As jogadoras mostraram-se bem, dominaram o jogo do princípio ao fim. Depois desta exibição em que ficamos orgulhosos, vamos ter um novo andebol nos próximos tempos", realçou. O dirigente referiu que, apesar da situação financeira do país, Angola conseguiu realizar a prova continental com muita qualidade. "Foi um sucesso. Tudo correu como se previa. Estamos felizes e todos de parabéns", disse.

TÉCNICO DA TUNÍSIA
O técnico da selecção da Tunísia, Yassine Arfa, disse ontem depois da derrota, que o objectivo da sua equipa foi atingida. "Estamos felizes. Conseguimos terminar o Campeonato Africano em segundo lugar, que era o nosso segundo desejo, caso não conseguíssemos revalidar o título. Angola é uma grande equipa e difícil de se vencer. Reconhecemos isso. Além do mais, hoje (ontem) contou com muito público que as favoreceu e complicou a representação da nossa equipa", disse. Yassine Arfa felicitou o técnico de Angola por fazer "bom trabalho". O apreço estende-se "à organização da competição por não deixar que faltasse algo às selecções participantes".                                    
ROSA NAPOLEÃO