Jornal dos Desportos

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Hoje pode ser dia de desforra!

Silva Cacuti | no Rio de janeiro - 08 de Agosto, 2016

Técnico angolano Filipe Cruz

Fotografia: Ed JONES / afp

A selecção nacional sénior feminina de andebol deu aqui no Rio de Janeiro uma lição de como passar uma boa imagem de Angola ao mundo, em tempo de crise. Sem beneficiar de um estágio pré-competitivo,  a selecção nacional derrubou, no sábado, a similar da Roménia, bronze mundial, ao vencer por claros 23-19, com já favoráveis 11-9, ao intervalo, em partida referente à primeira jornada da primeira fase do campeonato do mundo.

Acima de 15 mil espectadores presentes no Arena Futuro, a quadra que acolhe os jogos de andebol, torceram pelo conjunto angolano e, no final foi festa generalizada.

"Eu sou angolano, com orgulho e com muito amor", cantavam os brasileiros e outros adeptos inebriados pela imprevisível vitoria angolana.
Para os "bazucas" foi bom Angola vencer, porque hoje têm a Roménia como adversário. "Estamos juntos nisso" diziam alguns adeptos.
Angola sabia-se inferior à Roménia e abordou o jogo com responsabilidade de quem joga uma final.

" Sabíamos que a Roménia era superior, então tínhamos que acreditar em nós. Lutamos até que conseguimos o nosso objectivo" disse a porta bandeira angolana na cerimónia de abertura dos jogos.

A guarda-redes Teresa Ameida "Bá" foi uma das melhores unidades angolana e, com Albertina Cassoma podem rivalizar a distinção de melhor do jogo, Cristina Neagu, nomeada candidata ao prémio de melhor jogadora da federação internacional, foi literalmente anulada por Bá e não produziu o que está habituada.

Noutros jogos do grupo, o Brasil surpreendeu a campeã olímpica Noruega, por 31-28, enquanto a Espanha bateu Montenegro por 25-19. No grupo B a surpresa foi a pobreza de golos no França-Holanda. A França bateu as vice campeãs mundiais por poucos 18-14.

A Rússia venceu, sem surpresas a Coreia do Sul por 30-25 e a Suécia arrasou a Argentina por fáceis 31-21.

DETIDO

Preso por abuso sexual a duas camareiras na Vila Olímpica, o pugilista marroquino, bronze do último campeonato africano, Hassan Saada, foi eliminado do torneio das Olimpíadas no sábado, após não comparecer a sua luta contra o turco Nadir Mehmet Unal.

Detido desde sexta-feira, o atleta nada pode fazer para evitar que os juízes decretassem a falta de comparência  (W.O) e, consequentemente, a qualificação do turco Unal para os oitavos-de-final do torneio de boxe olímpico.

Sem poder comparecer à pesagem na manhã deste sábado após ter seu habeas corpus negado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Supostamente, Hassan Saada teria abusado de duas camareiras na Vila Olímpica após chama-las em seu quarto na última quarta-feira. Segundo as denúncias, o pugilista apalpou ambas as funcionárias, que optaram por denunciar o ocorrido. Os outros dois companheiros de quarto do atleta não tiveram participação no caso e o advogado de Hassan afirma que não houve nenhuma tentativa de estupro.

Esta é a segunda vez consecutiva que um atleta do boxe falha à pesagem oficial, depois do "nosso" Tumba Silva em Londres 2012, por razões até hoje pouco claras.       


CERIMÓNIA
Imprensa internacional
elogia abertura  dos jogos


Sucesso de público e crítica. Esse pode ser o resumo da abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A solenidade dirigida por Fernando Meirelles agradou e teve uma repercussão extremamente positiva na imprensa internacional. Um dos mais elogiosos foi o “Washington Post”. O tradicional diário norte-americano estampou “Rio traz seu estilo sambista à cerimónia de abertura da Olimpíada de Verão”.  O jornal lembra de todas as complicações em torno da realização dos jogos, mas ressalta que por uma noite o Rio mostrou o que tem de melhor.

O The New York Times, por sua vez, acompanhou em tempo real a cerimónia por meio de seus enviados especiais. O texto do jornal assinado pelo jornalista Simon Romero afirma que a cerimónia disfarçou feridas brasileiras por algumas horas e que se existe um país que precisa de um momento inspirador actualmente este é o Brasil. Romero ainda elogiou o bom gosto da cerimónia e fez um paralelo com abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim (2008) que, segundo ele, pecou nos exageros e foi usada apenas como demonstração de força económica.

Outro jornal bastante elogioso foi o argentino “Clarín”. O Diário argentino  elogia a cerimónia e a cidade “por suas cores, por seus fogos de artifício, por sua música, por sua gente, pelo Cristo Redentor, aliás ao fundo como perfeito protector, ícone universal de uma cidade na qual cabem vários mundos”.

O jornal inglês “The Guaradian” também promoveu uma abertura em tempo real com viés bastante positivo. O veículo elogiou a proposta da cerimónia de abertura e a escultura giratória que fica atrás da pira olímpica.

Já o espanhol “El País” destacou a presença de Rafael Nadal como porta-bandeira da Espanha num texto sob o título de “As imagens de uma festa em que o Brasil celebra a sua diversidade”.

O Le Monde também  promoveu um tempo real da abertura e prometeu que uma extensa cobertura dos Jogos Olímpicos.  Para  o jornal  inglês Telegraph "É como se alguém tivesse apertado o botão e ligado as pessoas. De repente, tudo é esplêndido."                                 

PALAVRAS DERRAMADAS
Rio de Agosto




A aeronave é enorme. Pertença da companhia aérea de bandeira, ou seja, Taag. Estava pronta a descolar, rumo ao ponto que se fala.  O autocarro lota e nos carrega para próximo do gigante da Boeing. Luanda começava a ficar atrás, tínhamos vencido a questão da falta de divisas, vistos na embaixada do Brasil e os dias de incertezas em relação à nossa presença no Rio de Janeiro, a cidade maravilha, a fim de  reportarmos para esta imensa Angola o cenário e tudo o que acontecer nos Jogos Olímpicos.

Não só a participação de 26 bravos atletas que lograram as honras de representar Angola, mas de dezenas de milhares deles, vindos de todo o mundo.
No avião seguiram também atletas do Burundi, a Antónia de Fátima "Faia", camarões e a equipa feminina de basquetebol do Senegal. Mamona Diarra, a poste do 1º de Agosto, tentou esconder-se de nós.  Não conseguiu!

O bilo que houve dentro da aeronave, em pleno voo, entre um passageiro angolano e outro brasileiro foram as últimas cenas que vi fora desta grande casa que acolhe o Big brother do desportista. Nem apurei se foram depois entregues à "Federal", pelo menos,  para serem responsabilizados pelo susto que nos pregaram com aquela barafunda, nestes dias de terrorismo.

A chegarmos, entrava a noite na cidade de Cristo Rei. Lá do alto do Corcovado ele parecia dizer-nos "bem vindos" com muita satisfação. As luzes da cidade, em contraste com as sombras dos morros que fazem o seu relevo e o apertado trânsito automóvel acariciavam nossos olhos.

O rio de Janeiro está uma casa enorme de Big brother onde os participantes são muitos, milhares! Competem, correm, uns mais que outros; saltam, cada um como pode; contorcem-se, cada um na medida da flexibilidade que seu músculos permitem.

No rosto de cada brasileiro, nota-se a alegria de anfitrião. O aeroporto está colorido, cores dos jogos, a cidade nem tanto. Nela são visíveis muitos sinais de obras ainda em marcha. O rio quer renovar-se, ficar melhor para os seus visitantes. A vida corre a uma velocidade incrível. Quem trabalha trabalha. Milhares de brasileiros vieram de outras cidades à procura de trabalho. Quem varre, varre e aquele que trepa trepa.

Executivos, governantas, engenheiros, militares e policiais, roboteiros, cada um ocupado com os seus afazeres e, não deixam de dar um sorriso ou prestar solidariedade a que se mostre como novo na cidade.

Há também os "garlas" que buscam uma oportunidade para aplicar o seu golpe. Quem rouba, rouba. Quem fornica também é gente por cá. Aliás as prostitutas gostam de ocasiões como esta, para fazerem valer o seu papel social. Nisto a cidade vive. É a cidade do mundo. A mais falada em rádios, jornais e televisões. Citada em todo o mundo  nas conversas do dia a dia.

Cá vamos nós, a par e passo. A viver a notícia do Rio de Janeiro. Dados históricos dizem que a cidade foi descoberta a 1 de Janeiro de 1502 e a sua baia pensava-se ser a foz de um grande rio. Daí o nome da cidade. História!

Facto mesmo é que a antiga capital brasileira vai ser mais famosa neste Agosto Olímpico de 2016.

S.C