Jornal dos Desportos

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Modalidades

Nacionais terminam em apoteose

J?lio Gaiano-Lobito - 18 de Janeiro, 2017

Jovens passaram bons momentos de convivência nas terras das acácias rubras

Fotografia: José Soares

Os campeonatos nacionais de andebol juvenil masculino e feminino, que decorreram nas cidades do Lobito e de Benguela, de 4 a 15 do corrente, terminaram em apoteose como era desejo da organização. As críticas movidas nos bastidores não faltaram. Para alguns, a final feminina não passou de uma encenação, sobretudo na segunda metade da contenda, altura em que uma das equipas limitou-se a defender.

Deu para perceber como as comandadas de Rosário Catrongo “Yeyé” fingiam despertar da letargia. Quando se aproximavam do resultado, voltavam à primeira forma, ou seja, deixavam-se distanciar-se do marcador. A situação enfureceu grande parte da assistência que diante da “palhaçada”, abandonou o pavilhão. Os amantes do bom andebol abarrotaram o recinto.

Para além disso, a cidade do Lobito viveu momentos de alegria e de satisfação pelo dever cumprido. Apesar de tudo, reuniu cerca de 700 pessoas, entre atletas, dirigentes e convidados, numa competição que animou as principais cidades da província de Benguela. Apesar de não  ganhar a competição nacional, lobitangas e benguelenses conquistaram a simpatia, o respeito, e a admiração dos demais, que passaram e desfrutaram dos encantos das terras das acácias rubras, como bem lembrou a vice-governadora, Laurinda Mbaka, na mensagem de encerramento dos 37º Campeonatos Nacionais de andebol juvenil, feminino e masculino.

Muita gente ligada à governação, à política, à administração empresarial e ao desporto estiveram presentes na cerimónia de despedida. Num tom de saudade, Laurinda Mbaka fez questão de apelar à Federação Angolana de Andebol voltar a eleger a província no sentido de organizar em 2018 mais um dos campeonatos nacionais de andebol, em ambas as classes.

Vinte e quatro equipas, em representação de dez províncias, participaram do certame. Por razões técnicas, à última hora, a equipa masculina do Heafo Sport Clube do Cunene desistiu da compita. 

Apenas o 1º de Agosto -Benguela, finalista vencido, em representação da província, terminou no pódio. As demais, designadamente, Nacional de Benguela (4ª), a CPPL (6ª) e a Académica do Lobito (8ª) fracassaram nos objectivos traçados pelas direcções. 

CONSAGRADOS
1º de Agosto e Renascimento revalidam ceptro


O Clube Desportivo 1º de Agosto, em feminino, e o Grupo Desportivo Renascimento do Uíge, em masculino, sagraram-se campeões nacionais de andebol juvenil e confirmaram a supremacia na competição.

Na classe feminina, o 1º de Agosto triunfou diante do Núcleo do 1º de Agosto -Benguela, por 25-18, numa partida marcada por forte suspeição no que toca ao desfecho da contenda. A formação luandina terminou a primeira parte a vencer, por margem mínima de um golo (13-12).

Na segunda parte, a formação benguelense deixou tudo a perder. Limitou-se a defender, facto que foi bem aproveitada pelas comandadas de João Diogo “Docas”, que acabaram por marcar os golos necessários para festejarem à brava, a revalidação do título, em pleno pavilhão gimnodesportivo engenheiro Miranda Guedes.

Na classe masculina, a festa foi bem vivida à maneira do Uíge. O Renascimento foi ­implacável na vitória diante do Vitória Seguros de Angola, por diferença de três golos (35-32). A formação luandina acabou por pagar muito caro a vaidade e irresponsabilidade patenteadas pelos seus atletas.
À dada altura do jogo, não souberam “segurar” a vantagem construída na primeira parte (15-14). Brincaram e deixaram-se ultrapassar nos derradeiros minutos, ou seja, nos últimos três minutos, acabaram perderem no final por 32-35.

O público vibrou e juntou-se à festa da turma liderada por Constantino Diboxi, que atribuiu o título à população da província do Uíge, em geral, e ao governador Paulo Pombolo, em particular, pelo trabalho que exerce em prol da modalidade.

CONTAS
Presidente faz
balanço positiv
o

O presidente da Associação Provincial de Andebol de Benguela, Rui Elias Ferreira, considerou o balanço positivo em relação à organização da 37ª edição dos Campeonatos Nacionais de andebol juvenil, feminino e masculino, que a província realizou de 4 a 15 do corrente, apesar de algumas situações denotadas ao longo do evento.

“Do ponto de vista funcional, foi a uma organização positiva. Tivemos algumas falhas que prontamente debelámos com a ajuda de pessoas singulares e colectivas da província. O governo foi exemplar neste processo, porém, tenho a lamentar a falta de solidariedade de certas entidades que à última hora desistiram de dar o apoio. Foi mau, porém, não nos abalámos. O importante é que os campeonatos tiveram o curso normal e terminaram em apoteose, como prevíamos”, comentou.

Rui Ferreira lamentou a ausência na prova de uma equipa masculina local. Na sua óptica, nos próximos dias, a Associação vai convocar uma reunião com os clubes para juntos serem estabelecidas estratégias que visem reactivar a classe, onde se pode emergir sem problema aparente.
“Benguela esteve sempre presente em todas as competições. Infelizmente, desta vez ficou sem representação numa prova que foi anfitriã. Não precisamos de culpabilizar ninguém, pelo contrário, o momento é de trabalhar e recuperar a mística sob pena de se ver ultrapassada por outras províncias, como o Namibe, Uíge, Cuando Cubango e Lunda Sul, que sem olhar a meios, tiveram o cuidado de participar na prova”, lembrou.             

DESAFIO
Apostar nas
infra-estruturas


No entender do homem-forte do andebol de Benguela, o Governo Provincial de Luanda deve continuar a apostar na construção de mais infra-estruturas desportivas, vocacionadas para o desporto de salão, de formas a manter os níveis alcançados nos últimos tempos, e se possível, voltar aos velhos tempos de glórias.

“Reparem, que em matéria de infra-estruturas, a nossa província fica atrás do Namibe, de Malanje e de Luanda. A continuar assim, não tarda que  o desporto de sala fique reduzido a meia dezena de clubes, que tentam com muito esforço massificar o andebol na província”, completou.
Presentemente, a CPPL, Académica do Lobito, Electro SC do Lobito, Nacional de Benguela e 1º de Maio de Benguela são os únicos clubes a movimentar o andebol.  
JÚLIO GAIANO | - LOBITO