Jornal dos Desportos

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Natália Bernardo é militar

Silva Cacuti - 12 de Dezembro, 2014

Meia-distância Natália Bernardo acompanha Nair de Almeida e reforça ataque da equipa campeã africana

Fotografia: Jornal dos Desportos

O 1º de Agosto conseguiu assegurar o concurso da influente central e ponta esquerda Natália Bernardo, capitã da Selecção Nacional e uma das peças mais valiosas do plantel petrolífero e do andebol angolano. A atleta fazia parte das dez atletas, dentre as 16 da primeira equipa do Petro de Luanda, que estavam em final de contrato com o clube.

Natália Bernardo, 1,69 metros de altura, que a 25 do corrente completa 28 anos de idade, começou a carreira desportiva no Desportivo Maculusso. Ainda com a idade júnior rumou para o Petro de Luanda, numa ligação de cerca de 12 anos.

Tomás Faria, presidente do Petro de Luanda, apressou-se a dizer que o andebol no clube é candidato ao título, sem salvaguardar o plantel. O dirigente admitiu na conferência de imprensa de balanço da época que negociava com as atletas em fim de contrato. Mas foi tarde demais.

Os militares asseguraram também a ponta direita Iracelma Silva, atleta formada no Petro de Luanda, e têm negociações avançadas com a guarda-redes Teresa Almeida "Bá" e com Luísa Kiala, mana mais velha de Natália.

José de Sousa "Jeco", director para o andebol no clube militar, não confirma as contratações, mas também não as nega categoricamente.
"Primeiro, falavam em Magda Cazanga, agora é a Natália? Ainda não fizemos nenhuma contratação", diz, entre evasivas.

Mas o espólio do Petro de Luanda é também aproveitado pelo Progresso do Sambizanga que, segundo a nossa fonte, assegurou os préstimos de Matilde André, ponta direita, que deixa a equipa petrolífera, depois de ter sido cedida para reforçar o Progresso do Sambizanga na última Taça dos Campeões Africanos.


SAÍDA DE ATLETAS
Gestão administrativa aquém do esperado


Vivaldo Eduardo aceitou, como profissional, o repto do presidente de direcção do Petro de Luanda, Tomás Faria, que, com suporte no seu Plano de Desenvolvimento Desportivo Integrado (PDDI), definiu como prioridade manter as conquistas do andebol feminino, mas não contava com o quadro que hoje lhe é oferecido.

A equipa tem cinco perdas influentes e tem outras tantas jogadoras limitadas. Maria Pedro, guarda-redes, recupera de uma intervenção cirúrgica ao nariz. Magda Cazanga debate-se com uma lesão aos ligamentos do joelho direito e deve ser submetida a intervenção cirúrgica. Isabel Fernandes, há muito está a contas com uma artrose bilateral dos joelhos. Azenaide Carlos tem tendinose do Aquiles esquerdo e Acilene Sebastião está em recuperação pós-parto.

Aliada à crise financeira, a equipa sénior feminina de andebol do Petro de Luanda é também vítima de uma gestão administrativa do pessoal aquém do esperado, uma vez que, segundo apurámos, todas as atletas que saem, fazem-no a custo zero.

"Uma equipa que há mais de 20 anos está no topo de África não deve permitir que as suas principais atletas cheguem ao final dos contratos, sem renovação. Foi uma falha", disse José Nascimento, ex-praticante e analista da modalidade.

Diante deste quadro, acrescido de falta de condições, a equipa devia reiniciar a preparação na segunda-feira, visando a Supertaça Babacar Fall, mas teve de adiar o reinício dos trabalhos.

O Petro de Luanda, nos últimos quatro anos, perdeu três campeonatos nacionais, foi apeado do título da prova africana de clubes e está com dificuldades para defender o título da Supertaça africana Babacar Fall.

A nossa reportagem tentou ouvir a direcção do emblema tricolor, mas não teve sucesso.
SILVA CACUTI