Jornal dos Desportos

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Modalidades

Perolas na final

Silva Cacuti - 06 de Dezembro, 2016

Sete nacional feminino está próximo para levantar mais um troféu continental

Fotografia: José Cola

A Selecção Nacional sénior feminina de andebol, também conhecida por Pérolas, apurou-se ontem para a final do 22º Campeonato Africano das Nações ao bater na segunda meia-final a os Camarões por 31-19, depois de construir vantagem ao intervalo de 17-12. As duas equipas já se defrontaram na primeira fase com 30-14 favoráveis à equipa de Felipe Cruz.

A taça está à vista. O objectivo está ao alcance e a festa marcada para amanhã. A equipa angolana entrou para o jogo com uma actuação exuberante, recheada de recortes técnicos. Depois, abrandou. O abrandamento verificado, principalmente no jogo ofensivo, levou as camaronesas a subirem os índices motivacionais. Subiram as suas linhas defensivas e forçaram Angola a cometer alguns erros.

De nada serviu o susto pregado aos adeptos angolanos nos minutos finais da primeira parte, quando as camaronesas conseguiram recuperar até três golos, uma desvantagem de oito. Na segunda parte, Angola apareceu demolidora e, em cinco minutos, marcou cinco golos sem sofrer. Esticou a vantagem que trazia do intervalo para 10 golos: 22-12.

A equipa camaronesa deslumbrou-se com o desempenho na primeira parte. Na segunda, demorou a entrar no jogo. Apenas marcou o seu primeiro golo à passagem do oitavo minuto.Começou a faltar-lhes o fôlego para aguentar a passada angolana. Independentemente das atletas que Filipe Cruz trocasse, Angola mantinha a intensidade de jogo.

Azenaide Carlos repetiu a jogatana dos quartos-de-final. Fez oito golos e foi a melhor marcadora da partida. Natália Bernardo, Cajó, Magda, Juliana. Pode-se citar todas as atletas angolanas sem encontrar mácula na actuação individual. A pivot Albertina Cassoma foi eleita MVP. A equipa está perto do seu melhor!

As camaronesas insistiam no jogo preponderantemente físico. Apesar disso, diferente do jogo da primeira fase, nenhuma angolana precisou ser assistida pela equipa médica. Angola levava a água ao seu moinho. À medida que se chegava ao final da partida, as camaronesas rendiam-se à superioridade da equipa da casa apoiada por mais de 10 mil pessoas presentes no Pavilhão do Kilamba.

Com a vitória, as Pérolas alcançaram a 12ª final da sua história e vão defrontar a sensação, Senegal, que afastou a Tunísia da luta pela revalidação do título. A equipa angolana não sabe perder finais. Venceu sempre que as jogou em qualquer palco de África.

40 Anos DEPOIS
Senegal volta a disputar o ouro


O andebol feminino senegalês vai ficar a dever a Frederic Bougeant a viragem na sua história, depois de ter conseguido o passe à final de um Campeonato Africano das Nações sénior feminino, 42 anos depois da primeira vez que esteve num pódio continental. O feito das "sené" é valorizado pelo facto de que, para chegarem a final, venceram a Tunísia, campeã em título, por 26-20, com direito a uma aula de bem jogar andebol.

O melhor para o fim. Nunca, nas cinco partidas anteriores, o Senegal tinha mostrado uma defesa tão coesa e um ataque, na mesma medida, eficiente.É uma equipa que deixou bons indicadores desde a primeira fase e esperava-se que  fosse dificultar a tarefa a qualquer adversário que lhe aparecesse pela frente. Surgiu a Tunísia e, apesar de trazer as insígnias do título conseguido em Argel, foi maltratada em pleno pavilhão do Kilamba.

Ao "mago" francês, autor do feito senegalês, junta-se a grande exibição da guarda-redes Hadatou Sako (da equipa OGC Nice de França) e de Doungou Camara (do Issy Paris Hand) que apontou 10 golos.A façanha começou cedo. O Senegal foi o primeiro a marcar e construiu a vantagem folgada de seis golos, 17-11, ao intervalo.

No reatamento, as pupilas de Frederic Bougeant aceleraram mais no ataque, melhoraram os índices defensivos e, num ápice, dispararam para oito golos de diferença no marcador. O placar mostrava 23-15 aos 15 minutos do segundo tempo.Depois disso, as "leoas" como são também tratadas, começaram a correr menos no ataque, abandonaram o contra-ataque e abraçaram o ataque planeado e só visavam a baliza adversária no limite do tempo. Com esta receita, conseguiram manter a vantagem no marcador e tragar a campeã em título.

Ao esboçar a participação no Campeonato Africano das Nações, o seleccionador senegalês foi ambicioso ao estabelecer como meta o pódio, quando vinha de um sétimo lugar na edição de 2014. Sai de Luanda com a marca de ter jogado uma final africana. Se vai ganhar ou ficar por aí, é um assunto a ser resolvido amanhã, na final com a Selecção Nacional de Angola.

CLASSIFICATIVAS
Argelinas perdem ante congolesas


Com um total de 31 golos, a selecção do Congo derrotou ontem a Argélia, que somou apenas 27 golos, em partida qualificativa para o quinto lugar. As congolesas comandadas por Xavier Malonga e Clarisse Opondzo executaram as recomendações técnicas. O grupo entrou no jogo animado e, nos primeiros minutos, já levava perigo à baliza adversária. A tarefa ficou praticamente facilitada depois da derrota das adversárias no jogo anterior.

As argelinas sofreram uma derrota esmagadora diante de Angola (19-42) e psicologicamente entraram na quadra desmotivada. Aliada ao valor psicológico, o desgaste físico contribuiu para o fraco rendimento. Sem gás, a redução das desvantagem estava cada vez impossível.É de ressaltar que num determinado momento, as argelinas conseguiram trocar a bola com  maior segurança e rematar certeiro à baliza congolesa. Ao intervalo, as congolesas venciam por 16-12.

No reatamento, as argelinas imprimiram alguma "downforce" e o equilíbrio marcou o jogo. As congolesas sentiram alguma pressão ante uma defesa cerrada das argelinas. Num ápice, o placard registava 19-24. As argelinas estavam confiantes numa revira-volta e conseguiram reduzir para 23-25.A rapidez e a experiência das congolesas veio de cima e as argelinas não foram capazes para inverter o resultado. O jogo terminou em 31-27 favoráveis às congolesas.
ROSA NAPOLEÃO

7º LUGAR
Argélia  enfrenta Guiné Conacry


A selecção da Argélia vai entrar hoje no jogo frente à Guiné Conacry, para o sétimo lugar, na tentativa de conseguir um resultado que a favorece, depois das constantes derrotas sofridas ao longo do campeonato Africano das Nações sénior feminina que encerra amanhã em Luanda. As comandadas de Semir Zuzo estão desgastadas e vão procurar minimizar a desvantagem frente a selecção da Guiné Conacry que vem de uma derrota apertada nas meias-finais diante da Costa de Marfim por 20-23.

Apesar das surpresas marcarem a competição de Luanda, a Guiné Conacry é a favorita na partida. Na fase de grupos, derrotou a Argélia por 24-17 e acumulou duas derrotas frente a Tunísia (22-34) e Congo (18-33). Nos quartos de finais, perdeu diante do Senegal (15-27). Ainda assim, possui variantes competitivas que a coloca num patamar superior ao da Argélia. As guineenses movimentam-se melhor ofensivamente.O técnico da Argélia Semir Zuzo justificou que a sua selecção está fisicamente mais desgastada que a equipa adversária por obedecer a uma fraca preparação para a competição. O histórico da equipa no campeonato africano não tem valor competitivo.ROSA NAPOLEÃO

5º LUGAR
Congo joga com Costa do Marfim


A Costa do Marfim vai ter de arriscar mais a defesa e rematar, se quiser consumar uma vitória frente a selecção do Congo na disputa do quinto lugar do Campeonato Africano das Nações sénior feminino que encerra amanhã no Arena do Kilamba.Ontem, a Costa do Marfim derrotou a selecção da Guiné Conacry por 23-20, a segunda selecção mais fraca da competição, depois da Argélia. A vitória vai exigir esforços. Do outro lado está o Congo, uma selecção apostada em conquistar o quinto lugar da classificação geral.

Na fase de grupos, a Costa do Marfim sofreu três derrotas com as selecções do Angola (18-37), Camarões (17-22), Senegal (17-24). Nos quartos de finais, perdeu diante da Tunísia por (26-38). Somou duas vitórias frente ao Congo Democrático (33-27) e Guiné Conacry (23-20).As congolesas comandadas por Xavier Malonga estão mais confiantes, depois de perder a oportunidade de lutar pelo título. A equipa apresenta fragilidade na resistência, o seu principal ponto fraco, conforme garanti o treinador.Diante da Costa de Costa de Marfim, não vai cruzar o braço. O técnico prometeu encerrar a participação com uma vitória.
ROSA NAPOLEÃO

FRENTE às  MARFINENSES
Guineenses caem no Kilamba


A guarda-redes da selecção da Costa do Marfim, Ida Yao, foi a que mais empurrou a equipa à vitoria frente a Guiné Conacry por 23-20. O jogo decorreu no Arena do Kilamba em Luanda e ditou as qualificativas para o 5º lugar.O jogo começou equilibrado para as duas selecções que movimentaram bem a bola. Cada uma procurava dar o seu máximo. As guineenses procuraram fazer diferente para levar de vencida as adversárias. A tarefa não esteve fácil. A Costa do Marfim é uma equipa com muitos recursos.

As jogadoras penetraram às áreas restritivas das Guiné com ataques rápidos. Aos 12 minutos do jogo, a Costa do Marfim comandou o placard por 5-4.
Com o equilíbrio na quadra, o resultado alternava no placard. As falhas técnicas denunciam a fragilidade da Guiné Conacry e o técnico Kevin Decaux toma as previdências. O empate de 10 golos justificava o resultado no intervalo.

No reatamento, as guinenses mostraram-se mais lentas no sector defensivo. Isso as impossibilitou de avançar no resultado. Num ápice, deixaram a primeira linha livre e facilitaram a penetração da Costa do Marfim, que tinha um ataque sistematizado e fez remates acertados. O placard alterou-se e as guineenses não se cansaram de lutar para repor a igualdade. A vantagem das costa-marfinenses era curta. Sempre que vacilassem, permitia o empate.  No final, a Costa do Marfim venceu a Guiné Conacry por 23-20.
ROSA NAPOLEÃO