Jornal dos Desportos

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Pérolas pretendem confirmar favoritismo

Silva Cacuti - 19 de Março, 2015

Qualificação feminina para Jogos Olímpicos começa hoje no pavilhão principal da Cidadela Desportiva

Fotografia: Jornal dos Desportos

O medo de perder e falhar em casa, a passagem para a sexta presença consecutiva nos Jogos Olímpicos, é o clima que paira sobre a família do andebol angolano, que hoje acompanha a selecção nacional sénior feminina no caminho, que  pode levá-la ao Rio de Janeiro'2016.Angola e Senegal defrontam-se, às 21h00, para abertura do torneio pré-olímpico, a única  possibilidade para quem deseja estar presente naquela cimeira desportiva.

Angola quer lá estar, por direito próprio e também por um hábito que dura já há quase 20 anos, para representar a África nos Jogos Olímpicos. Contudo, há mais candidatos. A Tunísia, actual campeã continental, cobiça o direito de ser representante continental. A RDC, cujo andebol feminino tem ganho vigor, após algum sucesso no rejuvenescimento da selecção e o Senegal um “out sider”, também quer  sonhar , pois não é proibido.

Hoje começa o sonho olímpico das senhoras africanas. É o jogo principal. Angola está obrigada a ganhar pela história, orçamento e ranking continental, aliada ao factor casa.Para alcançar os Jogos Olímpicos, Angola chamou a si a organização desta prova, acena o factor casa, trocou de seleccionador, efectuou estágios na Europa e jogou um torneio internacional no palco do pré-olímpico.

A equipa experimenta um ligeiro rejuvenescimento. Deixou para trás atletas como Belezura, Nair Almeida, Elzira Tavares. O andebol angolano tem de jogar com o que de melhor tem. É o momento para o trio Maria Pedro, Natália e Luísa assumir-se na passagem do testemunho às jogadoras mais novas como Ríssia Oliveira, Liliana Vanâncio e Delfina Mungongo.

 João Florêncio, seleccionador nacional, deve lançar Maria Pedro, a baliza- Natália Bernardo, à central- Luísa Kiala, Azenaide Carlos, na primeira linha- Marta dos Santos e Matilde André, nas pontas e Guialo ou Wuta Dombaxi para actuar na posição seis, a pivôt. Para os momentos em que seja  preciso refrescar a equipa, tem a seu dispor jogadoras como Bá, Didi, Wandy, Júnior, Lisandra e Avosinha.

Das senegalesas sabe-se pouco. Apenas que foram a quinta classificada do último campeonato africano e que reforçaram o plantel com algumas “francesas”. Angolanas e senegalesas vão encerrar o primeiro dia de competições.No primeiro prélio, tunisinas e congolesas reeditam o que havia sido a final da última prova africana.  As congolesas, comandadas por Cristiane Mwasesa (atleta do 1º de Agosto), perderam a final e vão tentar a desforra, no recinto da Cidadela Desportiva.

Têm plantel para tal. Aliás, as duas equipas têm executantes que evoluem no campeonato francês. É um jogo em que fica difícil apontar favoritismo.Nem a coroa de campeã continental da Tunísia e muito menos, a maior falange de apoio que pode apoiar as congolesas, em função da numerosa comunidade vivente em Luanda, são factores chamados para atribuir  favoritismo.Ontem, realizou-se a reunião técnica da prova em que se decidiu manter o calendário de jogos  anunciados. A reunião técnica retardou o início dos jogos que estava marcado para 17h00. Os jogos começam a ser disputados às 18h00.

RESPONSABILIDADE
O ano de Natália


A realização do torneio pré-olímpico em Luanda, que começa hoje, coloca a capitã da selecção nacional maior responsabilidade para o sucesso da empreitada. Natália Bernardo recebeu testemunho da irmãs mais velhas (Luísa Kiala) e a aposentada Marcelina Kiala, duas estrelas da história de andebol nacional. Habituada a grandes desafios e detentora de vários títulos pessoais e colectivos, Natália Bernardo vai ter os olhos do público sobre si, à semelhança das suas precursoras. Em 2008, Marcelina Kiala jogou em Benguela e Luanda (numa outra competição africana) com pensamento na vitória.

Naquela época, a pressão incidiu na perspectiva de dar continuidade aos títulos africanos e consequentemente, às presenças regulares do país nos Jogos Olímpicos. No mesmo ano, Beijing testemunhou o florir do melhor andebol do continente africano, com Angola.Agora, Natália Bernardo tem a mesma missão. Uma responsabilidade que a família Kiala sabe gerir. Ladeada da irmã mais velha, a Luísa Kiala, Natália vai absorver a experiência, principalmente, nos momentos mais cruciais das partidas. Hoje, começa a odisseia. Os erros podem cobrar valores altos. Se o Senegal é a quarta força do grupo participante, o mesmo não se pode dizer das duas outras selecções africanas.

As congolesas entram na competição na qualidade de vice-campeães africanas e o estatuto dá-lhes o direito de discutir em circunstâncias iguais com Angola o passe de acesso ao Rio de Janeiro. O grupo é constituído por atletas que actuam em França, cujas equipas femininas têm lugares cativos no pódio das competições europeias. A experiência das atletas congolesas vai exigir da Natália Bernardo a coordenação da defesa e do ataque, no âmbito da estratégia definida por João Florêncio.

O último jogo de Angola é o mais complicado para a capitã nacional, porquanto vai defrontar a selecção da Tunísia, campeã africana. O sentimento de desforra vai marcar o conjunto angolano, que procura digerir a derrota nas meias-finais do último campeonato africano, realizado em Tunis. Natália Bernardo é chamada a dar “aspirina” às mais jovens e estreantes, que podem manifestar altos índices de ansiedade. O trabalho de psicologia é outra vertente da capitã. O ano de Natália Bernardo está a começar.

A atleta do 1º de Agosto vai contar também com o apoio de Azenaide Carlos, Isabel Guialo, Liliana Venâncio e Juliana Machado, atletas com experiência de campeonatos espanhóis e europeus. A troca de informação e a mudança rápida nos sistemas tácticos colocam sobre tensão a “caçule” das Kialas.

Elizabeth Cailo, Teresa Almeida, Marta dos Santos, Wuta Dombaxi, Rossana Quitongo e Matilde André são nomes que podem despontar em África. Chegou a hora das jovens atletas serem vistas pelo mundo inteiro através da televisão pública angolana. A dignidade e a tenacidade são valores que devem abraçar pelo bem da nação angolana.
FRANCISCO CARVALHO


JOÃO FLORÊNCIO
Público determina sucesso da selecção


O público da cidade de Luanda, em representação de todo o país, é chamado a marcar presença e em número considerável, a partir de hoje, em apoio à selecção nacional sénior feminina de andebol, no torneio qualificativo aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016, no Brasil, a decorrer no pavilhão principal da Cidadela Desportiva. O seleccionador da equipa angolana, João Florêncio, reiterou que os adeptos vão jogar um papel crucial nos bons e maus momentos que a equipa se apresentar nos três jogos da competição, por ser uma equipa jovem, em que muitas atletas nunca jogaram numa prova qualificativa em casa.

“O público vai galvanizar-nos bastante, porque os jogos vão ser difíceis dado que todos os adversários têm qualidades e querem estar nos Jogos Olímpicos do Brasil, tal como nós”, disse. A organização do evento anunciou entradas grátis, nos três dias de competição, no sentido da selecção nacional possa estar  com o seu público, depois  de ter jogado a última prova oficial em 2008.

João Florêncio garantiu que o grupo de 18 jogadoras seleccionadas está motivado e aguarda o início da competição, depois do estágio na Europa, em que competiu com equipas holandesas e alemães. O técnico da selecção nacional está confiante na qualificação das angolanas para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. O aprimoramento da estratégia de ataque e de defesa garante bons jogos.
“Conseguimos atingir o nível habituado da equipa angolana”, disse João Florêncio, após o primeiro treino em solo angolano após o estágio.

Na Holanda, as comandadas do João Florêncio efectuaram três jogos amistosos. Nos dois primeiros  encontros, as angolanas perderam diante de Dalfesen por 26-36 e venceram a selecção Esperança do mesmo país por 32-23. No último amigável, a selecção nacional suplantou a equipa de Oldenburg, da primeira liga da Alemanha, por 37- 35. Os números apontam para uma média de 31 golos sofridos, o que preocupam os experts da modalidade.

A responsabilidade de qualificação é atribuída a Maria  Pedro, Teresa  Almeída, Ivete Simão (Guarda-redes), Elizabeth Cailo (pontas), Wuta Dombaxi (universal ), Lourdes  Monteiro (universal), Lizandra Salvador (lateral), Delfina Mungongo (central), RíssiaOliveira (Pivot), Luísa Kiala (universal), Azenaide Carla (lateral), Marta dos Santos (ponta esquerda), Natália Bernardo (central), Matilde André (ponta direita), Rossana Quitongo.