Jornal dos Desportos

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Petro e Marinha fogem militares

Silva Cacuti - 22 de Junho, 2016

Duelo entre as petrolíferas e as marinheiras esquenta a Cidadela Desportiva

Fotografia: M.Machangongo

Quem for hoje à Cidadela Desportiva tem para ver uma das melhores partidas que o campeonato nacional sénior feminino reserva. No cartaz da sétima jornada jogam, às 17h00, as equipas do Petro de Luanda e da Marinha de Guerra para definir a quarta classificada.Se nesta primeira fase, todas equipas cobiçavam o primeiro lugar diante da exibição do 1º de Agosto, também é certo que ninguém deseja o quarto lugar. O Petro de Luanda não quer. A Marinha de Guerra também não. Quem ficar em quarto lugar se iguala às equipas que não passaram à fase seguinte. Nas meias-finais, encontra o 1º de Agosto.

Aí tem Natália Bernardo, Luísa Kiala, Cristian Mwasesa, Cristina Branco, Cassoma, nomes que, só de lembrar, amedrontam qualquer atleta com que se tenham de defrontar.Curiosamente, a Marinha de Guerra provou a dose militar na abertura do campeonato e, de tão amarga, quer evitar. O Petro de Luanda sentiu ontem o peso do 1º de Agosto e tudo vai fazer para retardar o próximo confronto com a equipa campeã nacional e africana.

Este condimento vai apimentar o jogo que, em termos práticos, não tem uma equipa favorita. Embora a história esteja prenhe de títulos, as petrolíferas  estão desbotadas e o seu potencial competitivo de hoje está ao alcance da Marinha de Guerra. Às ordens de José Terça Chuma, a equipa  demonstra vontade de alcançar o pódio.A jornada abre com o ASA a defrontar o Progresso Sambizanga, às 13h00. A equipa aviadora apresenta-se mais enfraquecida dada a ausência de Edith Bunga. Ontem, a atleta foi levada ao Hospital Américo Boavida para exames complementares, depois de ter sido contundida no joelho esquerdo durante o jogo com a CPPL.Às 15h00, defrontam-se as equipas do Electro  e da CPPL.

JOGO DO DIA
Meninas do Catetão assustam campeãs africanas


A vitória de ontem do 1º de Agosto sobre o Petro de Luanda por 23-20 com desfavoráveis 11-13, ao intervalo, não ilustra bem a diferença de plantel entre as duas equipas no 37º Campeonato Nacional sénior feminino que decorre em Luanda desde 14 do corrente. Com a vitória sobre as  petrolíferas, as agostinas fecharam a primeira fase da prova sem qualquer derrota, mais do que isso, com colossais goleadas. Houve diferenças de 29 golos.

Até ao jogo de ontem a equipa que tinha feito resultado mais equilibrado tinha sido o Progresso Sambizanga, ao derrotar por 12 golos de diferença (22-34), na quinta jornada.Filipe Cruz está tranquilo. Deve ser o treinador de andebol do país com melhor sono. O jogo de ontem não fugiu muito do que tem sido a exibição da equipa militar. Sem claque, o Petro de Luanda deu luta. Tanto que aos 12 minutos ainda o marcador mostrava empate a quatro golos.

Fazia-se boa casa. A claque militar fazia chorar os instrumentos que tinha. A dupla de arbitragem constituída por Benjamim Tiago e Simão Cumbi estava bem.O equilíbrio na quadra persistia. Pela primeira vez, aos 23 minutos de um jogo o "papão", 1º de Agosto tinha apenas um golo de vantagem no marcador, 10-9.Ríssia Oliveira, pivôt do Petro de Luanda, dava luta às torres militares, Cassoma e Liliana, que se revezavam para a superar. Aos 26 minutos, há uma inesperada vantagem das petrolíferas (12-11). Antes que fosse desfeita, Azenaide Carlos "Zizica" amplia para 13-11 e obriga Filipe Cruz ao "time out". A equipa militar desconcentra-se, comete sucessivas falhas técnicas e não altera a desvantagem até ao intervalo.

Nomeadamente, as campeãs africanas precisaram apenas de três minutos para repor a igualdade. O golo do Petro de Luanda durou seis minutos a surgir, quando as militares já tinham marcado três. Aos 46 minutos, o Petro de Luanda voltou a passar à frente do marcador, 17-16. O 1º de Agosto tinha perdido o pavilhão. A assistência apupava as suas jogadas. As campeãs reagiram. Quando começava a faltar forças ao Petro de Luanda, construíram vantagem de três golos, 21-18.

"O Petro de Luanda criou-nos dificuldades", disse Filipe Cruz.  Da parte do Petro de Luanda, Edgar Neto disse que "a equipa resistiu até onde pode".Nos jogos que antecederam a Casa do Pessoal do Porto do Lobito despachou o ASA por 23-19 e o Progresso Sambizanga superiorizou-se à Marinha de Guerra por 26-19.